segunda-feira, 19 de maio de 2014

As orientações aos setenta e a nossa tarefa no evangelismo

Lucas 10.1-12

Em nossa mensagem dessa noite estamos diante de uma passagem única no Evangelho. Apenas Lucas faz menção ao envio pelo Senhor de setenta discípulos para anunciar o evangelho. Talvez você se pergunte qual é a utilidade dessas admoestações, fornecidas por Cristo para a minha vida? Talvez você não se veja como um missionário, você é apenas uma dona de casa cristã ou tem um emprego normal, o que essas admoestações podem fazer para impactar a minha vida ou me servir de direcionamento? Para essas perguntas convido você a caminhar mais um pouco comigo a fim de respondermos as mesmas.

Entendo que como cristãos temos inúmeras advertências que devemos estar atentos quanto ao que o nosso Senhor espera de nós. Apesar de essas orientações dizerem respeito ao ministério ordenado em sua grande maioria, esse texto nos ajuda a entender as estratégias do Senhor quanto à obra missionária. E isso diz respeito também a nós, uma vez que também estamos interessados no progresso da obra para a glória de Deus. Sendo assim, gostaria de sugerir um título, antes de avançarmos: “As orientações aos setenta e a nossa tarefa no evangelismo”.

Olhemos mais de perto cada uma das orientações dadas aos setenta e vejamos como elas nos podem ser úteis ainda em nossos dias, pois se foi algo que o Senhor julgou importante, certamente isso nos interessa e ainda é útil se quisermos nos orientar por Seus conselhos amorosos para o bem de Sua obra.

Dividi as orientações dadas aos discípulos para uma didática melhor em três grupos e gostaria de analisa-las da seguinte forma:

As orientações que dizem respeito ao perigo da obra (vv.1-4)
Quando o Senhor empreendeu o alcance dos seus escolhidos, Ele mesmo sabia das oposições espirituais, protagonizadas por satanás, e as oposições humanas, uma vez que o homem sem Deus está em rebelião contra o Senhor. Desse ponto de vista, tal obra envolve perigos, vejamos quais são eles:

O envio dos setenta modus operandi (v.1) – O Senhor envia os 70 como talvez uma preparação para a grande comissão que ele estaria enviando quando de sua ressurreição. Não se sabe a razão desse número, mas alguns especulam que se deve aos conselheiros de Moisés, orientados por seu sogro, mas não temos certeza. O certo é que tal comitiva não deveria andar sozinha, por isso o envio de dupla. Eles deviam percorrer uma área delimitada e visitar cada cidade dessa área.

A importância da intercessão (v.2) – Nem todos são ministros do evangelho, mais isso não quer dizer que não podem estar envolvidos com a obra. O texto é claro a nos orientar a orar pelos trabalhadores da Seara, os ministros, pastores e missionários. É Deus quem supre Sua obra desses homens e cabe à igreja orar em favor da obra.

“Cordeiros para os lobos” (v.3) – Não vejo aqui um objetivo sádico do Senhor, mas uma indicação daquilo que de fato ocorreria com todo aquele que estivesse disposto a continuar essa obra. Ele mesmo sabia o que era isso. Na profecia de Isaías, Jesus é reconhecido como uma ovelha para os tosquiadores, logo, estamos repetindo a mesma missão. A pregação não é um campus de férias, mas uma trincheira, um campo de batalha.

Outro tipo de ameaça (v.4) – Essa não está ligada aos perigos dos opositores, mas aos aduladores. Ela é mais específica aos ministros que devem se abster de viver segundo as aparências, mas viverem de modo simples, como estivessem apenas de passagem por este mundo. O fato de não saudar ninguém está relacionado ao perigo das lisonjas e adulações. É fato que em outras ocasiões foi permitido aos discípulos fazer todas essas coisas, mas de tal forma que não sejam persuadidos de perderem tempo com as coisas desse mundo.

As orientações que dizem respeito à recepção da mensagem (vv. 5-7)
Algumas advertências estão relacionadas ao caráter daquele que leva a mensagem. Esse não deve ser empecilho, fazendo exigências ou reclames desnecessários, mas sim, serem simples e acessíveis, vejamos o que o Senhor nos orienta:

A paz do discípulo (vv.4-5) – O homem crente é aquele que foi pacificado com o Senhor. Ele mesmo sente essa paz. Paz essa que deve ser sua principal marca, mesmo no campo missionário. 

A permanência na mesma casa (v.6) – Aqui existe uma palavra especial a aqueles que foram enviados como ministros. Esses devem ser simples em seu procedimento. Mesmo que estando a frente de um grande trabalho não devem ser impedimento para a mensagem. Ficar na mesma casa significa que eles não devem ser inconstantes, mas mostrar atenção aos moradores daquele lugar, devem estar satisfeitos em estar ali e demostrarem agradecimento pela receptividade. Quanto ao salário, é nada mais nada menos do que o esclarecimento de que o obreiro vive do campo. É justo que ele tire frutos físicos de uma obra espiritual.

As orientações que dizem respeito às cidades evangelizadas (vv.8-12)
Finalizando, temos algumas orientações sobre as cidades e de que forma devem proceder os discípulos conforme forem visitando as mesmas.

Eles devem ser agradecidos (v.8) – Como dito antes, eles devem ser simples, sem “frescuras”, nem luxo. Não devem exigir além do que aquele povo tem a oferecer.

Curar e anunciar (v.9) – Parte da obra de um verdadeiro obreiro deve ser buscar o bem daqueles que foram afetados pelo pecado, permitindo que eles tenham tais danos reparados (curando-os) e depois anunciar a eminente chegada do Reino de Deus. Esse que já havia chegado com o Messias e que está mais perto do Seu juízo.

Um clamor aos moradores (v.10) – Aqui está uma lição para os nossos dias, talvez estejamos muitos acomodados em nossa igreja, nosso testemunho não está passando dessas paredes. É necessário que façamos aquilo que é ordenado aqui, clamar sobre Araripina por seu arrependimento.

O pó sacudido (v.11) – Essa era uma forma de demonstrar indignação e juízo comum aos tempos bíblicos. Significa que nem o pó daquela cidade merece permanecer conosco. As vezes que temos compreendido mal essas palavras. Existe muita insistência na permanência em locais que não frutificam nada hoje em dia.

Menos rigor a Sodoma (v.12) – Aqui está a continuação do verso anterior, significa que as cidades impenitentes são menos culpadas do que aqueles que negam receber o Evangelho.

As orientações expostas hoje tem um duplo significado. Servem primeiramente para os ministros, aqueles que vão ao campo e também para os crentes comuns. Precisamos reavaliar nossas estratégias e nossa visão do campo. Precisamos ainda orar pelos obreiros, pois, ainda existe muita Seara, precisamos ser pessoas simples que estejam comprometidos com o campo que o Senhor nos confia, bem como precisamos lançar um novo olhar sobre as cidades que devemos pregar.

Tudo isso deve ser feito com muita submissão, conforme aqueles que haviam sido enviados foram. Busquemos direção de Deus para tão grande obra e que o Senhor nos ajude neste particular.


sábado, 17 de maio de 2014

A grande comissão e a nossa parte no Reino

Mateus 28.18-20
Essas palavras pronunciadas por Cristo quando de Sua ressurreição, são talvez as mais emblemáticas palavras no que concerne à missão da igreja. Tais palavras, por terem sido ditas depois da ressurreição, o local onde elas ocupam no Evangelho, bem como a importância de tais palavras para a igreja já são motivos suficientes para que atentemos às mesmas e lancemos um olhar introspectivo para a nossa igreja, tendo como objetivo medir nossa igreja na intenção de estarmos de acordo com essas mesmas palavras.

Muito se tem dito sobre qual é a função da igreja. Em anos recentes alguns têm dito que a igreja deve se ocupar com aquele que sofre, aqueles que têm sido mal tratados economicamente, que são excluídos, os pobres e oprimidos pelo sistema perverso que assola a humanidade. É fato que a tarefa da igreja é bem abrangente se nós quisermos analisa-la por completo. Cabe a igreja desenvolver ações que muitos governos são omissos, cabe a igreja orientar a sociedade de modo que esteja mais próxima da vontade de Deus e tantas outras tarefas, mas nada é mais urgente do que a Grande Comissão.

Essa Grande Comissão talvez sintetize as maiores urgências do povo de Deus, naquilo que é a vontade do Senhor para as nossas vidas, por essa razão chamo a atenção da igreja para uma reflexão no seguinte título: “A grande comissão e a nossa parte no Reino”.

Somos também convocados a considerar, viver, e agir por esses métodos que o próprio Senhor Jesus Cristo estabeleceu. O que há aqui nesses versos são princípios e não especificações. Estaremos tratando das suas implicações e a mesma medida contemplando a nossa parte nisso tudo. Afinal, somos a igreja do Senhor nesses dias, vejamos isso um pouco mais de perto:

A Grande Comissão é continuar a obra de Cristo (v.18)
Alguns têm pensado que aqui Jesus parece dar a entender que apenas depois da ressurreição, Ele estaria recebendo poder e autoridade, porém essa tese não é algo constatável. Jesus já dispunha dessa autoridade antes, e ainda quando da Sua encarnação. O fato de ele falar aqui desse modo apenas reforça a complementação daquilo que Ele disse na cruz “está consumado”. A obra está acabada e ela foi feita em poder. Vejamos a grande comissão nos ensina sobre a nossa tarefa a partir daquela que é de Cristo também:

Quem deu a autoridade? Alguns têm questionado a respeito dessa expressão “dado” e muitos caem no erro de pensar em Cristo como alguém sujeito a ordem de outro superior. Essa condição de receber que Cristo fala aqui é nada mais do que um conceito da economia da Trindade, no que se refere ao propósito trinitário daquele que representaria a obra de salvação no homem. Cristo já dispunha desse poder. Ele inaugura aqui uma dispensação onde esse poder é usado mais completamente. Isso porque Ele quis determinar tempos e ocasiões para isso.

Uma autoridade compartilhada – A autoridade que esteve em Cristo não permaneceu apenas nele. Ele a entregou a aqueles que Ele mesmo chamou. Logo essa autoridade está na igreja atualmente. Não pregamos apenas firmados em uma vontade de estabelecer o Reino, como se fosse apenas pelo exemplo de Cristo, mas pregamos amparados em uma ordem de poder, a mesma que residia em Cristo, portanto, cabe a nós continuarmos a pregar poderosamente a mesma mensagem.

A Grande Comissão é fazer discípulos e batizá-los (v.19)
Vejamos de perto também, as implicações da Comissão deixada por Cristo. O que nos cabe nessa tarefa está aqui delineado e nós faremos bem se atentarmos para esses pontos com atenção:

O “ide” – Alguns têm pensado que o “ide” aqui se refere às missões no campo estrangeiro, em países ainda não alcançados, geralmente países com culturas exóticas que estão afundados em idolatrias entre outras coisas. Porém, nada aqui tem essa conotação. É claro que também pode significar isso, mas também significa o simples ato de se dispor a falar de Cristo, de se ver como um missionário, nas palavras de Paulo “um embaixador”, anunciando a reconciliação com Deus. Ir ao campo não é para todos, mas, no entanto, o campo não é apenas o estrangeiro, mas sim toda a nossa vida refletindo os ensinamentos de Cristo.

Fazer discípulos de todas as nações – Aqui de novo alguns veem o campo estrangeiro como propósito e isso repito, também está incluso aqui, mas não é todo o objetivo existente. A ênfase aqui é no fazer discípulos. Esse conceito foi bem entendido pelos discípulos. Era comum aos primeiros anos do cristianismo a responsabilidade de passar o conhecimento adquirido a alguém que também havia sido vocacionado, via de regra, um novo convertido, que receberia o ensino e também iria ao campo. Esse conceito de discipulado se perdeu com o passar do tempo. O “fazer discípulos” está nos dias atuais, limitado a o ensino teológico e não ao testemunho do mestre, ensinando a vida cristã, a oração e outros objetivos. É necessário que voltemos a esse conceito de discipulado, pois a falta de testemunho é talvez um dos grandes problemas desses nossos dias.

O batismo trinitário – Algumas seitas questionam o batismo trinitário às vezes tentando invocar apenas o nome de Jesus ou de Deus Pai, mas o fato é que aqui temos a orientação para que os novos convertidos sejam batizados numa declaração trinitária. O batismo é o símbolo da nova aliança. É a entrada dos novos cristão de maneira ritualística e pactual. Não pode ser ignorado na igreja de Cristo. A igreja que batiza os conversos, crianças e adultos, cumpre o chamamento do Senhor a essa obra. Sendo manifestado publicamente esse meio de graça, para a própria igreja e para aquele que é batizado.

A Grande Comissão é ensinar (v.20 a)
Outra vez vemos no texto da grande comissão uma ênfase especial que é dada ao ensino. Tanto como discipular, o ensino é uma carência urgente e se relaciona ao ministério da igreja em sua adoração e comunhão. Vejamos isso também:

O ensino na igreja – Não devemos ignorar que nossos tempos esse ensino tem se tornado cada dia mais urgente. Vivemos momentos onde ensinar a igreja está sendo uma tarefa quase esquecida. Muitos chegam a igreja procurando resolver os seus problemas e quase nenhuma atenção devotam ao aprendizado da Palavra. As nossas igrejas são responsáveis por esse ensino. Após discipulado o novo convertido deve aprender a parte mais sólida da fé cristã e cabe ao ministério de ensino na igreja.

Todas as coisas – Outra expressão utilizada na igreja é “todo conselho de Deus”. Paulo utilizou a expressão quando lembrava aos crentes de Éfeso que essa tinha sido a sua tarefa nos anos que ali passou. Somos chamados a conhecer essas “todas as coisas”. Elas fazem parte da revelação de Deus, são importantes para a nossa saúde espiritual, firmam nossa fé e sem elas não passaremos de crianças imaturas.

“Vos tenho ordenado” – Jesus nos ordena preceitos. Esses devem ser repassados aos que estão vivos hoje e aqueles que virão depois. Temos por assim dizer, um legado de gerações que fizeram o mesmo para que hoje estivéssemos aqui. Também é nossa tarefa anunciar as ordens de Cristo.

A Grande Comissão é confiar (v.20 b)
O final da grande comissão é consolador. As palavras nos transmitem segurança e conforto. Vejamos a importância delas para a nossa vida enquanto igreja.

Jesus está com a igreja – É claro que isso se refere apenas a aqueles que são verdadeiramente discípulos. A presença de Cristo é real e verdadeiramente deve ser verificada em todos os tempos. Essa palavra indica que Ele não nos deixa sem rumo nessa missão, Ele ainda a preserva, mesmo não estando fisicamente, mas Sua presença espiritual é grandemente necessária e real.

Jesus todos os dias – Não existe um dia que nós não precisemos dele. Sem Sua presença diária a própria marcha da igreja seria deficiente. O dia a dia com Cristo é necessário, pois nada conseguiremos sem Ele.

Até a consumação do século – Jesus está nos ensinando que a obra dele tem um prazo para terminar. Estamos trabalhando para chegar nesse tempo com a certeza que nada foi em vão. E no findar dessa era cósmica, o número de eleitos será de vez completado e então entraremos na eternidade com o fim de vermos cumpridas todas as palavras do Senhor quanto a nossa esperança.

Não resta dúvida que essas palavras devem de novo nos fazer considerar aquilo que temos feito para o reino de Cristo. Temos sido aqueles que foram enviados? E se fomos porque não estamos dando importância a esse chamado? Temos feito discípulos? Somos aqueles que realmente merecem ser copiados pelos novos convertidos? Você já pensou em como seu testemunho é importante? É necessário que tenhamos o desejo de aprender para depois ensinar. Uma igreja que não aprende está fadada a sucumbir, pois não tem nada para oferecer. Desejemos ver batismos em nossa igreja. É a prova de que estamos cumprindo essa Comissão. Ensinemos a todos a temer a Cristo, pois Ele está conosco e ratifica nossa obra todos os dias e por fim termina Sua obra em nós.


Que Deus nos ajude a não ignorar o nosso chamado, que o Senhor seja glorificado por meio de nós, para a glória do Seu nome, amém. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os crentes são os principais responsáveis da aversão dos não crentes pela igreja

TEXTO BASE: Romanos 2.24

Não resta dúvida da urgência e da necessidade da igreja em cumprir sua grande comissão no mundo (Mt.28.18-20; Mc. 16.15-18). A pregação é responsável pela salvação de vidas (1 Co 1.21; Rm 10.17), tirando-as das trevas e levando-as para perto de Cristo (Cl 1.13), porém, uma pregação dissociada de uma vida piedosa que glorifique a Cristo é um grande desserviço para a causa do Senhor.

Gostaria, com isso posto, de considerar, sendo esse o nosso título, que “Os crentes são os principais responsáveis da aversão dos não crentes pela igreja”. É claro que ao argumentar nessa tese quero afirmar que somente Deus é responsável pela conversão dos não crentes. Isso com o poder de Sua Palavra, usando a instrumentalização do Espírito que é a causa da vitória de Cristo sobre as mentes descrentes, porém, não resta dúvida que nossa conduta em face à pratica do nosso cristianismo é responsável pela “má fama” de nossa religião.

Antes de tudo é necessário dizer que temos a garantia de que seremos perseguidos. Pedro nos adverte: “Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1 Pd. 4.14). Aqui ele estava falando da perseguição comum a aqueles que são fiéis. Está se remetendo aos desafios de sermos ovelhas enviadas para o meio de lobos (Mt.1016), algo que o nosso próprio Senhor ensinou (Jo 15.20). A perseguição faz parte da vida do crente e o crente maduro se prepara para entendê-la sem, contudo se esquecer “que a nossa luta não é contra sangue e carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef. 6.12).

Só que não estamos falando dessa perseguição, estamos falando daquilo que os não-crentes estão realmente certos em nos dizer quando nos dizem que estamos errados. Daquilo que eles observam em nosso testemunho e que dificulta a nossa mensagem.

O texto que lemos no início fala-nos de um povo que também teve a mesma tarefa no passado, sendo que estiveram mais presos as suas tradições e seu estado privilegiado, de modo a desprezar aqueles que se encontravam longe de tudo aquilo que eles estavam vivendo. Os judeus são o povo aqui exposto. Paulo os repreende por vários fatores e nós precisamos identificar o que faz um não-crente não vir à igreja por causa do testemunho dos crentes. Vejamos isso, considerando as mesmas críticas tecidas pelo apóstolo nesse texto aqui.

I- Um crente sem vida se baseia em arenosos alicerces quando é orgulhoso (vv.17-20).

O orgulho dos judeus os impedia de estender a aliança a outros povos. É claro que não vemos a recomendação de Deus para que a aliança fosse estendida aos não judeus no antigo pacto, mas Paulo assevera que era pelo menos necessário que os gentios chegassem a temer a Deus em razão da reverência que se era exigida deles. Vejamos então como a falta de vida deles fundamentou alicerces arenosos e orgulhosos:

O orgulho judaico (v.17) – A palavra καυχᾶσαι (kauchasai), traduzido aqui “glorias” é uma palavra muito utilizada pelo apóstolo Paulo. Existem alguns textos que a usam num sentido positivo como, por exemplo, Gl 6.14 “...longe de mim gloriar-me, senão na cruz do nosso Senhor Jesus Cristo.” Mas o uso mais comum é sem dúvida o sentido negativo, como temos aqui. Paulo nos lembra que os judeus se orgulhavam de terem um nascimento judeu, talvez por achar que isso fosse prova de eleição. Eles se orgulhavam da própria Lei e no conhecimento da mesma. Isso não os fazia ter misericórdia daqueles que estavam fora, mas os afastava.

Orgulho de Deus (v.18) – Isso não era algo positivo, mas negativo. O conhecimento de Deus não os conduzia a humildade e isso não por causa de Deus, mas por causa do seu próprio pecado. Talvez tenha sido este o orgulho de Jonas quando desprezou o chamamento para o arrependimento de Nínive. Eles eram instruídos desde criança na Lei e isso os fazia ter orgulho espiritual.

Orgulho ao instruir (v.19-20) – A condição elevada os fazia desprezar aquele que não tinha a mesma condição que eles, os gentios. Povo que era considerado cego, em trevas, ignorante e crianças. Esse orgulho os fazia desprezar os não judeus que eram vistos como “cachorros” (Mt.15.26). O principio utilizado para esse preconceito era a própria Lei de Deus, o que fazia os descrentes odiarem a Lei em razão daqueles que se diziam “protetores da Lei”.

II- Um crente sem vida desaprova o evangelho com um testemunho falho e pecaminoso (vv.21-23).

O orgulho não era o único pecado que os judeus cometiam. Eles pregavam algo com os lábios, mas o testemunho de vida deles era lastimável, como diz o Senhor em Isaías 29.13: “...este povo se aproxima de mim com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim”. Quão perto eles se aproximam de certos, ditos “cristãos”, que são ativos nas suas igrejas, tem até mesmo cargos, mas não conseguem viver uma vida segundo aquilo que pregam. Vejamos as implicações levantadas pelo apóstolo aqui:

A Lei e a capacidade de ensino (vv.21-22) – A Lei havia sido dada por Deus para instrução no caminho de santidade, porém, os judeus criticados por Paulo não viam desta forma. Não conseguiam ser instruídos eles mesmos. O ensino era desacreditado por algo como “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Eram ladrões, mas diziam que furtar era errado. Eram adúlteros e ensinavam que adulterar é pecado. O problema é que todos conheciam suas práticas. Nada que eles diziam causava efeito, pois faltava o poder de uma vida santa.

A desonra da Lei pelo pecado deles (v.23) – Paulo sentencia que a Lei era desonrada por práticas tão hipócritas. Os não crentes não viam porque buscar a santidade, pois testemunho nenhum viam a esse respeito. Ao anularmos a Palavra com a nossa falsidade estamos nos colocando debaixo do mesmo juízo que Deus julgará o mundo sem Deus. Não se brinca com coisas santas e aqueles judeus, como muitos hoje fazem exatamente a mesma coisa.

III- Um crente sem vida faz o ímpio blasfemar a Deus porque eles julgam o nosso Deus por testemunhos ímpios (v.24).

Segundo Hendriksen o presente texto é uma citação de Isaías 52.5. Naquela ocasião os povos gentílicos que triunfavam sobre Israel tratavam o Deus de Israel como um deus inferior aos de seus países. Apesar de haver diferença quanto ao propósito, o objetivo era o mesmo, Israel deixou de atender os requisitos de Deus, por a blasfêmia dos povos ímpios. Vejamos algo mais aqui:

Uma blasfêmia decorrente da culpa dos judeus – Eles não estavam a altura de uma mensagem tão santa. As Escrituras eram ridicularizadas, pois, parecia inalcançável para qualquer um. Sem homens santos para mostrar a santidade o texto sagrado parecia um vislumbre insano. Eles se achegavam a eles esperando luz e encontravam as mesmas trevas que eles mesmos possuíam.

Uma blasfêmia decorrente da maldade nacional – Acabando-se o testemunho de vidas santas, acaba-se o valor da mensagem. A transitoriedade da mensagem não residia na fraqueza da mensagem, mas na fraqueza do povo em cumpri-la cabalmente. Por serem maus a obediência era falha e motivo de chacota e escárnio por todos aqueles que a ouviam.

Muitos não crentes não desejam entrar por aquelas portas. Eles estão decepcionados com os crentes. Eles pecham o Senhor de um mero censurador e não como a “fonte de águas vivas”. Eles não conseguem ver nada positivo em nosso testemunho e isso nos faz induzi-los a blasfemar o nosso reto caminho. Eis a razão pela qual vemos muitas pessoas buscando na igreja somente curas e prosperidade e não um Deus que os possa os livrar dos pecados. Com o nosso testemunho acabamos dizendo que o pecado não é tão grave assim e que, portanto, não deve ser levado a sério. Só que quando falamos de valores os não-crentes nos interrogam: “Como você pode exigir isso de mim se você não faz nada disso?”

Olhemos bem para a nossa vida e vejamos se não somos a causa de tantos e tantos estarem afastados de Cristo. Deus, por Sua graça, aproximará todos os escolhidos, quanto a isso não resta dúvida, porém, quantos virão por nossa pregação? Será que estou na condição dos judeus mencionados por Paulo em nosso texto? Orgulhoso, cheio de conhecimento do evangelho, mas também cheio de pecado?

Coloquemo-nos debaixo do escrutínio do Senhor e que pelo Seu poder e misericórdia e recebamos o convencimento do Santo Espírito nos mostrando aquilo que temos sido falhos. Que Deus nos livre do Seu nome ser blasfemado por vidas orgulhosas e pecaminosas. Que as nossas vidas revelem o poder da Palavra agindo em nós, para que todos “vejam as nossas boas obras e glorifiquem a nosso Pai que está nos céus” (Mt. 5.16).


domingo, 2 de fevereiro de 2014

O CARNAVAL É UMA FESTA IRREFORMÁVEL?

O carnaval é reconhecidamente uma das marcas da cultura brasileira. Essa festa arrecada dividendos gerados pelo turismo, bancados por inúmeros estrangeiros vindos ao país, em sua grande maioria, atrás do turismo sexual fácil e livre, bastante comum nesse período.

A festa em si não é originariamente brasileira, mas sim grega. Estudiosos estabelecem o período de 600 a 520 a.C., como provável data para a criação da festa, que no início tinha a ver com as comemorações da colheita e eram celebradas festas sexuais em louvor aos deuses da fertilidade. No catolicismo a festa tem suas origens relacionadas à criação da Semana Santa, no século XI. Era um período dedicado a aquilo que geralmente era impedido de se praticar durante a Quaresma, que duravam três dias e além de haver o consumo de comidas geralmente era marcado por liberalismo excessivo, algo até hoje observado nos atuais “carnavais” ao redor do mundo.

No Brasil as maiores concentrações carnavalescas acontecem em cidades importantes como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador. No Rio de Janeiro teve início aos blocos com carros alegóricos e em Recife, no ano de 1995, o Guinness Book, reconheceu o Galo da Madrugada como o maior bloco carnavalesco do mundo.

Esses números e informações podem impressionar a principio, um grande número de pessoas, principalmente nossas autoridades que preferem dar atenção a grandes ajuntamentos como esses, em razão do colégio eleitoral que podem angariar, mas certamente precisamos entender o fenômeno e buscar uma saída para que nossa nação reflita sobre a importância do carnaval para nossa cultura, bem como, em se tratando da igreja cristã, se as práticas comuns ao carnaval podem, de alguma forma, serem preservadas em nossa sociedade. Lembremos que segundo as estatísticas, espera-se que o Brasil em 2040 conte em sua população de algo em torno de 50% de evangélicos em sua população. Logo é necessário refletir sobre essa festa tão popular e sendo nós uma igreja derivada da grande Reforma do século XVI que onde se estabeleceu discutiu-se a viabilidade de certas festas nesses países, assim também precisamos realizar em nossa nação. Esse texto procura então, visualizar as principais implicações referentes a esta festa popular, vejamos se é viável tal conduta e se as implicações, de uma forma ou de outra nos condiciona a reformar o carnaval e torna-lo útil para os propósitos redentivos do nosso Senhor Jesus Cristo.

O arcabouço religioso
Nem todas as manifestações católicas romanas são ruins em si mesmo ou totalmente desprezíveis segundo a ótica protestante. Festas como o natal e dias santos em outras ocasiões foram utilizadas até mesmo por ícones reformados como Lutero e Calvino em outras circunstâncias, logo a Reforma buscou conduzir a piedade e a cosmovisão, não de uma perspectiva anticatólica, mas segundo as Escrituras, buscando sempre que possível, coadunar tais festas de maneira a utiliza-las como manifestações culturais perfeitamente legítimas, quando não ofendem a honra de Cristo e Seu Evangelho.

Porém, o carnaval é repleto de símbolos e condutas que estão longe de se identificarem com uma cosmovisão protestante. O conceito protestante de sagrado e profano e bem distinto do catolicismo. No catolicismo esse conceito estabelece uma clara divisão de prioridades, sendo possível ser um bom católico e ainda assim ter um estilo de vida não condizente com a fé cristã. No protestantismo essa concepção impraticável, principalmente quando aplicado o princípio reformado do soli Deo Gloria, segundo esse princípio tudo o que fazemos o fazemos para a glória de Deus e nada que não o glorifique deve ser praticado ou amado pelos piedosos.

É verdade que alguns protestantes seguem o calendário litúrgico, como os luteranos, episcopais e alguns presbiterianos, porém não se trata de um consenso entre os reformados. Sendo assim a própria significação da festa cairia em certo descrédito em muitos círculos evangélicos, principalmente quando se discutido a necessidade da preservação de um período como a quaresma. Não havendo quaresma para a maioria dos protestantes, torna-se obsoleto todo e qualquer incentivo ao carnaval da forma como conhecemos.

As implicações sociais
Dentre as piores mazelas realçadas pelo carnaval, sem dúvida estão aspectos relacionados à moralidade, a violência, tanto no que concerne a aquela que é praticada nos locais das festas, como aquela que é decorrente do consumo exagerado de bebida alcoólica e que tem repercussões catastróficas no trânsito nacional, gerando uma verdadeira barbárie de proporções nacionais. Segundo dados da polícia federal rodoviária,[1] mesmo havendo uma redução no número de acidentes e de mortos em torno de 2,6% em relação ao ano de 2012, ainda assim os números de 2013 comprovam essa barbárie; foram 1997 acidentes, 1098 feridos e 97 mortos. Esses dados se referem apenas aos números em estradas federais, sem contar as estaduais e as vias locais nas cidades.

O carnaval em sua essência etimológica, como propõe seu significado “festa da carne”, também destrói inúmeras vidas que terão a certeza que meros momentos de prazer, terão repercussões gravíssimas naqueles que nunca conhecerão seus pais e serão filhos de mães solteiras, a enormidade de crimes sexuais relacionados à festa como os estupros, assédios sexuais, prostituição infantil e atentado violento ao pudor. Essas transgressões demonstram a total ineficiência de nossas autoridades em gerir a lei e a ordem durante o período carnavalesco. Se nossas instituições já são parcamente preparadas para enfrentar situações de crise em outras ocasiões, imagine ter que fomentar a ordem em uma festa gigantesca como o carnaval.

A cultura apelativa nesse período
Muitos justificam a necessidade do carnaval alegando que muitas cidades tem conquistado uma certa condição financeira com a festa onde lucram setores como a hotelaria, os blocos e agremiações, o comércio e outros. Porém, conforme observado acima, no que concerne as questões referente ao impacto social, tais dividendos deveriam, em uma cultura mais ética, nos envergonhar, mesmo que sustente certos ramos econômicos. Como justificar uma família dilacerada em troca de divertimentos alheios? Como permitir que tantos morram, enquanto outros se esbaldam em porfias sem fim? Ora, uma conduta que justifique investimentos nessas áreas deveriam envergonhar cada um de nós, seja as instituições governamentais ou privadas que mantém esses investimentos. O mesmo governo que viabiliza a festa em muitas ocasiões é o mesmo que viabiliza políticas públicas que combatem os efeitos dessa festa. Logo, observamos uma prática hipócrita sem precedentes que são uma mancha para a nossa nação.

A Reforma de uma festa como essa
É verdade que a fé protestante ao longo dos anos em culturas distintas tem se preocupado em viabilizar a glória de Cristo, permitindo manifestações culturais, desde que estas não afetem a glória de Cristo nem Seu santo Evangelho, porém, penso que o carnaval não pode ser reformado neste particular. A festa em si traz grandes malefícios a nação e a indivíduos, sendo necessário que aja uma postura veementemente dedicada a solucionar tais problemas, de maneira que cada setor da igreja esteja engajado. Dito isso não penso que os retiros espirituais são boas alternativas para essas questões. Isso apenas demonstra uma atitude maniqueísta a ser evitada pela igreja, uma vez que se ausenta da cidade em um período crucial para a vida de muitas pessoas. Quando digo isso penso em nossa contribuição com pregações durante o ano todo que abordem a necessidade de uma vida reta e absorção de uma cultura moralizante por nossa sociedade.

Inúmeros métodos podem ser utilizados como campanhas junto aos órgãos governamentais que ajudam na promoção de um trânsito mais seguro ou contra a prostituição infantil e todas as outras questões que envolvem os dias de festas. O retiro é algo danoso e prejudicial, pois priva os foliões da pregação da Palavra, do escrutínio de suas consciências, segundo às Escrituras. Aproveitar um feriado, enquanto muitos estão morrendo é uma grande transgressão, certamente observada pelo justo juízo de Deus, pelo que devemos afirmar que Ele mesmo nos punirá com a perpetuação dessa prática.

Finalizando, penso que devemos considerar mais seriamente o citado evento. A igreja de Cristo deve buscar a proclamação do Evangelho em um período grandemente delicado e isso deve ser abordado no sentido de minimizar os efeitos nos desejos daqueles que deverão trabalhar nesse período. Que Deus nos ajude a buscar com que tal festa receba nossa atenção, mesmo que não possamos reforma-la, da mesma forma que outras festas podem ser, porém, ignorá-la é uma grande falha que a igreja de Cristo deve buscar responder a altura. As implicações de ações assim, sem dúvida são difíceis de mensurar, mas sem dúvida estarão de acordo com nosso mandato cultural, conforme ensinado nas páginas sagradas. Que Deus nos faça apiedar do carnaval e que não possamos nos esconder das nossas responsabilidades cristãs.



[1] Relatório da Polícia Rodoviária Federal http://pt.slideshare.net/jespindola1970/relatiro-parcial-da-operao-carnaval-2013-polcia-rodoviria-federal

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O natal e aquilo que foi esquecido a seu respeito

Lucas 2.34-35

O texto em questão traz basicamente aquilo que eu gostaria de enfatizar nesse natal. Nem sempre aquilo que vemos nos dias natalinos consiste na realidade dos fatos relativos ao natal. Assim como a festa ganha contornos distantes daquilo que foi o dia propriamente dito o objetivo da festa por muitas vezes passa por cima de aspectos importantes e muitas vezes esquecidos pela maioria dos pregadores hoje em dia.

É por essa razão que nesta noite estarei abordando aspectos esquecidos do natal. Fatos que, se esquecidos não culminariam em todas as nuances dessa bela festa cristã. É então, por essa razão que eu os convido a considerar o seguinte título de nossa mensagem: “O natal e aquilo que foi esquecido a seu respeito”.

Justifico o título primeiramente enfatizando que o que estaremos mencionando foi “esquecido” e não “ignorado”, uma vez que não penso que muitos pregadores tem intensão de fazer tal coisa, só que a Bíblia deve ser pregada toda e não de acordo com nossos interesses.

O texto que estamos comentando narra a ida do Senhor, ainda menino ao templo a fim de realizar sua purificação (Lv. 12.6-8), após a circuncisão (v. 21). Lá se encontrava um homem piedoso chamado Simeão, que movido pelo Espírito foi ao templo. O mesmo Espírito havia revelado que “ele não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor”.

Simeão em sua fala diz algo muito importante para nossa consideração: 1) Ele é destinado para ruína e para o levantamento de Israel; 2) Para ser alvo de contradição; 3) Uma espada transpassará a própria alma para que se manifestem os pensamentos de muitos corações. Logo, de acordo com a profecia de Simeão, a pessoa do Senhor Jesus causa dois sentimentos distintos, o abatimento e a exaltação. Isso é bastante claro ao observarmos o que o texto bíblico nos ensina acerca do nascimento de Cristo, vejamos então esses relatos:

A situação da família de Jesus em Seu nascimento (Mt. 1.19)
O nascimento virginal e suas implicações – Maria estava prometida a José, ela era virgem e ainda não tinha contato com aquele que seria seu esposo. De uma hora para outra ela aparece grávida. O anjo tinha anunciado a ela (Lc 1.26-38), mas não a José ainda, por essa razão ele resolve deixa-la (Mt. 1-19). Antes do nascimento o Senhor enfrenta esse primeiro conflito que é resolvido após a aparição do anjo a José.
Um risco para Maria – Segundo a Lei, Maria poderia morrer apedrejada, caso não se provasse a questão de seu filho. José tem um papel fundamental quanto ao nascimento, visto que apenas alguém realmente escolhido por Deus e fiel, poderia fazer parte de tão gracioso propósito. A escolha divina para ser pai do Senhor sem dúvida atesta isso.

II- Os magos do Oriente e a fuga para o Egito e a matança dos inocentes (Mt.2.1-18)
Uma narrativa que busca apenas relatar a visita dos magos no presépio, esquece-se dos fatos que mostram o quanto aqueles dias eram terríveis, analisemos as implicações:
A busca pelo Messias nos palácios (Mt. 2.1-12) – Esses magos, provavelmente advertidos pelo estudo da Lei, sendo estrangeiros e não sabendo que o rei de Israel era um rei ímpio e sanguinário, foram até o palácio real esperando que lá encontrassem a Cristo. Nessa ocasião a profecia de Simeão se cumpre mais uma vez, eles buscam adorá-lo, enquanto Herodes buscava a sua própria ruína. Deus os guiou de maneira segura até Cristo, mas a maldade de Herodes já havia sido despertada.
Jesus e seus pais vão para o Egito (Mt. 2.13-15 e Os 11.1) – Cumprindo a profecia de Oséias, após a visão do anjo, Jesus é enviado para o Egito. Fatos cruéis o aguardavam se Ele permanecesse em Israel.
A matança promovida por Herodes (Mt. 2.16-18) – Esse rei sanguinário tinha por intenção promover o extermínio do Messias. Ele certamente sabia de sua linhagem real (filho de Davi), a mesma que ele como rei não pertencia. Sua matança tinha em vista destruir a possibilidade do retorno ao trono da família de Davi, que na época de Cristo não era tão importante como em outras épocas, pelo menos financeiramente. Esses fatos não aparecem no presépio na noite de natal.

III- O natal e sua principal mensagem (Lc. 2.10)
Boa nova de grande alegria (Lc. 2.10) – Eu não faço coro a aqueles que pensam que o natal é uma festa pagã. O natal é a maior festa cristã. O nascimento de Cristo é o maior anúncio que o mundo pôde receber. Se Ele não tivesse encarnado naquela criança simples naquela “noite feliz” eu e você, assim como o mundo inteiro não teria nenhuma esperança.
Paz na terra entre os homens (Lc. 2.14) – As palavras da milícia celeste de anjos refletem não a profecia de Simeão, mas uma profecia para a época presente e para o final das eras, quando Jesus for a paz nos homens convertidos e tementes a Deus hoje e a multidão de redimidos no Reino eterno.

Não devemos nos enganar com as sutilezas comerciais dessa época. Muita coisa foi acrescentada ao verdadeiro natal. Cabe a igreja cristã se preocupar para que isso seja recuperado. Temos o manual para toda e qualquer Reforma que nos cabe fazer, as Escrituras.

Recuperemos aqueles dias em nossas mentes com sincero temor. Lembrando-nos dos fatos relativos ao nascimento do nosso Salvador. Lembrando que Ele surge como uma espada que divide a humanidade e que apesar de muitos buscarem algo relativo a Ele nesse dia e nessa noite de natal, suas vidas não o fazem constantemente.

A igreja cristã é o real baluarte do verdadeiro natal. Celebremos esse natal na certeza de que Cristo é para nós elevação sobre Israel, mas para aqueles que não lhe conhecem vero abatimento. Louvamos a Deus por sua infinda graça.