sábado, 6 de novembro de 2010

Qual das virgens você prefere ser?


Mateus 25.1-13

INTRODUÇÃO: Talvez uma das grandes necessidades da igreja moderna nos dias de hoje seja a pregação da eminência do retorno de Cristo. Algumas posições teológicas dentro da escatologia nem mesmo dão lugar a isto, mas o ensino bíblico deixa clara tal urgência e é baseado nisso que estaremos considerando este texto nesta noite.
Para tanto, sugiro um tema para nossa contemplação: “Qual das virgens você prefere ser?” Esse tema em forma de pergunta nos faz considerar os dois pólos apresentados pelo Senhor, quanto a este aguardo eminente. Para que venhamos a entender melhor sugiro então três considerações de acordo com o texto:

I- O grupo das néscias (vv.3-6, 8 e 11)
De acordo com a gramática, a palavra néscio é um adjetivo que significa inepto, estúpido e ignorante. Logo é alguém relapso que não esteve atento ao chamado para estar vigilante sempre e de acordo com o texto, manter as vasilhas cheias de azeite. Observemos então, o que isso implica para a nossa meditação nos versos onde estas pessoas são mencionadas:
a)    O chamado geral (v.1) – As dez virgens representam aqui o chamado universal de Cristo a todos e as conseqüentes atitudes daqueles que foram chamados. Estes saíram a encontrar com o Noivo, mas a posições destas pessoas foi diferente.
b)   Um grupo sem homogeneidade (v.2) – Apesar de terem sido chamados pelo mesmo convite a aplicabilidade deste foi observada de forma distinta entre estas. Umas produziram prudência (cinco) e outras (cinco) produziram a nescidade. Observemos as características das néscias:
c)    Vasilhas sem azeite (v.3) – Algo óbvio foi esquecido. Se lhes foi dado um recipiente é lógico que era para pôr algo, aqui no caso o azeite. Estas foram tão néscias que jamais se preocuparam com este detalhe. Entendamos azeite aqui como dons e não o Espírito Santo como desejam alguns. Visto que o contexto aqui, quando observamos a parábola posterior dos talentos, enfatiza o compromisso e a conversão (vv.14-30).
d)   Uma solução imediatista (v.8) – Espantosamente as néscias tomam uma atitude imediatista, desejando o suprimento das prudentes, algo desconsiderado, pois acarretaria na escassez das demais. Podemos deduzir que estas tentaram o “jeitinho brasileiro”.
e)    Mais tarde é muito tarde (v.11) – Quanto a este período não podemos precisar, mas fica claro que o tempo para começarmos a encher as vasilhas é agora e não num período que não temos esta segurança. Quando acharam que já tinham o azeite foi tarde demais.
    
II- O grupo das prudentes (vv. 9-10)
Já as prudentes tomaram atitudes que todos nós devemos nos espelhar, por isso observemos com atenção:
a)    Sempre mantiveram o azeite nas vasilhas (v.9) – Elas não cederam o azeite quando foi solicitado pelas néscias porque eram ruins, mas porque era algo individual e que atestava a fidelidade delas, por isso não cederam. O tempo todo elas se prepararam para isso e quando o Noivo retornou de madrugada elas estavam preparadas. “Os que vendem” pode interpretar-se como o lugar onde se buscar. Ainda assim estas orientam onde encontrar, mostrando que conheciam os mesmos e seu conselho foi extremamente piedoso.
b)   A recompensa imediata por serem prudentes (v.10) – Elas não aventuraram a recompensa, mas por causa de suas posturas prudentes foram imediatamente recompensadas pelo Noivo com a entrada nas bodas. Depois que elas entram as portas se fecharam inexoravelmente.

III- A falta de conhecimento e o aviso (vv.12-13)
a)    A falta de conhecimento (v.12) – O Senhor, assim como não reconhece os hipócritas, não reconhece o desleixo destas virgens. O Senhor conhece o empenho, a dedicação e a grande necessidade de servir daqueles que lhe são eleitos.
b)   Um aviso a igreja em todos os tempos (v.13) – Não conhecemos outro aviso a não ser esse, “não sabemos a hora”. Podemos especular, mas jamais tentar adivinhar aquilo que só pertence a Deus. Portanto, nossa atitude hoje não é de tentar saber o dia, mas de se manter prudente.

Conclusão: Façamos uma análise com tudo o que foi mencionado aqui. Com quem nós mais nos identificamos? Nós nos parecemos mais com as néscias ou com as prudentes? Somos daqueles que estão sempre atentos e jamais dormimos ou nos comportamos levianamente, levando tudo em banho Maria? Que Deus não nos feche a porta após as prudentes. Que não sejamos contados com os apóstatas e frios, mas entre aqueles que amam o dia de Sua vinda, amém.



Soli Deo Gloria!

sábado, 30 de outubro de 2010

As bases doutrinárias da Reforma e sua aplicabilidade hoje.


Judas verso 3

INTRODUÇÃO: Caros irmãos. Nesta noite eu gostaria de refletir sobre a Reforma Protestante. Hoje comemoramos os 493 anos que o Monge Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da igreja do Castelo. E diante deste dia especial, gostaria de abordar aquilo que ficou conhecido como “Os Cinco Solas da Reforma”.
Acredito que nunca vamos esgotar um assunto tão vasto como a Reforma da Igreja, visto que até o dia de hoje precisamos reformá-la. Diante disso, esse sermão atende a este propósito, falar de doutrinas antigas, mas também falar da atualidade, pois ainda necessitamos delas atualmente. Por esta razão, sugiro um tema: “As bases doutrinárias da Reforma e sua aplicabilidade hoje”. Porque queremos provar aos irmãos que as doutrinas antigas fazem ecoar em nossas consciências que não estamos livres de perversões doutrinárias. Diante disso, chamo atenção para o seguinte:

I- Sola Scriptura - Somente a Escritura (2 Timóteo 3.16-17)
Toda a afirmação levantada pela Reforma tem como objetivo refutar algum erro romanista. Isso é perfeitamente claro neste Sola. Enquanto o catolicismo abolia a Bíblia de sua doutrina, a Reforma enfatizava a mesma. Vejamos a implicação disso:
a)    Única regra de fé e prática – Nunca houve tão grande promoção do livro sagrado como na Reforma. Não era apenas um ponto doutrinário é a alma da Reforma, de onde procedem seus dogmas e a vida do povo. Logo, isso foi contestado pelos católicos e ainda hoje é motivo de discussão entre os protestantes.
b)   O Pentecostalismo é contra este Sola – A partir do momento que coloco a Bíblia em segundo plano a ouvir um profeta, quando ela não é honrada, nem obedecida estamos fugindo da aplicabilidade do Somente a Escritura.
  
II- Sola Christus – Somente Cristo (João 14.6)
a)    A obra substitutiva de Cristo – Este ponto da doutrina reformada enfatiza a obra mediatória de Cristo, é Ele sendo nosso substituto, tomando nosso lugar, fazendo-nos apenas agraciados pecadores por tudo que Ele mesmo realizou. Acreditamos que sem o Mediador não há evangelho, nem salvação.
b)   O repúdio a outro evangelho – Qualquer tentativa que faça esta obra substitutiva algo menor é uma grande perversão da verdade. Nisto incluímos movimentos como pelagianismo, arminianismo e ecumenismo. O homem só será salvo se for substituído por Cristo em Sua eficácia e eleição.

III- Sola Gratia – Somente a Graça (Efésios 2.8)
a)    Graça suficiente – Somente somos salvos por graça, visto que não merecemos nada a não ser a punição pelos pecados. Nascemos mortos e só podemos ter vida por meio da graça regeneradora. Deus nos levanta do abatimento, nos vivifica da morte e da incapacidade moral, para enfim nos tornar justificados.
b)   Repúdio de uma postura contrária – Temos como demoníaca e perversa o desejo de nos acharmos dignos de salvação. Em nós, como diz o apóstolo, não existe bem nenhum (Rm. 7.18). Não podemos nem mesmo aceitar a idéia de cooperar com esta graça, pois quando dizemos “somente”, excluímos qualquer contribuição humana.
IV- Sola Fide – Somente a Fé (Romanos 1.17)
a)    O artigo fundamental – Lutero disse que este artigo é o reconhecimento de que se ele é crido a igreja permanece ou cai. Cremos nisso. Não cremos que o homem vem a Cristo sem fé. Baseado no texto, sem fé é impossível agradar a Deus (Hb.11.6). A simples união a uma igreja não garante nada ao homem. Ele precisa crer para ter vida em Cristo (Jo 3.36).
b)   Repúdio ao nominalismo atual – Devemos, não só quanto a nossa vida, mas quanto à vida da igreja, repudiar os que se dizem crente e não são. Estes, na maioria das vezes, são os responsáveis pelas cismas e confusões. Não se permitem admoestar, nem tão pouco, evoluem na fé. É necessário avaliarmos também se manifestamos fé, se nos agradamos das coisas santas e se nos arrependemos para viver na fé.
  
V- Sola Deo Gloria – Somente a Deus Glória (Isaías 42.8)
a)    A glória exclusiva – Como foi dito no texto, o Senhor não reparte sua glória. Ele não dividirá com os ídolos, o amor ao dinheiro ou a si próprio. O homem que quer agradá-lo precisa se desfazer da sua “fábrica de ídolos” e centrar sua vida e adoração exclusivamente em Deus. Devemos buscar os interesses dele e não os nossos, se isso acontece jamais podemos afirmar este artigo completamente.
b)   Repúdio a postura atual – Quão longe estamos disso hoje. Buscamos satisfazer a nossa vontade e se der fazemos a de Deus. Somos egoístas e mudamos a oração para “eu declaro”, “decreto”, ou coisas assim. Deus para nós é o nosso maior servo, ao invés de Senhor. Que tipo postura é essa? Só podemos lamentar se vivemos assim.

Conclusão: Observe sinceramente se isso é o que você vive. Observe se essa é a doutrina predominante hoje. Acredito que você não precisa pensar muito para ver que não. Estamos trocando estes pilares por um evangelho fácil e voltado para nos satisfazer. Que Deus nos faça retornar ao Evangelho da Reforma, não por uma filiação histórica, mas maior do que isso, por ser aquilo que consta na Palavra. Esta é a nossa maior necessidade hoje.

Soli Deo Gloria!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

493 Anos de Reforma Protestante


Neste ano de 2010 comemoramos os 493 anos da Reforma Protestante. Filhos protestantes de todo o mundo rememoram o dia em que o monge agostiniano Martinho Lutero afixou suas 95 teses sobre as indulgências católicas na porta da igreja do castelo de Wittinberg na Alemanha. Depois de quase cinco séculos ainda precisamos refletir sobre aqueles dias importantes, não com um nostálgico sentimento, mas com uma grande tarefa para estes dias. Na realidade a Reforma nunca foi um evento acabado. Desde o início os reformadores tiveram como lema que "uma igreja que foi reformada sempre precisa ser reformada", no entendimento que a obra nunca se esgota completamente. 
Algumas questões são importantes aqui quanto ao que estamos vivendo no Brasil no momento, por esta razão gostaria de refletir a Reforma da seguinte maneira:
A Reforma é Universal - Ela não é propriedade de um país, de igrejas e de pessoas. Ela é o objetivo de Deus para o Seu povo. Com isso não quero aqui afirmar a exclusividade e pregar a intolerância religiosa, mas do ponto de vista divino, o homem sempre irá precisar de uma Reforma. Ou seja, caído e falido pelo pecado este homem enquanto estiver neste mundo precisa de uma reforma moral, visto que por si só não poderá fazer nada individualmente. Ele, em sua jornada precisará de apoio divino, precisará de uma igreja que se comprometa com a verdade e que lhe ensine os princípios do Evangelho, nesta igreja ele precisará ouvir sobre Cristo e Sua salvação, por esta razão, antes de ser um movimento revolucionário em níveis mundiais a Reforma é um movimento espiritual individual. Começa no movimento de Deus em favor do homem e culmina na salvação deste mesmo homem pela graça divina.
A Reforma não foi um movimento nacionalista - É claro que em alguns aspectos desvincular a Reforma do florescimento do nacionalismo em alguns países como a Alemanha, Suíça e outros no período reformado parece algo incomum, visto que isto realmente aconteceu nestes países. Devido, principalmente a alguns fatores como a exploração exercida pela Santa Sé Católica, também pela celebração dos cultos na língua pátria entre outros. Mas, a Reforma foi um movimento eminentemente religioso. Começou com uma refutação teológica sincera e não foi arquitetado por algum político ou quem quer que seja, que desejasse se beneficiar com as terras católicas ou com o enfraquecimento do catolicismo em algumas áreas.
A Reforma como uma quebra de paradigmas medievais - Várias vertentes podem ser utilizadas para a comprovação desta perspectiva que defendemos. Na realidade a Reforma inaugura uma época tida por muitos como Iluminismo, pois não floresceu apenas nas artes e no redescobrimento das línguas originais, mas com a invenção da imprensa cadeia antes intransponíveis da ignorância caíram por terra. Questões econômicas foram rediscutidas, bem como formas de governar um país e a igreja e assim por diante. Foi de fato um evento único que deu forma ao que conhecemos hoje em nossa sociedade. Com a Reforma nasce os ideais democráticos, a liberdade do culto, o Estado Laico, entre outros pilares da democracia. Logo, sem a Reforma não poderíamos pensar em Ocidente como o conhecemos de forma alguma.
A Reforma e a educação - Antes, no período medieval, as faculdades eram benefícios dos mais ricos, do clero e daqueles que lhes eram chegados. A partir da Reforma vemos a educação chegar aos menos favorecidos, camponeses, artesãos e outros proletariados. Este entendimento começa com Lutero na Alemanha, atinge a Genebra calvinista e chegam às famosas universidades inglesas. Países como Holanda, Estados Unidos e outros também se beneficiam desta ênfase educacional. No entendimento dos reformadores o povo precisava ler a Bíblia para poder compreender suas doutrinas, bem como formar melhores cidadãos para fortalecer o Estado. Por esta razão, até hoje os países reformados são exemplos de educação, enquanto os que tiveram a influência do catolicismo enfrentam grandes dificuldades educacionais e democráticas.
A Reforma e o Culto - Outro grande legado da Reforma Protestante foi o seu culto simples. Destituído das imagens medievais, dos afrescos e proeminência das catedrais neo góticas, o culto protestante era altamente austero e simples. As músicas protestantes inculcavam a doutrina reformada nos corações dos crentes, a prediga era a parte central do culto e a atenção dos fiéis a este momento fazia com que o que se aprendia na igreja fosse aplicado no mundo. As nações protestantes ficaram livres das ladainhas, sinos, procissões das épocas católicas, mas ganharam em introspecção, florescimento moral de uma ética atuante e uma maior espiritualidade destituída de superstições romanistas.
A Reforma e a Ação Social - Após a perseguição ocorrida em países como a França e outros, Genebra acaba se tornando em umcentro de acolhimento de cristãos reformados huguenotes fugitivos, os mesmos foram acolhidos com um organizado sistema de diaconia na igreja Genebrina. Aliás, esta cidade ficou conhecida, nos dizeres de um homem que a visitou, como "a mais perfeita civilização desde o período apostólico". O exercício da misericórdia foi um dos grandes diferenciais dos países reformados em épocas de crise.
A Reforma e a Evangelização - Outra importante contribuição reformada foi a disseminação da doutrina reformada em países ainda não alcançados. Ao contrário daqueles que criticam a doutrina calvinista, taxando-a de altamente acomodada e pouco influente em missões, as organizações reformadas foram grandes agências de evangelismo. Desde os ministros franceses mandados ao Brasil pelo próprio Calvino, até as missões da África pelos ingleses. Até os dias de hoje vemos cristãos calvinistas na vanguarda das missões, o fato de haverem, possivelmente mais arminianos é porque este segmento alcançou uma notoriedade superior nestes dias e não que os calvinistas não evangelizam.
Contudo, o legado da Reforma permanece até aos dias de hoje. Recentemente a Revista Times publicou uma matéria que coloca o calvinismo com a terceira maior idéia deste mundo, mostrando o quanto ainda hoje este segmento é relevante. Neste mês da Reforma  o blog Evangelismo e Reforma saúda a todos os herdeiros da Reforma protestante. Crentes de diferentes denominações, que ao longo dos anos têm mantido vivo o sonho de Reforma da Igreja, que apesar dos dias, não desistem de lutar por uma igreja mais bíblica e saudável. Gostaríamos também de agradecer a Deus por tão importante obra que temos em nossas mãos e desejar a Reforma da Igreja em todas as suas esferas, mas principalmente na teologia e no testemunho. Revelando sã doutrina e vidas santas. Que Deus abençoe a todos que amam a Igreja de Cristo, amém.

domingo, 24 de outubro de 2010

Um inigualável sermão para uma inigualável época


Atos 2.14-41

INTRODUÇÃO: Hoje estaremos observando um dos grandes sermões publicados nas páginas sagradas. Este sermão foi tão impactante que ao seu término quase três mil pessoas se renderam a Cristo.
Nesta noite nós não temos a pretensão de causar o mesmo efeito daquele dia, mas entender o que tinha de impactante naquele discurso e aplicar a nossa vida aquilo que aqueles ouvintes se sensibilizaram. Creio que será altamente produtiva esta nossa busca, pois visará obter o entendimento de questões espirituais profundas para todos nós. Bem como nos conduzirá ao entendimento daquilo que é necessário para um sermão em todos os tempos.
Para tanto, sugiro um título: “Um inigualável sermão para uma inigualável época”. Quando coloco este sermão como inigualável não quero dizer com isso que nada pode ser feito de parecido, mas que esta época em especial, agrupou fatores tais que nunca podem ser perdidos para a igreja de Deus.
Sugiro então três características que se fazem necessárias a todos os sermões depois deste sermão. São elas:

I- Uma pregação sob a influência dominadora do Espírito Santo (vv.14-21).
Este sermão não encontrou solo favorável. Nos versos anteriores foi dito que o evento das línguas despertou espanto e perplexidade (v.12), mas mesmo assim Deus utilizou o mesmo. Vejamos como a influência do Espírito foi determinante para esta prediga.
a)    Dissipando a contrariedade (vv.14-15) – Pedro inicia seu discurso lembrando que não havia necessidade para preconceitos. Esta ação é determinante para dar crédito ao que se queria dizer.
b)   A aplicação da profecia (v.16-21) – Pedro, conduzido pelo Espírito de Deus, aplica aquele evento a uma profecia do livro do profeta Joel 2.28-32. Os judeus viam naquele texto uma conotação escatológica. Logo, Pedro prega que esse dia havia chegado. Ele explica dizendo que:
c)    O Espírito é algo comum (vv.17-18) – No A.T. o Espírito era algo para poucos, mas na dispensação do Espírito este seria derramado sobre todos. A prova disso é a profecia.
d)   O Espírito e os sinais (vv.19-20) – Isso tem a ver não com os dias presentes, mas com a parousia (2ª vinda), onde os fundamentos da terra serão abalados. Mas tais eventos já estão acontecendo a partir desse evento maior.
e)    O Espírito e a salvação (v.21) – Nesta época espiritual a salvação é disponibilizada aos arrependidos, que entendem a mensagem do Evangelho, basta então clamar por esta salvação e conforme a graça de Deus alcança-se a mesma.   
II- Uma pregação eminentemente Cristológica e aplicativa (vv.22-36).
Logo após a evidência do Espírito sob a prediga, surge outra grande necessidade, a Cristologia do sermão. Vejamos como Pedro trata o assunto:
a)    Jesus foi enviado por Deus (vv.22-24) – Ele defende que Deus enviou a Cristo, depois que os sinais foram feitos também por este fato (v.22), sua morte foi propósito divino com a responsabilidade humana (v.23) e também foi ressuscitado pelo poder de Deus (v.24). Para tanto, ele justifica este fato citando Davi.
b)   Jesus e não Davi ressuscitaria (vv.25-28) – Para provar isso ele utiliza o salmo 16.8-11. Nele Davi enfatiza que o Reino de Cristo jamais será abalado (v.25), que nele há segurança nisso (v.26), a ressurreição faz parte de um propósito divino (v.27), em Deus o Messias se alegra pela providência (v.28).
c)    Davi não ressuscitou, mas sabia do propósito (v.29-31) – Ele ressuscitará no fim dos dias, mas a profecia não era para ele e sim para o Messias. Como profeta Davi mesmo sabia que não era para ele.
d)   Uma aplicação necessária (v.32) – Ele, então aplica ao que eles estavam vivendo, que Jesus já havia ressuscitado.
e)    O Senhor enviou o Espírito (v.33) – O Espírito foi enviado por obra de Cristo, depois do mesmo ter sido exaltado à destra de Deus.
f)     Jesus, Senhor e Cristo (vv.34-36) – Pedro então, cita o salmo 110.1 para fundamentar que o Senhor Deus exaltou a Cristo à Sua direita, bem como submeterá Seus inimigos, nomeando-O Senhor e Cristo, o mesmo que foi morto pelas mãos de Israel.

III- Uma pregação emotiva e eficaz para salvar pecadores (vv.36-41).
Esta corajosa afirmação termina com um desfecho surpreendente, vejamos o que acontece:
a)    Corações são compungidos (v.37) – Compungir significa causar dor, no grego significa que um ferrão perfurou suas almas, seus corações estavam inflamados com a pregação, algo sobrenatural os atingiu ao ponto de perguntarem o que fazer.
b)   A apresentação da solução (v.38) – Pedro a resposta suscitada apresenta a solução. Eles deveriam se arrepender para então serem batizados, só então teriam seus pecados removidos e por último também receberiam o Espírito de Deus.
c)    Uma promessa para gerações (v.39) – Texto muito utilizado para a teologia do pacto, onde os filhos dos crentes também recebem promessas concretas. Observe o final do texto, “para quantos o Senhor, nosso Deus chamar, explicando que isso é obra de Deus.
d)   Conselhos aos conversos (v.40) – Posteriormente vem o trabalho de discipulado extremamente necessário para a manutenção da fé.
e)    Crescimento real (v.41) – Ao contrário do que vemos hoje aquela pregação foi a principal responsável por um crescimento qualitativo.

Conclusão: Não somente para pregadores estas palavras são importantes, mas para todos nós. Devemos nos perguntar sinceramente o porquê de não estarmos vivendo dias assim. Sei que aqueles dias eram inigualáveis, mas podemos suplicar ao Senhor que nos faça ver conversões e intrepidez em nossa vida. Deus nos use assim como usou Pedro, não devemos desejar outro sentimento a não ser o desejo de servirmos a Deus com toda nossa força. Deus nos abençoe nesta tarefa, amém.


Soli Deo Gloria!