quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Retiro Espiritual em Goianésia do Pará


A igreja Presbiteriana promove nos próximos dias 10 a 13 de fevereiro seu retiro espiritual. O retiro será localizado na fazenda do Presb. Valtair de Laia, rodovia PA 263. Na ocasião se trabalhará o seguinte tema: Qual a Missão da Igreja: Entendendo a Justiça Social e a Grande Comissão. Com os seguintes subtemas e suas datas:


1ª Palestra: O que Jesus nos envia a fazer no mundo?
2ª Palestra - Não compreendemos todo o Evangelho? Entendendo as boas Novas
3ª Palestra - Entendendo o Governo Redentor de Deus
4ª Palestra - Entendendo a justiça social: Aplicação
5ª Palestra - Entendendo a justiça social: Exposição
6ª Palestra – Buscando a Shalon: Entendendo os Novos Céus e a Nova Terra
7ª Palestra – Zelosos de Boas Obras: Por que e como fazemos o bem, como pessoas e como igrejas


Informações adicionais podem ser conseguidas no telefone (94)98192-2211. Rev. Fabiano Ramos Gomes

terça-feira, 11 de julho de 2017

CONHECENDO O CONCEITO ENCARNACIONAL DE MISSÃO DA IGREJA


A encarnação de Cristo nos possibilitou conhecer a divindade e sua gloriosa existência. Assim proclama o Evangelho de João em seu primeiro capítulo, verso 14. A encarnação de Cristo é celebrada na maior festa da cristandade, o natal. Jesus, como afirmam alguns “tabernacula” conosco ao vir a esse mundo, viver 33 anos entre seres caídos e retorna para o Pai, não sem antes demonstrar a gloriosa perspectiva da divindade e não somente isso, mas também deixa lições profundas para a igreja em todos os tempos, a necessidade de sermos encarnacionais em nossa mensagem ao mundo.

Há pouco tempo tenho me deparado com conceitos advindos da igreja missional e esses conceitos têm me ajudado a compreender a necessidade de termos uma igreja mais atuante nesse mundo. Alguns estudiosos, de dentro e de fora da igreja, têm comentado acerca daquilo que é denominado de período pós-cristandade e também outro termo correlato seria pós-modernidade. Os dois termos abordam expectativas que indicam um movimento de abandono da influência do cristianismo no mundo ocidental. Esse abandono torna a cultura hodierna em uma afluência ao ceticismo e porque não dizer ao neo-paganismo. Outros nos lembram duma ideia que se esvai, deixando um vazio que ao se deixar é logo preenchido por outra ideia que se posiciona de forma subsequente, portanto, podemos ter certeza que o movimento de abandono dos padrões cristãos no Ocidente já estão sendo preenchido por conceitos pós-cristãos, alavancados pela pós-modernidade.

Alan Hirsch descreve da seguinte forma o conceito encarnacional em sua página no facebook[1]:

Eu uso a palavra (encarnacional) para descrever esse modo de engajamento missionário que leva a sugestão da doutrina da Encarnação de Deus em Cristo. Se missional se refere à nossa "sentença" como crentes / igreja, então encarnacional dá forma a entendermos como devemos nos envolver nessa missão. Deus veio ao mundo em um ato de identificação profunda, não só com a humanidade como um todo, mas com um grupo particular de pessoas. Que Ele estava na vizinhança por 30 anos e ninguém percebeu, isso nos diz muito sobre Deus e como Ele se envolveu na situação humana. A Encarnação nos mostra que Deus fala a partir de uma cultura particular, de maneira que as pessoas possam perceber, entender e responder. A Encarnação nos dá o modelo bíblico primário de engajamento - é assim que Deus faz isso e nós que seguimos seu Caminho. Devemos seguir os seus passos. A missão encarnacional exige que contextualizemos o Evangelho de forma que sejam valorizadas as situações culturais e existenciais particulares dos vários povos, sem comprometer a própria missão. Ser missional significa sair (ser enviado) para o mundo, então, o ser encarnacional significa entrar profundamente em uma cultura.”

Nesse conceito defendido por Hirsch, o modelo principal do conceito é a atitude do próprio Cristo, logo, a postura dos seguidores de Cristo deve ser copiar o exemplo de Cristo, na relevância que Ele atribui a Sua missão, misturando-se, sem, contudo, contaminar-se com os pecados, da raça humana, frequentando festas, comendo e construindo pontes relacionais com aqueles que Ele pregava o Evangelho.

As igrejas que defendem o modelo encarnacional, são, portanto, mais abertas à compreensão cultural do ambiente onde estão inseridas. Isso ajuda a conhecer as demandas, frustrações e perspectivas daqueles que são evangelizados. Alguns podem objetar  essa ideia defendendo que nós só precisamos conhecer a cultura bíblica e tornar nossa mensagem mais parecida com aquela da igreja apostólica e não conhecer as questões culturais que estão sendo desenvolvidas no mundo. Essa postura despreza uma série de demandas e principalmente isola a comunidade cristã em uma espécie de gueto religioso afastando das ansiedades atuais, consequentemente inviabilizando o testemunho e o relacionamento cristão. Se o Senhor tivesse essa postura nós nunca saberíamos acerca da Sua divindade, nem tão pouco conheceríamos a Sua graça e misericórdia.

O conceito de igreja encarnacional também se contrapõe a aquilo que é definido como igreja “atracional ou extracional”, ou seja, a igreja que espera que seu poder atrativo na comunidade leva os não crentes a desejarem conhecer essa igreja. O problema com essa perspectiva é que segundo defende Hirsch em seu livro “On the Verge” apenas 40% das pessoas afirmam que frequentariam uma igreja nos moldes atracionais. O que fazer com as outras 60%? Pessoas que não veem relevância na igreja e que, portanto, não frequentariam seus templos apenas porque estes estão abertos em determinados horários.

Somente uma igreja que se preocupe em levar aos não crentes uma forma atraente da mensagem de Cristo, num conceito que se preocupe em responder os dilemas da pós-modernidade conseguirá aplicar sua mensagem de forma satisfatória. Crentes que se envolvam na comunidade onde residem, que trabalhem de forma a pregar o Evangelho a colegas de trabalho, não de forma espalhafatosa e defeituosa, mas com a centralidade da mensagem cristã, buscando desenvolver relações profundas, conseguirão atingir o foco do evangelho encarnacional.

Sendo assim, nossa defesa por esse modelo passa por uma compreensão profunda da nossa definição de missão. Não é mais uma tarefa para profissionais remunerados, mas a tarefa da igreja, como foi no início, tendo a igreja de Antioquia (Atos 11) seu principal modelo. Crentes que amam o Evangelho precisam compartilhar esse mesmo Evangelho de maneira apaixonada e eficaz. Não basta apenas esperar que os não crentes possam ir a igreja no domingo, a evangelização é um estilo de vida e não um programa da igreja que se faz quando as receitas vão mau.

Que novas comunidades encarnacionais se proliferem no Brasil, que esse conceito não seja apenas uma nomenclatura teológica destituída de significado para os leigos, mas que os pastores possam pregar sobre isso e propagar a redescoberta do estilo de vida cristão que glorifica a Deus com o Evangelho centrado na Palavra e na missão de cada um.




[1] Hirsch Alan https://www.facebook.com/notes/alan-hirsch/what-do-i-mean-by-incarnational/10150189514096009

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A missionalidade da igreja em tempos onde imperam a frouxidão e o legalismo

Antes de iniciarmos esse assunto que não pretendo me delongar muito, não pretendo defender uma ideia “revolucionária”, ou mesmo me sentir um iluminado por conceber a igreja de forma a pensar acerca do que pode dar certo ou errado nela, fazendo ponderações bombásticas e nunca praticadas. Falo ao considerar, sobretudo, aquilo que a bíblia ensina sobre a função da igreja nesse mundo. Pensamos em tudo o que vemos e percebemos que a igreja hodierna tem verdadeira sina por extremos. Neste entendimento vemos grupos que são extremamente frouxos sobre os padrões de moralidade, onde as pessoas que pertencem aos mesmos podem viver sem nenhuma crise de consciência, não sendo confrontados com os padrões exigidos nas Escrituras, bebendo muito, falando palavrões, sendo descuidados com a moralidade e outras licenciosidades e do outro lado encontramos grupos extremamente legalistas em exacerbar os conceitos da Lei, fazendo que a mesma assuma uma proeminência tão grande que pouco se pode conhecer acerca da graça de Deus em seus arraiais. Tais pessoas são tão literalistas que estão dispostas a fincar estacas no radicalismo, vendo os outros como relaxados e infiéis, apenas porque não comungam com eles acerca de um ou outro ponto do Evangelho. Os puristas se consideram os únicos santos autênticos e por essa razão se fecham em seu grupo que consequentemente, respeita suas ideias e estilo de vida.

Estes dois grupos infestam o nosso cenário religioso. A conclusão que vemos nisso tudo é que pouco ou quase nada pode ser realmente vivido se caso pendermos para alguns desses extremos. O Evangelho não é um claustro. Não nos leva a nos isolar do mundo como se desejássemos uma “subcultura” ou mesmo “uma cultura de gueto”. Muito pelo contrário o Evangelho nos leva a nos relacionar com o mundo de forma transformadora e imersionista. O cristão de fato, não vive às margens da cultura ou do seu relacionamento com o mundo, mas pensa a cultura com a visão que Deus tem da cultura, ou seja, vendo a cultura que é concebida de forma ímpia com a necessidade de modificação e usando aquilo que é possível usar de maneira a fazer pontes para relacionamentos, que possam ser redentivos quanto a proclamação do Evangelho.

Quanto ao outro grupo, os legalistas, buscamos de modo sábio leva-los a conhecer a liberdade de Cristo, procurando libertá-los das amarras da religião que aprisiona o homem, que faz com que sejam vistos conceitos cristãos apenas na superfície e não na devida profundidade. Por essa razão, é necessário ponderar a maneira como se debate, mas nunca se entregando a uma posição ofensiva, por parte daqueles que desejam uma discussão sincera. Sempre levando em consideração que o Senhor Jesus não levantava sua voz ao debater com os fariseus e que muitas vezes os deixou falando sozinhos, pois os mesmos não apenas estavam errados acerca dos pontos levantados pelo Senhor, mas também eram intransigentes na defesa de seus posicionamentos inviabilizando um debate que pudesse produzir vida ou lhes trazer algum benefício espiritual.


Em nossa defesa de uma conduta missional precisamos nos conscientizar que não estar nesses dois polos nos coloca em uma condição desfavorável, pois, teremos poucos que juntarão forças ao nosso lado. Porém, isso não pode barrar nossa condição de luta em favor de sermos ouvidos. Sempre procurando observar o Evangelho de modo que este, por ser fator que liberta os homens das amarras do pecado, da licenciosidade e do legalismo. Os dois pontos são extremamente danosos a mensagem bíblica e devem ser postos como extremos e depreciativos ao Evangelho de Cristo. Que Deus nos faça manter o real equilíbrio e sejamos usados assim, amém. 

sábado, 1 de outubro de 2016

A piedade em face da oposição


Há contra a igreja, inúmeros inimigos que lhe ameaçam. As armas desse inimigo são por vezes ideológica, quando de maneira sagaz usa leis, revesses culturais, opinião pública entre outros meios, ou mesmo flagrante oposição, quando em nome de uma “pureza religiosa” persegue-se abertamente os cristãos, com limpezas étnicas ou religiosas. Nesses anos sangrentos a igreja pode ser enfraquecida, mas também nesses momentos pode constatar os propósitos redentores de Deus em preservar a igreja, fazendo-a multiplicar apesar das oposições infernais.

O livro do profeta Daniel, um dos mais importantes desse gênero literário[1], mostra como Deus preservou uma semente santa em seu povo no A.T. mesmo no exílio. Deus era o autor da punição do exílio que baniu Judá e Israel da Palestina. Nessa região ficaram apenas o povo rude e sem conhecimento, enquanto que os nobres foram transportados para a Babilônia e os guerreiros mortos na guerra. O livro demonstra como Deus continua a abençoar esses nobres que o temiam, especialmente ao enfocar o próprio Daniel e seus amigos Hananias, Misael e Azarias (Sadraque, Mesaque e Abede-Nego). O livro é didático ao mostrar como Deus os preserva do falso culto, dos inimigos e do abandono da fé de seus pais. Mesmo jovens, foram responsáveis por uma fé viva e atual em uma terra hostil a vida piedosa.

Daniel reveste-se de maior importância quando comparado com seus amigos, pois, ele tinha livre trânsito tanto durante o império babilônico com os monarcas Nabucodonosor e Belsazar, filho do primeiro (Dn 5), como também durante o império Medo-Persa. Daniel havia sido consagrado como o chefe dos magos e videntes no império babilônico e no império medo-persa sua função parece ser mais política e administrativa. Seja como for, esse homem havia sido honrado em uma terra hostil e se destacado, mostrando que também podemos manter nossa piedade e não necessitamos nos corromper com os atrativos seculares.

Hoje, proponho considerar como podemos também nos dispor a lutar contra uma cultura cada dia mais hostil a aquilo que defendemos. Como podemos, com o nosso compromisso cristão, lutar contra as forças contrárias que podem ser tanto ideológicas como flagrantes em sua oposição a fé cristã. Nesse livro teríamos muito a mostrar ao considerar esses homens, porém, nos ateremos em Daniel, pois esse capítulo ilustra claramente sua insistência em se manter fiel e como o Senhor abençoa a fidelidade de seu povo de forma graciosa.

Não vivemos uma posição flagrante como em países estrangeiros como Síria e Iraque, onde os cristãos estão sendo mortos por sua fé, mas precisamos atentar pela perseguição ideológica que veem sendo empreendida na mídia, sociedade e política. Observemos a partir do exemplo de Daniel como podemos ser fieis a Deus em uma cultura hostil a fé bíblica.

Daniel se opôs a oposição com a piedade da seguinte forma:

Testemunhando corajosamente
É possível se manter fiel em ambientes que, em muitas ocasiões, podem ser hostis aos cristãos. Daniel, certamente, não concordava com todas as práticas dos impérios babilônico e medo-persa, mas entendia que estava em posições exaltadas atendendo um mandato divino. Vejamos como esse homem testemunhou corajosamente sua fé:

Daniel permanece em destaque (vv.1-3) – Deus muda o império, mas este homem de Deus permanece em destaque. Anteriormente ele havia sido nomeado chefe supremo de todos os sábios da Babilônia durante o reinado de Nabucodonosor (Dn.2.48). Esse cargo, apesar de ter uma conotação espiritual, também tinha implicações políticas, pois também Daniel era governador. Mas aqui (vv.1-3) nós o vemos constituído como um dos “presidentes”. Segundo Grotius, que faz um paralelo com uma função semelhante chamada de “præfecti prætorio”[2] no  império romano, Daniel era uma espécie de alto funcionário onde se prestava contas acerca de questões comercias e de interesses do reino. Toda essa capacidade não vinha de Daniel, mas de Deus, que lhe dotou de um “espírito excelente”.

 Daniel é perseguido (vv.2-5) – Não podemos afirmar a razão pela qual Daniel é perseguido pelos sátrapas e presidentes, mas, conforme percebido em todo o contexto isso tinha haver com sua religião. A xenofobia não é algo rescente[3], os tempos bíblicos provam isso. Daniel havia sido posto em um cargo que despertava cobiça, ele era uma ameaça aos seus inimigos, ou inimigos de Deus. Eles procuram algo contra ele na lei local e não encontram, buscam na Lei de Deus e também não encontram. Será que se essa inquirição fosse empreendida contra nós teríamos o mesmo testemunho?

Enfrentando a malícia dos medos e dos persas 
Alguns detalhes da consecução dessa lei precisam ser considerados aqui, pois vejamos:

Um empreendimento unânime (vv.6-7) – O texto narra que há um comum acordo entre os administradores do império no intuito de formular uma lei no intuito de atingir todos os judeus piedosos. Essa lei não atingiria apenas a Daniel, mas a todos os judeus contrários ao culto idólatra. A proposta desses homens vem cheia de bajulações, tencionando não somente conquistar o favor do rei, mas, sobretudo, aniquilar a influência de Daniel. Tal lei nos lembra de que atualmente muitas outras leis são feitas no sentido de atingir uma parte de uma população e consequentemente destruir os valores cristãos. Nossos dias enfrentam uma situação bem similar e precisamos considerar detidamente o empreendimento dos ímpios nesse sentido.

 Uma lei irrevogável (vv.8-9) – A lei em questão parecia dar ao rei um caráter de perfeição de sua divindade. Uma lei irrevogável parece ser algo que é ratificado por uma perfeição própria de um Deus. O contexto nos apresenta algo típico dos reis antigos, uma reivindicação divina. Logo, os administradores queriam, com essa lei, não somente exaltar o rei, mas perseguir aqueles que não fossem seguidores do rei. Com isso buscavam atribuir a Daniel a acusação de traição.

Os cristãos, em todas as épocas, são acusados de não viverem de acordo com a maioria. Seus conceitos são vistos como incongruentes com as normas aceitas por todos os “civilizados”. Essa tem sido a forma dos inimigos da fé apanharem o povo de Deus. Em nossos dias a mesma artimanha tem sido empreendida. Ela continuará a ser disposta até o último dia, pois tem sido eficaz no sentido de nos reduzir a uma subcultura.

Sendo fiel até a condenação 
A resposta de Daniel (vv.10-16) – A forma que Daniel agiu diante da lei é a única que tem efeito eficaz, a oração. Ele poderia ter lutado para mudar as leis, mas ele também sabia que seria voto vencido, por esse recurso não foi o último e sim o primeiro.

Sua postura em face da oposição também demonstra o caráter desse homem, pois não se acovardou, mas santamente buscou aquilo que lhe distinguia o testemunho de um homem compromissado com o seu Deus. Sua vida piedosa não podia esperar o momento propício, logo, um cristão verdadeiro deve também fazer o mesmo, testemunhar mesmo em condições adversas.

O rei tenciona salvar Daniel, mas a lei que ele próprio assinou era irrevogável e Daniel seria capturado para ser apenado por sua transgressão.

Daniel é lançado na cova dos leões (vv.17-18) – A condenação sentida por Daniel é algo similar a todos aquelas que os verdadeiros crentes têm de passar, o silêncio das ideias e das ações piedosas. O mundo fala de tolerar os desfavorecidos, mas apenas os cristãos precisam e devem ser calados. Falam de amor, mas isso deve ser destinado àqueles que amam as coisas que eles amam. Daniel é lançado na cova dos leões, mas as feras mais selvagens ele enfrentou antes de entrar lá, seus opositores. Assim como nós, que devemos nos preparar para as oposições confiando no Senhor, sendo praticantes de uma fé vívida como foi a fé de Daniel.

Sobrevivendo aos leões pela graça de Deus 
Percebamos que os fatos relativos ao milagre, propriamente dito, têm algumas aplicações importantes para nós, vejamos:

A intervenção divina (v.23) – Em momentos críticos o Senhor nos acode de forma especial. Daniel relata a Dario, que Deus enviou anjos para fechar as bocas dos leões. Isso ocorreu por causa da postura de Daniel diante desses homens ímpios. Ele havia resolvido confiar em Deus, mesmo sabendo da possibilidade de perder a própria vida, logo este propósito não seria desconsiderado pelo Senhor.

A punição daqueles homens (v.24) – O rei tinha se afeiçoado a Daniel. Ele entendeu que a ação dos seus governadores tinha sido forjada no intuito de apanhar Daniel. Ele então, resolve puní-los entregando-os aos leões. Não somente eles, mas todos os seus.

Uma prosperidade continuada (vv.25-28) – Assim como fora nos governos de Nabucodonosor e Belsazar, seu filho. Daniel foi preservado durante o governo do rei ímpio Dario. Não somente ele não sofreu dano, mas o próprio nome do Senhor foi exaltado em razão de seu testemunho (vv.26-27). O verdadeiro cristão usa esses momentos adversos para promover a glória Deus. Ele entende que essas ocasiões são momentos decisivos para mostrar quão glorioso é o Senhor sobre Seus adversários. O testemunho de Daniel tornou-se instrumento de Deus na promoção de Sua glória.

Temos experimentado momentos tão graves quanto aqueles. Talvez não sejamos lançados em covas com leões, mas estamos também sendo exigidos por Deus em nosso testemunho. Será que realmente podemos ser aprovados por Deus quanto a isso e também recebermos o juízo de que em nenhuma lei justa somos apanhados. Será que podemos, como cristãos modernos, sermos reputados como homens que “não tem defeito algum?” Daniel testemunhou de forma dramática a nossa fé. Talvez não cheguemos a esse nível fisicamente, mas é nos exigido o mesmo empenho muitas vezes de forma psicológica ou ideológica. Que saibamos o que o Senhor se agrada e busquemos fazer a Sua vontade, por de Cristo o nosso Senhor, amém.




[1] Literatura profética. Daniel é considerado um profeta maior
[2] http://biblehub.com/commentaries/daniel/6-2.htm
[3] Aversão a estrangeiros, por causas culturais, hábitos e religião.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A igreja e a deficiência física

“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente. Tentei chorar e não consegui”.

Os versos acima fazem parte da música Índios da banda de pop rock brasileiro Legião Urbana. Surpreendentemente o verso mostra uma realidade bíblica acerca da depravação do homem. Vivemos em um mundo que constantemente temos que viver com dores e doenças que nos lembram diuturnamente as mazelas trazidas pelo pecado original. Hoje, 07 de setembro de 2016, terá início as Paraolimpíadas do Rio de Janeiro e gostaria de fazer algumas reflexões sobre o porquê de não nos empolgarmos com a paraolimpíada como nos empolgamos com as olimpíadas.

Um olhar indiferente sobre a dor alheia
Não temos por costume nos preocupar com a dor alheia a não ser que essa dor seja escancarada diante de nós de forma continuada. Vemos homens andrajosos nas ruas, viciados e deficientes e não levamos em consideração a dor que esses indivíduos passam em serem tratados com indiferença pela maioria das pessoas. Basta olhar as campanhas publicitárias das maiores empresas do país e até podemos considerar certa diversidade ao tentar mostrar pessoas de diferentes cores, mas quase nunca vemos pessoas com deficiências físicas fazendo o papel protagonistas dessas campanhas. As novelas, gênero artístico preferido de uma parcela significativa dos brasileiros, também não contam com pessoas que são “especiais”. Geralmente esses são pessoas que gozam de perfeita saúde, tem uma excelente aparência e são “mais vendáveis”, do ponto de vista comercial do produto oferecido por esses segmentos. Nada de pessoas em cadeiras de rodas, cegas ou amputadas nesse segmento. Esses só aparecem na mídia para promover eventos como os jogos paraolímpicos como o que ocorre esse ano em nosso país.


No segmento esportivo acontece o mesmo. Confesso que quando penso em esportes de alto rendimento eu penso em Usain Bolt quebrando todos os recordes imagináveis do atletismo, Michael Phelps aumentando o número de suas medalhas e uma infinidade de pessoas com corpos perfeitos, no melhor momento físico de suas vidas conquistando metas impensáveis para pessoas comuns. Pensar em pessoas com níveis altos de paralisia, cegos e cadeirantes buscando suas marcas não parece algo muito empolgante a primeiro momento para a maioria das pessoas. O fato é que nós estamos cotidianamente sendo lembrados de que o pecado nos afetou grandemente. Eventos raros como esses nos fazem ter esse entendimento. As amputações desses atletas, suas marcas em escala menor de alcance pessoal, suas deficiências nos lembram dessa verdade bíblica e nos fazem considerar que também somos afetados pelo mesmo mal, ainda que não seja algo perceptível externamente.

Os deficientes nas Escrituras
Na Bíblia somos informados primeiramente que alguns personagens secundários eram também deficientes. No Antigo Testamento somos lembrados de Mefibosete, filho de Jonas, amigo de Davi, que aos cinco anos de idade, ao saber da morte de Saul seu avô, a ama que cuidava dele apressou-se em fugir com ele nos braços e o derrubou no chão e Mefibosete ficou manco para o resto da vida (2 Samuel 4.4). Davi o tratou com dignidade e o fez sentar-se em lugar de honra até a sua morte. No Novo Testamento são inúmeros os exemplos. Talvez o mais famoso seja o caso de Bartimeu que era cego e foi curado pelo Senhor Jesus (Mc 10.46-52). Exemplos como esses nos relatam que nos tempos bíblicos a deficiência também era vista em sua complexidade e retratada de forma real e atenciosa. Jesus em Seu ministério terreno deu ênfase especial sobre os deficientes, pois lemos a Seu respeito:

“... e vieram a ele muitas multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou”. (Mateus 15.30)

Havia uma preocupação natural do Senhor em assistir pessoas afetadas pela queda. Endemoniados e pessoas com todo tipo de adversidades causadas explicitamente pela queda eram curadas por Jesus em Seu ministério terreno. Isso mostra como, para o Senhor, restaurar o homem, em sua integralidade, era uma de Suas maiores preocupações.

O olhar da igreja para as deficiências humanas
Talvez estejamos mais afetados pela queda do que percebemos. Talvez não tenhamos problemas físicos aparentes e isso nos faz olhar para esses problemas como se eles não fossem tão graves assim, pois são problemas de outras pessoas e não os nossos. A igreja de Cristo não deveria ser indiferente quanto a tudo isso, pois deveríamos estar familiarizados com todas as dificuldades que a queda nos legou. Ao nos depararmos com pessoas deficientes deveríamos nos perguntar “por que razão não temos um ministério que tente incluir essas pessoas de maneira redentiva em nossas comunidades?”. Sei que existem igrejas que buscam introduzir em seus cultos a linguagem de libras para tornar a mensagem acessível aos surdos e mudos, que existem igrejas exclusivas para esse tipo de público, mas todos os nossos esforços ainda são pequenos em nosso alcance, pois o “mundo doente” em que vivemos tem variedades de inaptidões de todos os tipos. Talvez, ao considerar o que podemos fazer, pouco pode ser feito quando comparamos nossas condições com a obra completa de Cristo para com os deficientes, pois somente Ele tem condições de restaurar a saúde física e espiritual de todos os homens, inclusive de nós mesmos, mas as igrejas cristãs devem se preocupar em também alcançar essa classe de pessoas de maneira que elas se sintam incluídas em nossas comunidades.

Sugestões para a igreja incluir os deficientes
Devemos nos preocupar no alcance dos deficientes. Segue abaixo algumas sugestões para fazer isso:

- Desenvolvermos ministérios que contemplem incluir os deficientes de maneira ampla na igreja;
- Trabalhar um conceito de tolerância na igreja, através de exposições que mostrem o efeito da queda no estabelecimento de deficiências que podem ser melhor compreendidas de uma perspectiva redentiva;
- Dar acessibilidade em nossos templos, construindo rampas, banheiros adaptados e outras ações para incluir os deficientes;
- Trabalhar em setores que estão em idade menor para que não discriminem os deficientes, mostrando o que causou a deficiência naquelas pessoas, fazendo o possível para não constranger a pessoa que serve de exemplo naquela ocasião para os pequenos.
- O desenvolvimento expansivo da doutrina bíblica da queda para que ninguém subestime o alcance destruidor do pecado e as diferentes mazelas que ele nos trouxe.

Olhando adiante
Busquemos falar desse assunto sem com isso pensarmos que estamos nos encaminhando para bandeiras ligadas a uma agenda esquerdista. Até parece que apenas esses setores se preocupam com os excluídos sociais e que setores conservadores são geralmente agentes opressores de nossa sociedade. Devemos ter em vista que trabalharmos com setores que auxiliam os deficientes não nos fazem esquerdistas, mas preocupados em glorificar a Deus, assim como o Senhor Jesus Cristo se importou. Fazermos a missão da igreja também nos faz levar em consideração viabilizarmos uma conduta de acolhimento de pessoas com deficiências físicas. Que possamos ver em nosso país o crescimento de igrejas que possam desempenhar, de forma satisfatória, tão urgente tarefa.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Refugiados, um assunto indigesto em um momento crítico


“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” Mateus 5.43-44

Talvez ao considerar temas atuais cometamos sérios riscos em sermos rasos em nossa abordagem em razão de estarmos trabalhando num tema ainda em desenvolvimento ou mesmo estejamos concebendo argumentos não muito conclusivos para uma futura abordagem crítica em anos posteriores, depois que todas as conclusões forem observadas e consideradas sem nenhuma emoção. Porém, entendo que é função da igreja não ser parcial em momentos críticos. Os gigantes de nossa fé em tempos passados nunca foram parciais em suas considerações, pelo contrário, eles estavam, à medida que os fatos ocorriam, se posicionando e isso de forma conclusiva. Suas opiniões mesmo hoje em dias atuais são endossados por uma sobriedade imensa, mesmo depois de todas as considerações de historiadores com opiniões mais diversas, seus posicionamentos ainda hoje nos ajudam a caminhar seguros, tendo a certeza que tais homens honraram sua vocação.

Tenciono com a minha consideração de hoje falar acerca de um tema que recentemente tem ocupado lugar de proeminência na mídia em geral, o dilema dos refugiados. Refiro-me ao fato de que ondas cada dia mais intensas de homens, mulheres e crianças buscarem abrigo em países ocidentais. Esses, em sua maioria de origem síria[1], buscam oportunidades de entrarem na Europa, bem como alcançar países como os EUA onde possam levar adiante suas vidas.

É perfeitamente compreensível que assim seja em razão da terrível guerra civil que acometeu aquele país e que ainda hoje tem contribuído com terríveis consequências para aquela população de um modo geral. Forças contrárias ao presidente Bashar al-Assad, durante o período que foi considerado a “primavera árabe” no ano de 2011, tentaram removê-lo do poder e isso fez o país ser abalado com um fenômeno apenas comparável, em número de pessoas deslocadas com a segunda guerra mundial. Países do norte da África também engrossam esses números, mas estes com motivos diferentes dos sírios em geral pela crise humanitária e pela falta de recursos básicos para a população.

A Europa é um continente com uma população envelhecida. Setores como indústria, comércio e serviços, necessitam de uma mão de obra que seja prioritariamente jovem e os refugiados de países em crises humanitárias se qualificam neste particular. Resolve-se o problema da economia, mas por outro lado, intensificam-se os problemas étnicos e sociológicos. A Europa em seu avançado processo de secularização e abandono do cristianismo há muito espera ver-se livre da religião. Entre os muçulmanos, extremamente práticos e fervorosos em suas crenças, isso seria impensável. Os embates culturais nesse quesito religioso é inevitável. A Europa ao abrir suas portas para um mundo “multi-cultural”, choca-se frontalmente com os projetos de “Jihad”[2] dos islamitas, que considera a expansão do islamismo ou pela conquista ou pela guerra uma de suas principais prioridades. Nesse contexto podemos listar o florescimento de visões radicais do islã como “Estado Islâmico” que tem um forte apelo entre os jovens. Muitos deles nascidos na Europa, mas com desejo de lutar pela Jihad, principalmente por se verem excluídos das políticas públicas dos governos europeus e considerados cidadãos de segunda classe, por não fazerem parte dos valores continentais.

Diante disso gostaria de considerar como a igreja de Cristo pode contribuir numa reflexão que visa buscar soluções, no sentido de analisar biblicamente as implicações multi-culturais em que estamos submetidos. Qual a melhor forma de sermos missionais no alcance desses povos que a cada dia estão mais perto de nós, pois também o governo brasileiro tem um projeto de aceitação de refugiados sírios e de outras nacionalidades, muitos de origem muçulmana. Busquemos isso através das seguintes considerações:

Os muçulmanos são nossos inimigos?
Se analisarmos friamente a questão seremos forçados a deduzir que os islâmicos são uma ameaça para a fé cristã, pois desde as cruzadas na idade média, ou mesmo antes disso, o islamismo soterrou tradições seculares de cidades e países cristãos. Recentemente grupos como o Estado Islâmico em sua divulgação midiática mostrou a extrema intolerância para com a diversidade religiosa, assassinando cristãos e exibindo a carnificina de modo triunfante. Sim, respondendo a pergunta de modo frio, eles são inimigos da fé cristã nesse particular. Mas existe um lado desse embate que precisamos considerar, a mesma Bíblia que fala dos inimigos do Evangelho é a mesma que menciona o amor aos inimigos.

Foi no contexto de como tratar o nosso próximo que o Senhor mencionou a parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-36). Na parábola somos informados que o samaritano, um povo inimigo dos judeus, auxiliou um homem que provavelmente era um judeu, após esse ter sido espancado e assaltado, ficando a beira da morte. A ênfase na parábola não reside somente nas boas ações do samaritano ao cuidar e prover para o homem, mas no fato de aqueles que eram ligados a verdadeira religião, o sacerdote e o levita terem “passado de largo” diante do sofrimento do homem. Evidentemente tal ênfase tencionava mostrar que as ações de alguém odiado como o samaritano, seriam consideradas como se fossem essas pertencente ao povo eleito, pois eram dignas do evangelho, ainda que o contexto não mencione doutrinas como a justificação, eleição ou santificação do samaritano. Para o Senhor as ações desse homem revelam o real entendimento do Evangelho como amor ao próximo e aos inimigos, logo servem de referência para nós no tema que estamos abordando.

Não importa tanto se eles são capazes de nos matar. O Senhor espera uma postura distinta nos cristãos. Aqui não estou questionando o direito à guerra legítima, fato que já estive abordando aqui em outra ocasião, mas como reagirmos diante daqueles que não conhecem coisa alguma senão a linguagem do ódio. Eles foram ensinados que deveriam reagir aos cristãos, odiando seus valores e condenando tudo o que tivesse uma conotação cristã. Nos países cristãos podemos mostrar que ações pautadas nas Escrituras realçam o verdadeiro Evangelho. Logo, não devíamos evitar o confronto, mas estarmos dispostos a “correr” certos riscos para vermos nossa obediência ao Evangelho sendo posta em prova.

Os valores ocidentais estão sendo ameaçados
Entendo que o avanço islâmico sobre a Europa é até irreversível. Na realidade o envelhecimento da população europeia, contrastando com a alta taxa de natalidade dos islâmicos tende a fazer com que os islâmicos sejam mais bem sucedidos, em longo prazo, no sentido de sepultar a cultura ocidental em alguns anos. Além do fato do estabelecimento secular da sociedade europeia contribuir diretamente para o seu declínio em poucas gerações.

A não ser que algo seja feito para reverter esse quadro e isso seria um movimento soberanamente administrado pelo Senhor e não produzido por homem algum como um reavivamento, a situação da Europa é deveras preocupante. Logo, usar essa desculpa para exterminar os inimigos do ocidentalismo não é suficiente. Só posturas que tem a ver, sobretudo, com o retorno da religiosidade dos europeus para os valores cristãos poderiam frear o avanço islâmico. As armas podem até fazer algum efeito, porém, não produzirão grandes resultados. Em minha opinião é necessário que aqueles que ainda guardam fidelidade ao Senhor em solo europeu, busquem viver o evangelho de forma plena, de maneira que isso possa ser aprovado por Deus. Quem sabe com isso, no futuro, tenhamos um derramar de Deus sobre os europeus e também sobre os refugiados.

Alguns bons exemplos disso está ocorrendo na Alemanha. Recentemente em uma reportagem do portal Gospel Prime, relatou o crescimento da igreja alemã contando principalmente com pessoas provenientes de países muçulmanos. Esse quadro pode significar uma mudança de rumo no cristianismo europeu, mas também pode não ser garantia alguma de que seja algo concreto. O fato é que o Senhor continua a usar o Evangelho para mostrar a sua graça a povos excluídos, como são no momento os refugiados na Europa. Ainda que o continente lhes abra as portas, ainda assim são vistos como povo de segunda classe, uma mera força econômica que ajudará a Europa a avançar economicamente.

O papel da igreja para com os refugiados
Várias ações podem ser desenvolvidas no sentido de glorificarmos a Deus em um empreendimento missionário que tenha como foco os refugiados. Analisemos quais dessas ações podem ser feitas:

1.   Proclamar o Evangelho aos refugiados. Muitas dessas pessoas seriam inacessíveis se elas continuassem a residir em seus países. Geralmente muito fechados no contexto religioso, pois contam com uma rede interminável de observadores que perseguem os cristãos de modo a leva-los a tribunais, desestimulando os cristãos em proclamar a fé nesses locais. Ao virem para países cristãos essas pessoas são mais suscetíveis à proclamação, pois essa rede de observadores não tem o mesmo efeito. Mesmo a perseguição é diminuta, pois isso só ocorreria em seu grupo étnico e não afetaria completamente os novos convertidos.
2.   A preparação de missionários para o envio aos seus países de origem. Ainda que saibamos que ao enviar missionários cristãos a países de origem muçulmana seja praticamente inviável, aqueles que são da mesma origem racial desses países seriam mais efetivos em suas ações nesses países. Pessoas identificadas com a cultura ocidental teriam dificuldades de adaptação nesses lugares, bem como, seria logo identificados, sendo alvo fácil para a perseguição dos nativos. Aqueles que forem preparados para retornar ao seu contexto podem muito bem sofrer perseguições semelhantes, mas serão mais efetivos em curto prazo, podendo dessa forma implantar a semente do evangelho mais prontamente. A preparação acadêmica desses irmãos depende do empreendimento dos mestres que existem em nossa cultura, que devem ser sensíveis a um contexto tão amplo e desafiador.
3.   O envolvimento social da igreja. As igrejas também podem se envolver de modo a contribuir com o governo e outras organizações no sentido de dar assistência aos refugiados. A prática cristã, sem dúvida alguma, é melhor exercida no dia a dia, submetendo o evangelho que cremos a testes diários de rejeição e indiferença. Sentimentos que nos fazem ter a certeza de que enquanto existir a oposição existe ainda muito campo para se trabalhar.
4.   A promoção de uma cultura de paz. Os cristãos não deveriam engrossar o discurso racial fervoroso desses certos movimentos “ultra nacionalistas”. Ainda que isso possa ser confundido com zelo pela cultura e ideologias aceitáveis, eles inflamam nossa conduta para com o nosso próximo e certamente nos impede de pormos em prática os princípios cristãos de amor ao próximo e ao nossos inimigos.


Nossa conduta revelará a nossa compreensão do Evangelho
Finalmente, não podemos nos silenciar diante de mundo em tão grande queda. Deus nos tem chamado a vivermos o Evangelho com todos os desafios e dificuldades em nossa geração. Assim como em outras épocas, os cristãos atuais precisarão se pronunciar diante desses desafios. Devemos fazer isso não somente porque é um tema atual, mas porque pessoas estão morrendo em travessias perigosas pelo mar. Estão se radicalizando em guetos das grandes cidades europeias e se tornando terroristas e isso tudo debaixo dos nossos olhos. Enquanto tentarmos tão somente nos proteger isso não nos fará levarmos o evangelho as suas consequências missionais. Viver conforme os princípios do Evangelho são nosso desafio para hoje e para qualquer época. Que não sejamos omissos com respeito a nossa responsabilidade, amém.




[1] Estima-se que algo em torno de 11 milhões de sírios buscam refugio atualmente.
[2] Jihad é um termo árabe que significa “luta”, “esforço” ou empenho. É muitas vezes considerado um dos pilares da fé islâmica, que são deveres religiosos destinados a desenvolver o espírito da submissão a Deus. O termo jihad é utilizado para descrever o dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana.

sábado, 27 de agosto de 2016

Desapontados com a igreja

Estou certo de que nunca deveríamos nos ver desapontados com a igreja de Cristo. Afinal de contas ela é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade, a assembleia dos fiéis, a colônia do Reino de Deus neste mundo. Porém, um fenômeno bem comum em nossos dias é a decepção com a igreja, desde os movimentos como os "desingrejados" e pessoas que simplesmente não conseguem se ver de forma confortável no corpo de Cristo. Algumas explicações talvez nos ajudem a entender esse fenômeno comportamental tão perceptível em nossos dias:

Desapontados com os líderes eclesiásticos  
Em geral essa decepção tem a ver com a dificuldade encontrada nos líderes eclesiásticos em reproduzirem o modelo de liderança esboçado por Cristo. Nesse aspecto existem uma enormidade de exigências onde aqueles que deveriam pastorear o rebanho de Deus são indiscutivelmente incapacitados. Nenhum pastor deve ter a pretensão de se equiparar a esse modelo altíssimo, porém, os princípios dessa liderança devem nortear o ministério cristão. Esse padrão ministerial só pode ser identificado ou buscado por aqueles que conseguem ter uma visão bíblica acerca do ministério cristão, ou seja, essas pessoas são geralmente mais experimentados na fé cristã, pois também conseguem ver que nossas fraquezas podem ser supridas por um chamado obediente e fiel, mesmo que jamais sejam completos em si mesmo. Aqueles que alcançam essa condição conseguem ver que seus pastores não são perfeitos e que por essa razão eles devem estar dispostos não somente em permanecer na igreja onde os pastores não são perfeitos, mas que também devem ajudar a sua liderança no desenvolvimento de uma igreja que possa avançar para os propósitos escriturísticos, conforme ensinado na Palavra de Deus.  Isso fará desenvolver também o companheirismo cristão, onde líderes e liderados se ajudem mutualmente para glorificar a Cristo com seus dons e fraquezas.

Mas há também aqueles que não conseguem analisar o ministério por essa perspectiva, mas talvez movidos por ideias contrárias às Sagradas Escrituras, atribuíram aos seus mentores espirituais características contrárias a aquelas necessárias no ministério bíblico. Esses talvez foram atraídos pelo culto à personalidade, o entendimento de dependência desses líderes para reger as suas vidas espirituais, bem como confiaram nestes no sentido de vê-los como padrão de sucesso, conforme a maioria das igrejas que assimilam a teologia da prosperidade. Esses que se viram admirando esses ministérios perceberam que as expectativas postas sobre esses homens se mostraram como algo inexistente. As aspirações eram grandes em demasia e os seus líderes estavam longe da mensagem que pregavam, por essa razão deixaram as suas igrejas para talvez procurar por algo que de novo os cative e os faça sentir as mesmas aspirações inalcançáveis que outrora depositaram naqueles.

Desapontados com a vida religiosa 
 A vida cristã que, a princípio foi posta de maneira cativante diante dos seus olhos, não provou ser algo para empreender uma jornada a longo prazo. Muitas pessoas entram na igreja por que estavam passando por momentos críticos. Elas se afeiçoaram a mensagem da graça pregada nas igrejas que as fazeram buscar de imediato uma solução para os seus problemas e alguns, de fato, conseguiram esse lenitivo. Cristo, então, recebeu o status de solucionador de problemas como desemprego, frustrações amorosas ou em problemas familiares. Enquanto as pessoas estavam, talvez vivendo os piores momentos de suas vidas, elas encontram na mensagem cristã um paliativo para se verem livres dessas crises, mas tão logo as crises foram arrefecidas ou resolvidas, esses deixaram de ver a fé cristã como útil ou eficaz. Ficar na igreja depois de ter resolvido os problemas pareceu ser desnecessário, por isso elas abandonaram a fé ou mesmo permaneceram apenas como se quisessem satisfazer uma obrigação, algo como uma gratidão forçada e nada mais. Permanecem no rol de membros de suas igrejas, porém, há muito já não sentem nenhuma vivificação espiritual e não conseguem se manter adequadamente encaixadas nas demandas da fé que se lhes apresentam de forma rotineira. Chega a ser uma apostasia parcial, pois deixaram a Cristo no coração, ficando apenas por mera questão geográfica.

Desapontados por não verem suas perspectivas sendo satisfeitas 
Outros são mais práticos, pois vieram para a igreja para serem supridos em demandas bem definidas como sucesso econômico, realização pessoal e outras. Durante o tempo que permaneceram na igreja tiveram bons momentos onde puderam ter um pouco dessas expectativas supridas e quando as conseguiram viveram felizes com a sua fé, mas quando essas demandas foram aos poucos chegando a um nível razoável de acomodação ou de realidade eles simplesmente abandonaram o entendimento de buscar essa satisfação no corpo de Cristo e migraram, interesseiramente para algo mais atrativo ou fora da igreja em algum segmento que lhes pudesse satisfazer em suas expectativas egoísticas. Esses de fato saíram geograficamente das igrejas e hoje permanecem à margem de uma vida religiosa aceitável. Criticam a tudo que tem algum tipo de identificação com a igreja, pois veem a igreja como um ambiente falho durante o momento que permaneceram por lá, por isso são ferrenhos opositores de uma vida eclesiástica saudável.

A verdadeira estabilidade espiritual na igreja
Não podemos negar que nem sempre estamos convencidos das nossas reais motivações quando procuramos uma igreja. Realmente alguns de nós procura a igreja para resolver problemas que nos afligem e por motivos corretos ou não o discurso religioso nos atrai. Porém, manter essa perspectiva quando conhecemos o evangelho genuíno é algo realmente contraditório. O Evangelho tem como objetivo, em algumas ocasiões, frustrar muitas de nossas expectativas arrogantes. Somos confrontados com nossa real noção de nós mesmos e isso pode nos levar a considerar como estávamos longe de um patamar aceitável de uma visão de nós mesmos. Estar na igreja pode nos levar, na prática, a lidar com conflitos internos e externos que na filosofia do mundo onde vivemos jamais foi concebida da perspectiva bíblica que nos fará a compreender nossos dilemas. Mesmos nos dias da carne do nosso Senhor Jesus Cristo, multidões o procuravam por motivos interesseiros e muitos até mesmo queriam segui-Lo apenas para serem satisfeitos em demandas infindáveis e pecadoras. Hoje não é diferente. A ingratidão ou abandono de igrejas bíblicas é perfeitamente compreensível e esse fenômeno tende a crescer naqueles que se fundamentaram por essas razões. Graças a Deus que a igreja ainda consegue atrair pessoas como nós que mesmo que tenham vindo a ela por motivos não muito razoáveis, ainda sim encontraram o sentido para as suas vidas aos pés de Cristo. Que a igreja continue a destruir impressões erradas que a eleição divina continue a separar o joio do trigo, mesmo nesses dias confusos.

sábado, 27 de junho de 2015

Casamento Gay. O que os pais cristãos devem fazer?

Como você já sabe, o casamento homossexual foi legalizado em todos os 50 estados dessa nação (EUA). Se você tem filhos, eles agora vão crescer em uma cultura que reconhece a legitimidade da homossexualidade. O que os pais devem fazer em resposta ao desafio de criar seus filhos numa situação como essa?

1. Uma Conversa honesta e aberta com suas crianças sobre o pecado, homossexualidade e casamento entre homossexuais. Nós vivemos em um mundo pós-Gênesis capítulo 3. Devido a isso, o pecado é uma realidade, tanto em nossas vidas, como nas vidas de nossos filhos. Parte do objetivo da educação cristã é ensinar nossos filhos a amar a Deus e odiar o pecado. Usando uma boa consciência como um pai, o discernindo e a adequação disso à idade de nossos filhos. Fale abertamente com eles sobre a homossexualidade e o casamento gay. A menos que você viva nas montanhas e não dispõe de tecnologia, bem como, seus filhos não disponham de nenhum amigo, eu lhe asseguro que eles estarão conversando sobre esse assunto com os seus amigos rapidamente. A propósito, crianças de seis, sete e oito anos já estão tendo conversas dessa natureza em salas de aula, no recreio e nos pátios de suas escolas. Os coleguinhas de seus filhos podem até mesmo ter duas mães ou dois pais. Em muitas ocasiões os pais não desejam que esse problema seja discutido com seus filhos até que estes cheguem a certa idade no ensino médio ou depois. A essa altura já será tarde demais. Use a sua consciência, o Espírito Santo, e a senhora Sabedoria para falar honesta e abertamente sobre este assunto com as seus filhos.

2. O modelo de um casamento para os seus filhos é uma imagem do Evangelho. Como Owen Strachan define (Presidente da CBMW): "Vamos nos permitir que esta decisão que chocou a todos nos traga reflexão e possamos fazer um balanço da decisão de forma pessoal. Vamos usá-la para nos dar motivação e nos fazer escavar em nosso casamento para verdadeiramente amar a dádiva de Deus no casamento e o amor por nosso cônjuge. Vamos nos comprometer a amar nossos filhos de uma forma distintamente bíblica. Que esta decisão da Suprema Corte desperte o povo de Deus a mostrar a beleza da complementaridade como nunca antes, para explicitar a união do Noivo em Seu amor e auto sacrifício para com sua noiva (a igreja), em uma amorosa exibição do IMAX(Imagem em alta resolução) onde quer que estejamos. "Como Strachan alude, o lar é o ambiente fundamental onde ensinamos os nossos filhos a aprender o evangelho e vê-lo modelado. Vamos nos comprometer e nos reengajar em nossos casamentos antes de qualquer outra coisa. Vamos ser exemplos para os nossos filhos com a plenitude do evangelho em nossos casamentos e que eles sirvam de modelos em liderança, submissão, graça, arrependimento e restauração.

3. Ensine os seus filhos os fundamentos bíblicos para o casamento. Ensine seus filhos os princípios do casamento segundo Gênesis 1-2, os mistérios da relação entre Cristo e a Igreja em Efésios 5, e como o casamento, em última instância se tornará vitorioso quando Jesus voltar em Apocalipse 19. Fale disso muitas vezes a seus filhos. Mostre a eles, repetidamente, fotos e vídeos do seu próprio casamento. Nunca fale mal sobre o casamento na frente deles. Eleve o casamento a uma atitude de prioridade.

4. Ensine os seus filhos os fundamentos bíblicos para o sexo. Muitos pais estão esperando até o final do ensino médio para falar com seus filhos sobre sexo pela primeira vez. Mais uma vez eu reafirmo; em minha opinião esta hora é tarde demais. Gostaria de encorajar essa conversa para algo próximo da 4ª, 5ª, ou 6 ª série do ensino fundamental. Uma dica para começar verdadeiramente esta conversa sobre sexo com os seus filhos é chamar a todos os membros da família, para aquilo que é chamado de “fim de semana da pureza”. Leve seus filhos em algum lugar divertido, façam as coisas mais caras (porque este fim de semana deve ser incrível) e comece a falar sobre sexo com eles. Repare no que eu disse “comece”. Esta não será uma única conversa sobre isso. Isso precisa ser uma discussão em curso com os seus filhos por um bom tempo

5. Proteja os seus filhos das influências da pornografia. Como um guerreiro lutando contra seu inimigo no campo de batalha, os pais podem lutar para proteger seus filhos das influências da pornografia! Esta não é uma tarefa fácil. Alguns pesquisadores afirmaram que a idade média da primeira exposição à pornografia é abaixo de oito anos. Oito! Vou repetir, oito anos! As crianças podem acessar pornografia em qualquer dispositivo em casa hoje (telefones celulares, televisão, iPads, computadores, sistemas de jogos, e mais). O que é mais, conveniente é dispor de um ótimo software de filtragem que você pode colocar em seus dispositivos. Ensine a seus filhos a razão porque este software de filtragem está em seus dispositivos. Não é porque você não confia neles, a razão é porque eles estão instalados é porque os pais desejam colocar grades de proteção em suas vidas, de forma esmagar completamente qualquer forma de tentação ao pecado.

6. Ore fervorosamente com suas crianças. Como as influências da cultura fluem mais para perto de nossa porta como nada parecido, vamos orar fervorosamente para que os corações e mentes de nossas crianças sejam preservados. A batalha não é contra carne e sangue, mas contra as forças espirituais do mundo (Ef. 6:12). Oremos para que Deus a proteja, e construa em nossos filhos uma mentalidade de embaixadores pertencentes a Ele, a fim deles serem eles enviados ao mundo, para a glória do Seu nome (2 Cor. 5:20).

7. Uma Parceria com a igreja local centralizada no evangelho  fará com que juntamente com você a igreja seja levada a ensinar as verdades da Escritura. O discipulado principal acontece nas casas de famílias crentes, mas a igreja é o local onde também se deve fornecer recursos para equipar e construir sua família. Então, muitas vezes, os pais veem a igreja local como centro de discipulado, a igreja não é esse local. Como pais, entendamos que isso é o nosso trabalho. A igreja local deve caminhar ao nosso lado na tarefa de ensinar os nossos filhos sobre as verdades da Escritura. Se não há um em sua cidade igrejas assim, deixe-nos saber, e talvez nós possamos ajudá-lo a encontrar uma.

8. Ensine seus filhos os papéis dos gêneros. Você deve ensinar a seus filhos sobre os modelos bíblicos de casamento e a união desse modelo para o bem deles. É importante ensinar os papéis dos gêneros de maneira bíblica a nossos filhos também. Os homens são projetados por Deus para serem líderes, provedores e protetores de suas casas. As mulheres são projetadas por Deus para serem auxiliadoras e nutridoras de suas casas. Homens e mulheres são iguais em dignidade e valor, porém, seus papéis são diferentes em função. Isto é o complementarianismo em potencial.

9. Treine os seus filhos em direção à corajosa masculinidade e feminilidade bíblica. Ser um homem que pratica as marcas da masculinidade bíblica madura é completamente contra-cultural e da mesma forma para as mulheres que praticam feminilidade bíblica de maneira madura. Somos chamados por Deus para transmitir as verdades da masculinidade e da feminilidade para as próximas gerações (Tito 2). Nós passaremos estas verdades e as suas características para elas através do ensino e do testemunho fiel.

10. Não entre em pânico. Acredite em Deus. Ele ainda está no controle. Seu plano será ainda vitorioso. O céu não está caindo. O mundo não está indo para o inferno. Deus ainda está no controle. Vivamos com essa postura ousada. Converse com seus filhos sobre esta questão como você faria sobre qualquer assunto. Como cristãos, somos "enviados para" o mundo a fim de buscar a redenção deste mesmo mundo (Rom. 8) e devemos também ser instrumentos usados ​​por Deus para a edificação da Sua Igreja (Mat. 28: 16-20). Lembre-se, somos "enviados para" o mundo por nosso Comandante-Chefe, armados apenas com a Verdade e o amor. Aguardamos Seu retorno triunfal. Para os cristãos, nada muda. Teremos a mesma mentalidade. A mesma postura. A mesma missão. O mesmo Rei vitorioso. Quando entendemos isso, perceberemos que o amor (e a Verdade) sempre vencerá.


Greg Gibson é um missionário e pastor de família em Foothills Igreja em Knoxville, TN. Ele é o editor e diretor executivo de comunicações CBMW. Greg é o autor de " Date Different: A Short (but honest) Conversation on Dating, Sex, & Marriage for Teenagers (and their parents)." Siga-o no Twitter em @ greggibson86.

Postagem Original em http://cbmw.org/public-square/parenting-in-a-gay-marriage-world-what-should-christians-parents-do/

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O dano do extremismo e o caos da alienação mesmo as bem intencionadas

As mídias sociais, há quase uma semana estão inundadas de assuntos relacionados a chamada “marcha gay” ocorrida recentemente na cidade de São Paulo. Onde um travesti, seminu, interpretou uma versão de um crucificado, tendo como objetivo atingir o público religioso, o principal oponente desses movimentos em nosso país. Muitas opiniões têm chegado ao nosso conhecimento e principalmente textos enfurecidos, onde os evangélicos afirmam que tiveram sua fé vilipendiada pelo movimento gay. Depois de considerar todos os lados envolvidos, menos aqueles que se referem ao próprio movimento LGBT que não divulgou nota alguma sobre o episódio, nem os organizadores da marcha, nem mesmos os seus diretórios estaduais. Penso que cabe uma palavra de reflexão sobre o assunto, até mesmo depois que ouvi renomadas figuras evangélicas nacionais opinarem sobre o mesmo. Considero as seguintes conclusões sobre isso tudo.

1) O movimento gay como conotação ideológica – O movimento conhecido como “movimento gay”, nitidamente propõe um doutrinação ideológica de suas práticas. Encontrando adeptos tanto naquilo que é no âmbito político como “liberalismo”, como no caso do partido democrata nos EUA, em partidos de bandeiras vermelhas como o PSOL e o PT em nosso país. Em comum, existe o entendimento do estado laico, ou seja, que as normas de uma nação não podem ser direcionadas por nenhuma confissão religiosa. Em nosso país, desde a afluência do partido dos Trabalhadores ao poder, uma campanha maciça tem sido orquestrada para implementar aquilo que ficou denominado de “agenda gay”, onde as diversas agremiações homossexuais contam com o apoio público para empreender uma doutrinação homossexual a partir da infância, em crianças de idade escolar, influenciadas pelo Estado Brasileiro. Esse apoio estatal faz com que cartilhas sejam confeccionadas com esse objetivo. No centro do debate está o cerne comum entre essas divergentes ideologias políticas como a secularização da sociedade, onde, como é perceptível, o movimento gay penetra nas brechas fornecidas por uma sociedade que gradativamente se afasta das Escrituras Sagradas, com recursos financiados pelo Estado. Em minha opinião, temos algo de culpa nisso tudo como igreja. A demora dos líderes ao perceberem esta orquestração ideológica foi a causa do atual embate que hora enfrentamos. Tanto nos EUA como por aqui, aconteceu o mesmo. Quando os cristãos deixaram de influenciar a sociedade pela sua cosmovisão bíblica. Sistemas secularistas se apropriaram de setores como a educação e a política e isso com o consentimento de muitos líderes cristãos. Hoje existe um confronto direto e não sabemos se nessa guerra os conceitos milenares serão preservados uma vez que existe o apoio da mídia nessa questão, favorável aos gays.

2) O movimento gay é altamente midiático – Sem dúvida nos faltará espaço para citar aqui toda essa revolução empreendida com sucesso pelos proponentes gays. Eles estão entranhados na cultura midiática disseminada por Hollywood, onde por exemplo, filmes com a temática homossexual ganham em projeção. O filme Milk, traduzido no Brasil como “A voz da igualdade”, interpretado por Sean Penn, retrata a vida do político americano chamado Harvey Milk, foi vencedor do prêmio Oscar em 2008 nas categorias melhor roteiro original e melhor ator, além de ser indicado para seis outras categorias.
Filme vencedor do Oscar em duas
categorias, Melhor ator e melhor
roteiro original


















Desde filmes como “Priscila, a rainha do deserto” e “Brukeback Montain”, Hollywood tem empreendido lançamentos, com algum sucesso cinematográfico.
O estilo clássico do ícone americano masculino
Velho Oeste narrando um relacionamento
Homossexual


No Brasil, o que hora percebemos, é a influência da Rede Globo de Televisão, que tem investido espaço no horário nobre de suas telenovelas a personagens gays que recebem algum sucesso de tempos em tempos como o “Capitão Gay”, interpretado por Jô Soares no Programa Viva o Gordo na década de 80
Capitão Gay no Programa Viva o Gordo
, até o sucesso estrondoso de Félix Khoury da novela “Amor à vida” interpretado por Mateus Solano. Essa novela foi a primeira a exibir um beijo gay na TV brasileira por essa emissora. Além do fato, que a partir do sucesso obtido, quase todas as tramas contam com um personagem homossexual, que sendo, afirmam os escritores, refletem um segmento crescente da sociedade brasileira.
Félix na novela "Amor a Vida"



3) O movimento gay não tem confissão religiosa – Apesar de, evidentemente, cada indivíduo ter sua confissão particular, o citado movimento não busca angariar o apoio dos religiosos. Mesmo estando em um país predominantemente religioso, com números perto dos 90% da população, o movimento prefere empreender uma batalha ideológica com os religiosos. Nos principais nomes odiados pelo movimento gay figuram nomes como o pastor Silas Malafaia e o deputado, também pastor Marcos Feliciano. Nesse particular, o movimento se distancia da tática empreendida pelo movimento americano, que conta com o apoio de denominações inteiras como a PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos), que acolhe em sua membresia homossexuais e pastores com essa orientação. No Brasil o movimento prefere atacar, os pastores e suas denominações. Como foi o caso da recente marcha do orgulho gay realizada na cidade de São Paulo onde um travesti de alcunha “Viviane Beleboni” encenou um crucificado. Tal atitude teve reverberações imediatas tanto de evangélicos como de católicos e isso demonstra a ruptura do movimento em conseguir o apoio evangélico e romanista.

Extremismo e Alienação
Em minha perspectiva a igreja, genuinamente cristã, nunca se tornou e nunca se tornará um empecilho para a entrada de pecadores. O chamado evangélico para o arrependimento é igualmente destinado para homens e mulheres héteros e também homossexuais, apesar desta distinção não ser determinada pela Palavra. Os pecadores são identificados como a grande massa humana afetada pela queda original, isso independe de que maneira eles são rotulados de acordo com os seus pecados.

Há, no entanto, sempre o risco de cometermos exageros extremistas e alienação coletiva, quando incitamos o ódio aos nossos semelhantes. Não apenas ao grupo em questão, mas a todos os outros que pensam diferente de nós. Os países onde os cristãos são maioria, sempre estiveram no centro daqueles que mais dialogaram com as oposições. Não somos como o Estado Islâmico que mata os “infiéis”, mas toleramos as divergências, mesmo tendo posições firmes e contrárias em muitas opiniões. Quando observo irmãos, falando de orações imprecatórias e ódio a uma classe específica, não consigo dissociar daqueles trágicos eventos na história da humanidade, onde o contraditório foi destruído por ideias religiosas e políticas e que tanta dor causaram em suas épocas. Como pastor, recomendo o debate franco e respeitoso, mesmo sabendo que esse pode não dar em algo útil, do ponto de vista do efeito, pois sabemos que aqueles que andam nas trevas, podem não aceitar o “escárnio da cruz” e darem de ombros para os seus próprios pecados. Mas também, é evidente, existe o outro lado da moeda, pecadores desejosos por conhecer a Cristo genuinamente, podem estar nas fileiras do movimento gay e não proponho aqui uma cura para os gays, mas que eles deixem seus pecados aos pés de Cristo, mesmo aqueles que eles tanto amam, como nós também devemos depositar. Que Deus nos livre do discurso de ódio de tantos oportunistas. Que o Senhor nos conceda a mesma misericórdia existente em Cristo, que foi conhecido como amigo dos pecadores, eis a razão de estarmos hoje em Sua graça. Perdoados e redimidos por Aquele que estende seu amor ao mais vil pecador.

Com essa opinião não busco atenuar os graves incidentes ocorridos na marcha, pois tais ações foram graves e extremamente ofensivas, mas busco refrear, pelo menos em mim mesmo, algo que me remeta aos princípios evangélicos extraídos das Santas Escrituras. Os homossexuais não são meus inimigos. Ele não estão na classe denominada "principados e potestades, que é mencionado em Efésios 6, mas sim na classe denominada sangue e carne, logo, precisarei manter focado o meu evangelismo, caso contrário, não poderei alcançá-los pelo Evangelho, pois o entrave será meu ódio a eles, aliás, o mesmo que eles parecem defender quando afrontam símbolos cristãos. Que Deus nos livre de sermos empecilhos para a obra de Deus seja em que for, que Ele nos leve a sentir a mesma misericórdia que um dia nos alcançou.