segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Deus da Bíblia e Sua ira


Naum 1.5-6

Uma das grandes mentiras existentes em nossos dias é a apresentação de Deus como um Deus meramente amoroso. Que nos perdoa irrestritamente, sem ao menos serem bíblicos em sua apresentação de quem é Deus genuinamente. Deus é amor evidentemente, mas outra verdade a seu respeito é que Ele também é justiça.

Muitos crentes pensam assim, mesmo tendo mais textos que falam da ira de Deus, de Sua justiça e de sua indignação do que textos que falam de Seu amor. Os néscios desses tempos estão influenciando a imagem de muitos crentes quanto ao Seu Senhor. Eles estão, por não quererem se deparar com um Deus que é justiça, por estarem sempre desejando escaparem dessa justiça, inventando um deus que é simplesmente  permissivo.

Nós precisamos entender que não nos encontraremos com um ídolo, mas com o Deus da Bíblia, que não é um fantoche inventado, mas um Deus santo irado contra o pecado.

Diante disso, gostaria que a igreja refletisse comigo no seguinte título: “O Deus da Bíblia e Sua ira”. 

A Bíblia está repleta dessa grande verdade a respeito de Deus. Não somente o Antigo Testamento afirma isso, mas também o Novo. Precisamos, então, analisar essas passagens observando qual é o motivo de Deus estar irado e porque essa ira não afeta Sua santidade. Vejamos as seguintes verdades:

I- Porque Deus está irado? (Rm.1.18)
Deus está irado por causa do pecado – Essa ira não é apenas uma insatisfação passageira, semelhante à ira do homem, mas uma abominação entranhável acerca do não comprimento de Sua Lei.

Deus não tem uma ira pecaminosa – Diferentemente do homem que nutre uma ira pecaminosa pelos seus inimigos, Deus está irado de uma maneira santa e fiel. Ele odeia a rebelião e a descrença perniciosa dos ímpios. Sua ira é santificada pelos Seus motivos justíssimos de amor por Sua própria glória.

II- Porque Ele não poupou seu Filho da ira (Isaías 53.10)
O Filho como alvo da ira – Nem mesmo o Filho Eterno de Deus escapou da ira divina. O texto de Isaías 53.5 é claro quanto a este ensino. Ele, antes de morrer estava no “lugar da prensa” (Getsêmani), Lucas 22.40-46, onde frente a imensa agonia que sentia chorou gotas de sangue (v.44). Antes de receber aqueles que lhe entregariam ao tribunal, bradou “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! (Mt. 26.39). Na cruz, antes de morrer, suas palavras demonstravam a imensa agonia que sentia “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?”(Mc.15.34). As maiores aflições de Cristo em Sua morte não foram as lanças, cusparadas, acusações infundadas, humilhações, mas a ira de Deus, quando Ele levava nossos pecados.

Ele não poupará a humanidade de Sua ira (Na 1.3) – Não nos enganemos, Deus não deixará os pecados dos homens impunes, Ele já está fazendo isso agora mesmo, ou seja, punindo a humanidade com mortes, aflições, epidemias, doenças incuráveis e toda sorte mazelas. Nos crentes essa punição recaiu sobre Cristo, mas não significa que eles estão livres da ira temporalmente, eles poderão sentir o braço de Deus tão logo sejam negligentes com Suas obrigações (1 Pd 4.7).

III- O inferno e a ira de Deus (Lc 10.13-16)
O inferno é a manifestação da ira final (Mt 10.28) – O terror que o inferno produzirá nos réprobos será maior do que todas as aflições que neste mundo caído podemos ter. O inferno destina-se a ser o fogo consumidor da justiça de Deus, nas palavras de A. W. Pink “o inferno é mantido eternamente da mesma maneira que Deus mantém o céu”.

O terror daqueles dias de juízo (Lc 21.20-24) – A inauguração do inferno não será esquecida por toda a eternidade. A ira do Senhor fará daquele dia o dia da justiça do nosso Deus, onde Ele estará triunfando sobre seus adversários. Será um dia de júbilo e não de tristeza para a alma de todos os eleitos que se alegrarão grandiosamente (Ap 19.1-3).

Você deve estar se perguntando o porquê de um sermão como esse, que fala de temas tão desagradáveis e horrendos? Eu, como pregador devo pregar toda a Palavra de Deus e entendo que a ira de Deus faz parte dessa mesma Palavra. Outro dia eu posso lhe falar do amor de Deus e nossos corações estarão alegres com essa grande realidade, mas hoje preciso ratificar a importante doutrina a respeito da justiça de Deus e Sua ira. 
Não nutra em suas impressões o engano de pensar em um deus que não passa de um ídolo. Lembre-se que as verdades de Deus são para o nosso bem, para o bem dos crentes e daqueles que tiveram suas almas e pecados perdoados. Lembremo-nos dessas palavras “os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa” (Salmo 1.4). 

Sigamos a seguinte recomendação: “Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e as trevas, e à tempestade, e ao clangor da trombeta, e ao som de palavras tais, que quantos o ouviram suplicaram que não lhes falasse mais, pois já não suportavam o que lhes era ordenado:
Até um animal, se tocar o monte, será apredejado.
Na verdade, de tal modo era horrível o espetáculo que Moisés disse: Sinto-me aterrado e trêmulo!
Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia e a igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juíz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala cousas superiores ao que fala o próprio Abel.
Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte, aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu. 
Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido feitas, para que as cousas que não são abaladas permaneçam.
Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hebreus 12.18-29). 




terça-feira, 12 de junho de 2012

O ensino de Cristo sobre o divórcio


Mateus 19.3-12

Fica evidente que ao longo dos anos o casamento cristão tem sido alvo de um duro golpe, o aumento do divórcio. Partindo do princípio que o casamento é uma instituição divina e como tal é mantido e abençoado por Deus, nada é mais natural do que a preservação da igreja por este tão importante princípio. Mas, quanto a isso, vemos alarmados o aumento impressionante do divórcio entre aqueles que são crentes. Nossa preocupação, então, é recorrer ao ensino de Cristo, quanto a esse particular, conforme exarado nesse texto, para que possamos ser alertados quanto às consequências do divórcio para todos aqueles que não estão levando a sério essa questão.

Na presente ocasião, o Senhor está exercendo seu ministério na região da Galiléia, precisamente na região da Peréia. Esse período envolve os capítulos 19 e 20 de Mateus. O Senhor tencionava alcançar Jerusalém, esse era o propósito dele, conforme 20.17,18. Já nessa altura os sacerdotes, escribas e fariseus tencionavam incriminá-lo em Seu ensinamento (v.3).

Para que possamos estar atentos quanto ao ensinamento do Senhor, com a intenção de obedece-lo e não que questioná-lo sugiro um título: “O ensino de Cristo sobre o divórcio”. Vejamos quais são as bases desse ensino de acordo com o texto:

I- O casamento criação, homem e mulher, uma só carne (vv.3-6). 
A argumentação levantada por Cristo é suscitada pela indagação de homens que desejavam por a prova o ensino de Cristo (v.3). Vejamos como isso é desenvolvido em nosso texto.

a) A pergunta teste (v.3) – É evidente que a pergunta em questão é deveras capciosa. Tinha como objetivo avaliar se o ensinamento de Cristo estava de acordo com a Lei chamada mosaica. Se estivesse, confirma a “autoridade”, senão, o Senhor poderia ter seu ensino qualificado como heterodoxo.
b) Argumento da criação (v.4) – O Senhor defende seu argumento a partir do ensino sobre a criação. Nele o Senhor enfatiza que o casamento é concebido entre um homem e uma mulher, a partir do objetivo em se criar dois seres que se completam.
c) Uma só carne (v.5) – A união entre esse homem e essa mulher reveste-se de algo singular, sendo o mesmo eminentemente espiritual e corporativo. Uma só carne também pode ser colocada como unidade de pensamento, volição e empreendimento. Algo único para os cônjuges e não condicionado a novas uniões vindouras.
d) Algo indissolúvel (v.6) – Essa união é ratificada nos votos propostos que fazem essa união. Esses votos são sagrados e feitos perante Deus, sendo eles irrevogáveis (Rm 11.29). Sendo propósito divino não podem ser destruídos pelo homem. 

II- Moisés institui o divórcio como concessão e não como mandamento (vv.7-8)

a) Moisés e o divórcio (v.7) – A referência feita é a Dt. 24.1-4. Nesse texto Moisés tem duas preocupações 1) Preservar a mulher para que não morresse, sendo acusada de adultério estando ela só; 2) Não permitir que aquele que deu carta venha ter relacionamento com sua ex-mulher, depois do divórcio.
b) A interpretação de Cristo (v.8) – O Senhor Jesus não foge do problema suscitado, ou seja, Moisés ter permitido o divórcio, no entanto, ele explica que a razão dessa atitude reside na dureza do coração pecador, que desprezou o ensino e resolveu empreender a dissolução do que Deus estabeleceu.

III- O ensino de Cristo quanto ao divórcio (v.9)

Nesse verso temos o ensino básico do Senhor acerca da relação marital. Ele delineia isso mostrando o seguinte:
a) O repúdio – O mesmo que divorciar hoje em dia, não pode acontecer, senão pela condição de traição. Esse ensino é autoritativo e permite a pessoa ofendida o divórcio, ficando passível de contrair novas núpcias, uma vez que a parte ofensora fica como se estivesse morta.
b) O adultério – Ao casar-se segunda vez, ambos, cometem adultério. Eles estarão em adultério enquanto viverem nessa situação, sendo restituídos a uma nova condição em Cristo apenas segundo o beneplácito divino. Não cabe a nós determinar o fim desta circunstância.

IV- Os eunucos e a consagração ao Reino de Deus (vv. 10-12).

Aqui temos um tema subjacente, por causa daquilo que foi dito por um dos ouvintes “Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar.” Esse ainda hoje é o argumento quanto ao casamento, ou seja, que só convém se o divórcio for permitido. Essa não é uma defesa recente, mas algo já enfrentado anteriormente. Depois disso vemos algo sobre a consagração de alguém que se dispõe a viver sem o casamento, vejamos isso:
a) O celibato é um dom (v.11) – Essa defesa desnorteia o argumento dos católicos quanto ao celibato. Jesus diz aqui que esse é um dom dado por Deus e não uma obrigação para o clero. Nesse entendimento estão o apóstolo Paulo e Barnabé, além do próprio Cristo.
b) Os eunucos do Reino (v.12) – Esses não se fizeram assim, nem foram feitos pelos homens, mas foram consagrados por Deus, com o consentimento deles próprios, por causa do Reino, mas está apto para isso apenas aqueles preparados para isso.

A igreja ainda hoje deve estar ciente desse ensino, visto que não somos conduzidos por uma cultura pagã, mas por aquilo que nos ensina a bíblia. O divórcio é uma violação da vontade de Deus, logo não podemos violá-la ao nosso querer apenas. Deus nos condiciona a obediência a Sua vontade e neste particular que alimentemos matrimônios maduros, duráveis e deleitáveis para a glória de Deus. Deus nos faça entender esta verdade, amém. 

domingo, 6 de maio de 2012

Quando nossa sabedoria é algo meramente humano


1 Reis 10.1-13

Os nossos dias enquanto nação são grandemente promissores. Em várias regiões do nosso país as pessoas estão saindo da pobreza e entrando na classe média. Vários campos de trabalho estão sendo abertos em diferentes regiões o que nos faz estarmos com nosso otimismo em dia. Com o crescimento do progresso cresce a necessidade de aumento do conhecimento, não somente nos setores econômicos, mas também em tudo que nos chega a mão.

O texto em questão fala-nos da época de ouro de um homem extremamente importante na história mundial, o rei Salomão. Ele era filho do grande rei Davi. Homem guerreiro que deu forma ao reino de Israel, mas também conhecido por sua fé em Deus. Salomão, apesar de ser filho de crente, precisava também demonstrar sua fé, algo que ele falha em fazer, conforme 1 Reis cap.11. 
Salomão fica marcado por sua sabedoria, apesar dessa mesma sabedoria não apontar para o objetivo correto. Nós também somos tentados a aumentar nosso conhecimento, só que esse deve buscar a glória de Deus. É nisto que se fundamenta nossa mensagem de hoje, a qual merece um título: “Quando nossa sabedoria é algo meramente humano”.

Devemos tomar cuidado para que não nos afastemos do Senhor em nenhuma condição de nossa vida, mas quão tentador é especularmos e nos desviarmos da simplicidade do evangelho (2 Coríntios 11.3), dando lugar as nossas próprias ideias ou as ideias dos outros. Isso não é comum apenas aos estudantes de hoje, mas a todos nós, por isso vejamos como fazer para que nossa sabedoria seja usada para a glória de Deus.

I- Ela deve revelar a Cristo e não a nós mesmos (1 Reis 10.1-13)
a) A sabedoria vem de Deus (1 Reis 3.11-12) – A sabedoria que Salomão pede a Deus vem num momento crucial da história de Israel, momento de transição de reinos e momento de grandes construções do povo de Deus. Salomão é um rei único na história, visto que reina, quase toda sua vida, sem guerras. Mas sua sabedoria cumpre apenas aquilo que foi determinado por Deus, faltando ainda o reconhecimento de onde vinha a mesma.
b) A fama de Salomão (1 Reis 10.1-13) – A fama do rei sábio corre o mundo. Ele é cantado em todos os lugares, está fama chega aos ouvidos da rainha de Sabá. Ela vem no intento de tirar suas dúvidas quanto a questões difíceis que não são mencionadas. Salomão parece as tirar, pois, é retribuído com presentes. A rainha observa a riqueza desse rei e o encontro fica registrado para celebrar essa sabedoria.
c) A saberia cumprindo apenas o objetivo (v.9) – Apesar de nesta parte a rainha exaltar o nome de Deus, isso ocorre em razão da disposição da mesma em ir até esse conhecimento glorioso, mas não para ver a opulência do rei Salomão. Aplicando ao nosso caso, podemos até mesmo parecer eloquentes e revelar Cristo aos outros, mas se essa sabedoria não refletir Cristo em nosso caráter, seremos apenas como meros instrumentos e não conseguiremos efeitos para nossa própria vida. 

II- A sabedoria divina é espiritual (1 Coríntios 2.6-10)
Paulo, ao escrever aos coríntios, nos mostra como essa sabedoria deve ser aplicada e entendida pelos crentes. Vejamos seu ensino:
a) Uma sabedoria para os experimentados (v.6) – Esses ‘experimentados’, são aqueles que foram chamados, não nos bancos da faculdade, mas como povo escolhido para ser revelado os mistérios divinos. Esse conhecimento vem não para os poderosos, mas para aqueles que são alvo da graça.
b) Uma sabedoria para a nossa glória (v.7) – Essa sabedoria está oculta a aqueles que ainda não nasceram de novo. Sabedoria que revela a graça de Deus a aqueles que a recebem, pois esse conhecimento é um conhecimento glorioso.
c) Uma sabedoria do conhecimento de Cristo (v.8) – Paulo afirma que essa sabedoria faz nutrir no crente um sentimento de culto ao Senhor, algo que ficou ausente no julgamento de Cristo pelos poderosos de sua época.
d) Uma sabedoria ainda incompleta (v.9) – Mesmo apesar de tudo que recebemos, ainda há muito para prosseguirmos. Deus ainda nos dará a conhecer muito mais a aqueles que nele esperam.
e) Uma sabedoria espiritual (v.10) – Por conhecer todos os acessos de Deus, essa sabedoria nos ensina a respeito desse próprio Deus. Conhecimento espiritual para aqueles que vivem espiritualmente.

III- A verdadeira sabedoria nos faz alcançar a salvação (Lucas 11.31). 
O Senhor Jesus ao referir-se sobre o empenho da rainha de Sabá, nos concede as seguintes informações:
a) Um enorme privilégio – Ela, pela fidelidade que demonstrou, estará na posição de crente no dia do juízo, julgando Israel por seu testemunho fiel.
b) Uma enorme dedicação – Ela tem seu empenho reconhecido, pois veio “dos confins da terra”, para ouvir Salomão, alguém que lhe apresentou o Salvador.
c) Jesus é maior do que Salomão – Isso significa que nossos esforços acadêmicos e devocionais devem ter também o mesmo foco, ou seja, a busca pelo conhecimento de Cristo. Este é espiritual e uma vez adquirido não pode ser desprezado por nenhum crente.

Somos grandemente privilegiados por Deus por termos na mão tão gracioso conhecimento. Esse conhecimento transcende o conhecimento da retórica, metafísica e da matemática, porque nos aponta para um caminho glorioso. É inadmissível que sejamos displicentes com este conhecimento, dormindo durante os sermões e fazendo ouvido de mercador durante a instrução pelo ensino. A rainha de Sabá será testemunha para a ruína de Israel, bem como para todos que não desejarem o conhecimento de Cristo, mesmo em nossos dias, “porque veio dos confins da terra”. Saia dos “confins” de sua ignorância e adquira ardentemente o conhecimento de Cristo.






quarta-feira, 25 de abril de 2012

O cuidado de Deus por Seu povo

O texto de 2 Reis 4.42-44, onde Eliseu supre a carência de alimento de 100 homens com apenas vinte pães de cevada e espigas verdes, nos fazem contemplar a imensa provisão divina às nossas necessidades mais básicas. A comida, as vestes, o sustento diário, nossos empregos, enfim, aquilo que não pode ser considerado luxo nem esbanjamento é aquilo que qualquer homem deseja para si mesmo ou para aqueles que estão consigo. No entanto, em uma vida onde parecemos estar em meio a lutas constantes, por dentro e por fora, somos inclinados a pensar que nem sempre alcançaremos êxito em questões que muitas vezes de tão básicas nos parecem, nosso direito, ou mesmo não concordamos que elas nos faltem.

A bíblia nos lembra, através de exemplos, para lá de claros, que o Deus que servimos é um Deus supridor. Deus que se agrada em conceder dádivas graciosas a seu povo. Muito embora as situações sejam contrárias e adversas. No entanto, Deus demonstra o Seu amor eletivo e especial por Seu povo que nEle espera, fazendo-os não somente serem alvo de Seu favor, mas também fazendo-os entender que em todos os instantes Ele estará suprindo as Suas necessidades no que for possível ou impossível.

Quanto aos descrentes, aqueles que não nutrem a mesma esperança, a bíblia nos informa que Deus faz nascer o Seu sol sobre justos e injustos (Mateus 5.45), logo eles também são alvo da misericórdia de Deus, só que por não serem gratos por este suprimento gracioso, muitas vezes sendo arrogantes, crendo que suas próprias mãos conseguem o seu próprio sustento, bem como atribuindo a ídolos ou deuses falsos tal manutenção, aumentam para si mesmos os seus próprios pecados. Ao recusar o favor gracioso de Deus, especialmente designado, naturalmente para todos, não conseguem entender "a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento" (Efésios 3.18, 19).

Esses fatores nos ajudam a entender a razão pela qual o Senhor vem suprindo a Sua igreja ao longo dos séculos. De fato, a prova mais evidente de que Deus não desampara a Sua igreja é ver Sua providente mão em momentos dos mais diversos. Momentos onde essa mesma igreja parecia ter desaparecido em razão da pouca importância ou da pouca influência em tempos áridos. Momentos onde inimigos poderosos ameaçavam riscar essa igreja do mapa, sem, contudo, conseguirem êxito. Enfim, Deus guardou e guarda o Seu povo amado. Em nada lhe impropera, mas em tudo supre aqueles que são "a menina dos olhos do Senhor" (Zacarias 2.8).

A nutrição do Senhor ao Seu povo é farta e abundante. Não serve para os corações opulentos e acostumados com as vaidades e riquezas deste mundo enganador, mas para o louvor daqueles que tiveram seus olhos aclarados pela santa vocação dos eleitos. Aqueles que conseguem ver o cuidado e o amor paternal de um Deus que cuida dos Seus. Um Deus amoroso que nunca nos abandona, mesmo quando estamos na região da sombra da morte, em lugares tenebrosos de sequidão de estio. O solo do coração de Deus sempre é produtivo e gracioso para os Seus eleitos e nunca nenhum bem sonegará a Seu povo. Quão grande graça é ser cuidado por um Deus amoroso, quão distante laboram aqueles que põe a força em seu braço e voltam-se para os ídolos. Quanto a nós povo de Deus, nos alegramos em toda a graça recebida dia a dia por esse gracioso e portentoso Deus. Aleluia.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Os adoradores imediatistas e a verdadeira fé


João 6.26

Sem dúvida nada ilustra mais o engano de muitos nessas épocas do que esse texto que estamos hoje contemplando. Muitos pensam que ganharão o favor da divindade apenas por realizar algo ou pertencer a um determinado movimento.

No texto em questão, nós vemos que o Senhor pode colocá-los em seu devido lugar, e demonstrar que certas ideias tão comuns nesses dias com relação à religião não passam de um grande engano. Vejamos atentamente a verdade a esse respeito, contemplando primeiramente um título: “Os adoradores imediatistas e a verdadeira fé”.

Na ocasião que observamos esse texto, o Senhor estava na Galiléia, realizando a obra de Deus por meio de milagres e proclamação da Palavra. Ele realiza um milagre grandioso, alimenta a multidão de mais de cinco mil homens apenas com cinco pães e dois peixinhos (vv.1-14).

Os homens que foram alimentados no dia anterior percebem que Jesus não estava mais ali e correm atrás dele, mas ao contrário de uma boa recepção, eles recebem uma lição que serve para todos nós nessa época. Vejamos então o que Ele tem para nos ensinar:

Eles não o buscavam sinceramente (vv.26-27).
Certamente o Senhor conhece os que lhe pertence, logo Ele também conhece os corações dos homens e não seria enganado tão facilmente.

- Adoradores do próprio ventre (v.26) – Nada é mais deplorável do que observar que estes que buscavam o Senhor estavam na realidade tentando cultuar seu próprio ventre. Pode ser engraçado o entendimento de que eles estavam interessados na comida, mas hoje em dia existem aqueles que fazem o mesmo, achando que também podem enganar o Senhor, com respeito às suas motivações.

- Adoradores do objetivo errado (v.27) – Jesus percebe qual é esse objetivo. Era o trabalho pela comida perecível, a partir disso, Ele apresenta a verdadeira comida que devemos trabalhar, esta é espiritual e ratificada pelo selo de Deus.

Eles não compreenderam a obra de Deus (vv.28-33).
- Uma pergunta hipócrita (v.28) – Eles não estavam interessados nas obras de Cristo, como fica evidente na defesa que fazem de Moisés (v.31). Eles tinham interesse de se manterem em sua religiosidade, logo, não buscavam conhecer e obedecer a Cristo.

- Apenas crer (v.29) – Jesus parece não oferecer algo muito grande para ser feito, mas recomenda apenas crer. O problema é que isso não estava dentro da capacidade deles, nem de ninguém, pois a fé é um dom exclusivo de Deus (Ef. 2.8), e é restrita aos eleitos (Tt 1.1).

- Uma proposta hipócrita (vv.30-31) – Eles queriam pôr Cristo à prova, como se aquilo que tinham visto no dia anterior não fosse suficiente. Ao contrário disso pedem mais sinais, querem ver mais de Cristo, no entanto queriam apenas se justificar diante da velha religião que professavam.

- A verdadeira comida é o próprio Cristo (vv.32-33) – Eles, corretamente lembram que o maná do A.T. veio do céu, mas não percebiam que estavam diante da verdadeira comida espiritual que é o próprio Cristo. Ele foi dado pelo mesmo Deus que deu o maná, mas diferentemente daquele, os efeitos desse pão do céu nos dá a vida eterna a todos os que lhe experimentam.

III- Eles não podiam compreender porque não eram eleitos (vv. 34-40).
- Um pedido inútil (v.34) – Apesar de fazerem o certo, pedir, eles não foram atendidos, qual é a explicação? Que ainda continuavam com a mesma hipocrisia. O desejo por este pão não era sincero, nem tão pouco estavam eles cientes de que precisavam dele.

- Jesus o pão da vida (v.35) – Duas atitudes são requeridas aqui, ir e crê. Eles tinham ido, mas ainda incrédulos, portanto, não atenderam essa exigência, ainda restava o crer e isso também não estava sendo realizado por eles.

- Eles não criam em Cristo (v.36) – Eles estavam presos à incredulidade natural ao homem sem Deus, bem como a hipocrisia e a religião pragmática de seus pais, por isso não podiam ser chamados de crentes.

- O efeito real dos que veem (v.37) – Contrastando o ir daqueles que não buscam firmemente, o Senhor mostra como os que buscam eficazmente buscam de forma completa. Eles são dados pelo Pai a Cristo, depois eles vão a Cristo e depois disso jamais serão lançados fora.

- A vontade de Deus é a salvação dos eleitos (v.38-40) – Cristo cumpre a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). A vontade não é dele próprio, mas do Pai. Essa vontade dá conta que nenhum dos eleitos perecerá, mas que seja ressuscitado no último dia.

Evidentemente que há grande diferença naqueles que buscam o Senhor de forma hipócrita e aqueles que são enviados a Cristo pelo Pai. Aqueles não o buscam para se satisfazer em Cristo, mas para se auto satisfazerem em suas próprias cobiças. O deus deles é o próprio ventre e não o Senhor. Aqueles que buscam o Senhor como eleitos, o recebem como aqueles que nunca terão fome e sede e que jamais serão lançados fora, recebendo por fim o Reino prometido aos eleitos, desde a fundação do mundo, em amor (Mt.25.34).