terça-feira, 11 de julho de 2017

CONHECENDO O CONCEITO ENCARNACIONAL DE MISSÃO DA IGREJA


A encarnação de Cristo nos possibilitou conhecer a divindade e sua gloriosa existência. Assim proclama o Evangelho de João em seu primeiro capítulo, verso 14. A encarnação de Cristo é celebrada na maior festa da cristandade, o natal. Jesus, como afirmam alguns “tabernacula” conosco ao vir a esse mundo, viver 33 anos entre seres caídos e retorna para o Pai, não sem antes demonstrar a gloriosa perspectiva da divindade e não somente isso, mas também deixa lições profundas para a igreja em todos os tempos, a necessidade de sermos encarnacionais em nossa mensagem ao mundo.

Há pouco tempo tenho me deparado com conceitos advindos da igreja missional e esses conceitos têm me ajudado a compreender a necessidade de termos uma igreja mais atuante nesse mundo. Alguns estudiosos, de dentro e de fora da igreja, têm comentado acerca daquilo que é denominado de período pós-cristandade e também outro termo correlato seria pós-modernidade. Os dois termos abordam expectativas que indicam um movimento de abandono da influência do cristianismo no mundo ocidental. Esse abandono torna a cultura hodierna em uma afluência ao ceticismo e porque não dizer ao neo-paganismo. Outros nos lembram duma ideia que se esvai, deixando um vazio que ao se deixar é logo preenchido por outra ideia que se posiciona de forma subsequente, portanto, podemos ter certeza que o movimento de abandono dos padrões cristãos no Ocidente já estão sendo preenchido por conceitos pós-cristãos, alavancados pela pós-modernidade.

Alan Hirsch descreve da seguinte forma o conceito encarnacional em sua página no facebook[1]:

Eu uso a palavra (encarnacional) para descrever esse modo de engajamento missionário que leva a sugestão da doutrina da Encarnação de Deus em Cristo. Se missional se refere à nossa "sentença" como crentes / igreja, então encarnacional dá forma a entendermos como devemos nos envolver nessa missão. Deus veio ao mundo em um ato de identificação profunda, não só com a humanidade como um todo, mas com um grupo particular de pessoas. Que Ele estava na vizinhança por 30 anos e ninguém percebeu, isso nos diz muito sobre Deus e como Ele se envolveu na situação humana. A Encarnação nos mostra que Deus fala a partir de uma cultura particular, de maneira que as pessoas possam perceber, entender e responder. A Encarnação nos dá o modelo bíblico primário de engajamento - é assim que Deus faz isso e nós que seguimos seu Caminho. Devemos seguir os seus passos. A missão encarnacional exige que contextualizemos o Evangelho de forma que sejam valorizadas as situações culturais e existenciais particulares dos vários povos, sem comprometer a própria missão. Ser missional significa sair (ser enviado) para o mundo, então, o ser encarnacional significa entrar profundamente em uma cultura.”

Nesse conceito defendido por Hirsch, o modelo principal do conceito é a atitude do próprio Cristo, logo, a postura dos seguidores de Cristo deve ser copiar o exemplo de Cristo, na relevância que Ele atribui a Sua missão, misturando-se, sem, contudo, contaminar-se com os pecados, da raça humana, frequentando festas, comendo e construindo pontes relacionais com aqueles que Ele pregava o Evangelho.

As igrejas que defendem o modelo encarnacional, são, portanto, mais abertas à compreensão cultural do ambiente onde estão inseridas. Isso ajuda a conhecer as demandas, frustrações e perspectivas daqueles que são evangelizados. Alguns podem objetar  essa ideia defendendo que nós só precisamos conhecer a cultura bíblica e tornar nossa mensagem mais parecida com aquela da igreja apostólica e não conhecer as questões culturais que estão sendo desenvolvidas no mundo. Essa postura despreza uma série de demandas e principalmente isola a comunidade cristã em uma espécie de gueto religioso afastando das ansiedades atuais, consequentemente inviabilizando o testemunho e o relacionamento cristão. Se o Senhor tivesse essa postura nós nunca saberíamos acerca da Sua divindade, nem tão pouco conheceríamos a Sua graça e misericórdia.

O conceito de igreja encarnacional também se contrapõe a aquilo que é definido como igreja “atracional ou extracional”, ou seja, a igreja que espera que seu poder atrativo na comunidade leva os não crentes a desejarem conhecer essa igreja. O problema com essa perspectiva é que segundo defende Hirsch em seu livro “On the Verge” apenas 40% das pessoas afirmam que frequentariam uma igreja nos moldes atracionais. O que fazer com as outras 60%? Pessoas que não veem relevância na igreja e que, portanto, não frequentariam seus templos apenas porque estes estão abertos em determinados horários.

Somente uma igreja que se preocupe em levar aos não crentes uma forma atraente da mensagem de Cristo, num conceito que se preocupe em responder os dilemas da pós-modernidade conseguirá aplicar sua mensagem de forma satisfatória. Crentes que se envolvam na comunidade onde residem, que trabalhem de forma a pregar o Evangelho a colegas de trabalho, não de forma espalhafatosa e defeituosa, mas com a centralidade da mensagem cristã, buscando desenvolver relações profundas, conseguirão atingir o foco do evangelho encarnacional.

Sendo assim, nossa defesa por esse modelo passa por uma compreensão profunda da nossa definição de missão. Não é mais uma tarefa para profissionais remunerados, mas a tarefa da igreja, como foi no início, tendo a igreja de Antioquia (Atos 11) seu principal modelo. Crentes que amam o Evangelho precisam compartilhar esse mesmo Evangelho de maneira apaixonada e eficaz. Não basta apenas esperar que os não crentes possam ir a igreja no domingo, a evangelização é um estilo de vida e não um programa da igreja que se faz quando as receitas vão mau.

Que novas comunidades encarnacionais se proliferem no Brasil, que esse conceito não seja apenas uma nomenclatura teológica destituída de significado para os leigos, mas que os pastores possam pregar sobre isso e propagar a redescoberta do estilo de vida cristão que glorifica a Deus com o Evangelho centrado na Palavra e na missão de cada um.




[1] Hirsch Alan https://www.facebook.com/notes/alan-hirsch/what-do-i-mean-by-incarnational/10150189514096009

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A missionalidade da igreja em tempos onde imperam a frouxidão e o legalismo

Antes de iniciarmos esse assunto que não pretendo me delongar muito, não pretendo defender uma ideia “revolucionária”, ou mesmo me sentir um iluminado por conceber a igreja de forma a pensar acerca do que pode dar certo ou errado nela, fazendo ponderações bombásticas e nunca praticadas. Falo ao considerar, sobretudo, aquilo que a bíblia ensina sobre a função da igreja nesse mundo. Pensamos em tudo o que vemos e percebemos que a igreja hodierna tem verdadeira sina por extremos. Neste entendimento vemos grupos que são extremamente frouxos sobre os padrões de moralidade, onde as pessoas que pertencem aos mesmos podem viver sem nenhuma crise de consciência, não sendo confrontados com os padrões exigidos nas Escrituras, bebendo muito, falando palavrões, sendo descuidados com a moralidade e outras licenciosidades e do outro lado encontramos grupos extremamente legalistas em exacerbar os conceitos da Lei, fazendo que a mesma assuma uma proeminência tão grande que pouco se pode conhecer acerca da graça de Deus em seus arraiais. Tais pessoas são tão literalistas que estão dispostas a fincar estacas no radicalismo, vendo os outros como relaxados e infiéis, apenas porque não comungam com eles acerca de um ou outro ponto do Evangelho. Os puristas se consideram os únicos santos autênticos e por essa razão se fecham em seu grupo que consequentemente, respeita suas ideias e estilo de vida.

Estes dois grupos infestam o nosso cenário religioso. A conclusão que vemos nisso tudo é que pouco ou quase nada pode ser realmente vivido se caso pendermos para alguns desses extremos. O Evangelho não é um claustro. Não nos leva a nos isolar do mundo como se desejássemos uma “subcultura” ou mesmo “uma cultura de gueto”. Muito pelo contrário o Evangelho nos leva a nos relacionar com o mundo de forma transformadora e imersionista. O cristão de fato, não vive às margens da cultura ou do seu relacionamento com o mundo, mas pensa a cultura com a visão que Deus tem da cultura, ou seja, vendo a cultura que é concebida de forma ímpia com a necessidade de modificação e usando aquilo que é possível usar de maneira a fazer pontes para relacionamentos, que possam ser redentivos quanto a proclamação do Evangelho.

Quanto ao outro grupo, os legalistas, buscamos de modo sábio leva-los a conhecer a liberdade de Cristo, procurando libertá-los das amarras da religião que aprisiona o homem, que faz com que sejam vistos conceitos cristãos apenas na superfície e não na devida profundidade. Por essa razão, é necessário ponderar a maneira como se debate, mas nunca se entregando a uma posição ofensiva, por parte daqueles que desejam uma discussão sincera. Sempre levando em consideração que o Senhor Jesus não levantava sua voz ao debater com os fariseus e que muitas vezes os deixou falando sozinhos, pois os mesmos não apenas estavam errados acerca dos pontos levantados pelo Senhor, mas também eram intransigentes na defesa de seus posicionamentos inviabilizando um debate que pudesse produzir vida ou lhes trazer algum benefício espiritual.


Em nossa defesa de uma conduta missional precisamos nos conscientizar que não estar nesses dois polos nos coloca em uma condição desfavorável, pois, teremos poucos que juntarão forças ao nosso lado. Porém, isso não pode barrar nossa condição de luta em favor de sermos ouvidos. Sempre procurando observar o Evangelho de modo que este, por ser fator que liberta os homens das amarras do pecado, da licenciosidade e do legalismo. Os dois pontos são extremamente danosos a mensagem bíblica e devem ser postos como extremos e depreciativos ao Evangelho de Cristo. Que Deus nos faça manter o real equilíbrio e sejamos usados assim, amém. 

sábado, 1 de outubro de 2016

A piedade em face da oposição


Há contra a igreja, inúmeros inimigos que lhe ameaçam. As armas desse inimigo são por vezes ideológica, quando de maneira sagaz usa leis, revesses culturais, opinião pública entre outros meios, ou mesmo flagrante oposição, quando em nome de uma “pureza religiosa” persegue-se abertamente os cristãos, com limpezas étnicas ou religiosas. Nesses anos sangrentos a igreja pode ser enfraquecida, mas também nesses momentos pode constatar os propósitos redentores de Deus em preservar a igreja, fazendo-a multiplicar apesar das oposições infernais.

O livro do profeta Daniel, um dos mais importantes desse gênero literário[1], mostra como Deus preservou uma semente santa em seu povo no A.T. mesmo no exílio. Deus era o autor da punição do exílio que baniu Judá e Israel da Palestina. Nessa região ficaram apenas o povo rude e sem conhecimento, enquanto que os nobres foram transportados para a Babilônia e os guerreiros mortos na guerra. O livro demonstra como Deus continua a abençoar esses nobres que o temiam, especialmente ao enfocar o próprio Daniel e seus amigos Hananias, Misael e Azarias (Sadraque, Mesaque e Abede-Nego). O livro é didático ao mostrar como Deus os preserva do falso culto, dos inimigos e do abandono da fé de seus pais. Mesmo jovens, foram responsáveis por uma fé viva e atual em uma terra hostil a vida piedosa.

Daniel reveste-se de maior importância quando comparado com seus amigos, pois, ele tinha livre trânsito tanto durante o império babilônico com os monarcas Nabucodonosor e Belsazar, filho do primeiro (Dn 5), como também durante o império Medo-Persa. Daniel havia sido consagrado como o chefe dos magos e videntes no império babilônico e no império medo-persa sua função parece ser mais política e administrativa. Seja como for, esse homem havia sido honrado em uma terra hostil e se destacado, mostrando que também podemos manter nossa piedade e não necessitamos nos corromper com os atrativos seculares.

Hoje, proponho considerar como podemos também nos dispor a lutar contra uma cultura cada dia mais hostil a aquilo que defendemos. Como podemos, com o nosso compromisso cristão, lutar contra as forças contrárias que podem ser tanto ideológicas como flagrantes em sua oposição a fé cristã. Nesse livro teríamos muito a mostrar ao considerar esses homens, porém, nos ateremos em Daniel, pois esse capítulo ilustra claramente sua insistência em se manter fiel e como o Senhor abençoa a fidelidade de seu povo de forma graciosa.

Não vivemos uma posição flagrante como em países estrangeiros como Síria e Iraque, onde os cristãos estão sendo mortos por sua fé, mas precisamos atentar pela perseguição ideológica que veem sendo empreendida na mídia, sociedade e política. Observemos a partir do exemplo de Daniel como podemos ser fieis a Deus em uma cultura hostil a fé bíblica.

Daniel se opôs a oposição com a piedade da seguinte forma:

Testemunhando corajosamente
É possível se manter fiel em ambientes que, em muitas ocasiões, podem ser hostis aos cristãos. Daniel, certamente, não concordava com todas as práticas dos impérios babilônico e medo-persa, mas entendia que estava em posições exaltadas atendendo um mandato divino. Vejamos como esse homem testemunhou corajosamente sua fé:

Daniel permanece em destaque (vv.1-3) – Deus muda o império, mas este homem de Deus permanece em destaque. Anteriormente ele havia sido nomeado chefe supremo de todos os sábios da Babilônia durante o reinado de Nabucodonosor (Dn.2.48). Esse cargo, apesar de ter uma conotação espiritual, também tinha implicações políticas, pois também Daniel era governador. Mas aqui (vv.1-3) nós o vemos constituído como um dos “presidentes”. Segundo Grotius, que faz um paralelo com uma função semelhante chamada de “præfecti prætorio”[2] no  império romano, Daniel era uma espécie de alto funcionário onde se prestava contas acerca de questões comercias e de interesses do reino. Toda essa capacidade não vinha de Daniel, mas de Deus, que lhe dotou de um “espírito excelente”.

 Daniel é perseguido (vv.2-5) – Não podemos afirmar a razão pela qual Daniel é perseguido pelos sátrapas e presidentes, mas, conforme percebido em todo o contexto isso tinha haver com sua religião. A xenofobia não é algo rescente[3], os tempos bíblicos provam isso. Daniel havia sido posto em um cargo que despertava cobiça, ele era uma ameaça aos seus inimigos, ou inimigos de Deus. Eles procuram algo contra ele na lei local e não encontram, buscam na Lei de Deus e também não encontram. Será que se essa inquirição fosse empreendida contra nós teríamos o mesmo testemunho?

Enfrentando a malícia dos medos e dos persas 
Alguns detalhes da consecução dessa lei precisam ser considerados aqui, pois vejamos:

Um empreendimento unânime (vv.6-7) – O texto narra que há um comum acordo entre os administradores do império no intuito de formular uma lei no intuito de atingir todos os judeus piedosos. Essa lei não atingiria apenas a Daniel, mas a todos os judeus contrários ao culto idólatra. A proposta desses homens vem cheia de bajulações, tencionando não somente conquistar o favor do rei, mas, sobretudo, aniquilar a influência de Daniel. Tal lei nos lembra de que atualmente muitas outras leis são feitas no sentido de atingir uma parte de uma população e consequentemente destruir os valores cristãos. Nossos dias enfrentam uma situação bem similar e precisamos considerar detidamente o empreendimento dos ímpios nesse sentido.

 Uma lei irrevogável (vv.8-9) – A lei em questão parecia dar ao rei um caráter de perfeição de sua divindade. Uma lei irrevogável parece ser algo que é ratificado por uma perfeição própria de um Deus. O contexto nos apresenta algo típico dos reis antigos, uma reivindicação divina. Logo, os administradores queriam, com essa lei, não somente exaltar o rei, mas perseguir aqueles que não fossem seguidores do rei. Com isso buscavam atribuir a Daniel a acusação de traição.

Os cristãos, em todas as épocas, são acusados de não viverem de acordo com a maioria. Seus conceitos são vistos como incongruentes com as normas aceitas por todos os “civilizados”. Essa tem sido a forma dos inimigos da fé apanharem o povo de Deus. Em nossos dias a mesma artimanha tem sido empreendida. Ela continuará a ser disposta até o último dia, pois tem sido eficaz no sentido de nos reduzir a uma subcultura.

Sendo fiel até a condenação 
A resposta de Daniel (vv.10-16) – A forma que Daniel agiu diante da lei é a única que tem efeito eficaz, a oração. Ele poderia ter lutado para mudar as leis, mas ele também sabia que seria voto vencido, por esse recurso não foi o último e sim o primeiro.

Sua postura em face da oposição também demonstra o caráter desse homem, pois não se acovardou, mas santamente buscou aquilo que lhe distinguia o testemunho de um homem compromissado com o seu Deus. Sua vida piedosa não podia esperar o momento propício, logo, um cristão verdadeiro deve também fazer o mesmo, testemunhar mesmo em condições adversas.

O rei tenciona salvar Daniel, mas a lei que ele próprio assinou era irrevogável e Daniel seria capturado para ser apenado por sua transgressão.

Daniel é lançado na cova dos leões (vv.17-18) – A condenação sentida por Daniel é algo similar a todos aquelas que os verdadeiros crentes têm de passar, o silêncio das ideias e das ações piedosas. O mundo fala de tolerar os desfavorecidos, mas apenas os cristãos precisam e devem ser calados. Falam de amor, mas isso deve ser destinado àqueles que amam as coisas que eles amam. Daniel é lançado na cova dos leões, mas as feras mais selvagens ele enfrentou antes de entrar lá, seus opositores. Assim como nós, que devemos nos preparar para as oposições confiando no Senhor, sendo praticantes de uma fé vívida como foi a fé de Daniel.

Sobrevivendo aos leões pela graça de Deus 
Percebamos que os fatos relativos ao milagre, propriamente dito, têm algumas aplicações importantes para nós, vejamos:

A intervenção divina (v.23) – Em momentos críticos o Senhor nos acode de forma especial. Daniel relata a Dario, que Deus enviou anjos para fechar as bocas dos leões. Isso ocorreu por causa da postura de Daniel diante desses homens ímpios. Ele havia resolvido confiar em Deus, mesmo sabendo da possibilidade de perder a própria vida, logo este propósito não seria desconsiderado pelo Senhor.

A punição daqueles homens (v.24) – O rei tinha se afeiçoado a Daniel. Ele entendeu que a ação dos seus governadores tinha sido forjada no intuito de apanhar Daniel. Ele então, resolve puní-los entregando-os aos leões. Não somente eles, mas todos os seus.

Uma prosperidade continuada (vv.25-28) – Assim como fora nos governos de Nabucodonosor e Belsazar, seu filho. Daniel foi preservado durante o governo do rei ímpio Dario. Não somente ele não sofreu dano, mas o próprio nome do Senhor foi exaltado em razão de seu testemunho (vv.26-27). O verdadeiro cristão usa esses momentos adversos para promover a glória Deus. Ele entende que essas ocasiões são momentos decisivos para mostrar quão glorioso é o Senhor sobre Seus adversários. O testemunho de Daniel tornou-se instrumento de Deus na promoção de Sua glória.

Temos experimentado momentos tão graves quanto aqueles. Talvez não sejamos lançados em covas com leões, mas estamos também sendo exigidos por Deus em nosso testemunho. Será que realmente podemos ser aprovados por Deus quanto a isso e também recebermos o juízo de que em nenhuma lei justa somos apanhados. Será que podemos, como cristãos modernos, sermos reputados como homens que “não tem defeito algum?” Daniel testemunhou de forma dramática a nossa fé. Talvez não cheguemos a esse nível fisicamente, mas é nos exigido o mesmo empenho muitas vezes de forma psicológica ou ideológica. Que saibamos o que o Senhor se agrada e busquemos fazer a Sua vontade, por de Cristo o nosso Senhor, amém.




[1] Literatura profética. Daniel é considerado um profeta maior
[2] http://biblehub.com/commentaries/daniel/6-2.htm
[3] Aversão a estrangeiros, por causas culturais, hábitos e religião.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A igreja e a deficiência física

“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente. Tentei chorar e não consegui”.

Os versos acima fazem parte da música Índios da banda de pop rock brasileiro Legião Urbana. Surpreendentemente o verso mostra uma realidade bíblica acerca da depravação do homem. Vivemos em um mundo que constantemente temos que viver com dores e doenças que nos lembram diuturnamente as mazelas trazidas pelo pecado original. Hoje, 07 de setembro de 2016, terá início as Paraolimpíadas do Rio de Janeiro e gostaria de fazer algumas reflexões sobre o porquê de não nos empolgarmos com a paraolimpíada como nos empolgamos com as olimpíadas.

Um olhar indiferente sobre a dor alheia
Não temos por costume nos preocupar com a dor alheia a não ser que essa dor seja escancarada diante de nós de forma continuada. Vemos homens andrajosos nas ruas, viciados e deficientes e não levamos em consideração a dor que esses indivíduos passam em serem tratados com indiferença pela maioria das pessoas. Basta olhar as campanhas publicitárias das maiores empresas do país e até podemos considerar certa diversidade ao tentar mostrar pessoas de diferentes cores, mas quase nunca vemos pessoas com deficiências físicas fazendo o papel protagonistas dessas campanhas. As novelas, gênero artístico preferido de uma parcela significativa dos brasileiros, também não contam com pessoas que são “especiais”. Geralmente esses são pessoas que gozam de perfeita saúde, tem uma excelente aparência e são “mais vendáveis”, do ponto de vista comercial do produto oferecido por esses segmentos. Nada de pessoas em cadeiras de rodas, cegas ou amputadas nesse segmento. Esses só aparecem na mídia para promover eventos como os jogos paraolímpicos como o que ocorre esse ano em nosso país.


No segmento esportivo acontece o mesmo. Confesso que quando penso em esportes de alto rendimento eu penso em Usain Bolt quebrando todos os recordes imagináveis do atletismo, Michael Phelps aumentando o número de suas medalhas e uma infinidade de pessoas com corpos perfeitos, no melhor momento físico de suas vidas conquistando metas impensáveis para pessoas comuns. Pensar em pessoas com níveis altos de paralisia, cegos e cadeirantes buscando suas marcas não parece algo muito empolgante a primeiro momento para a maioria das pessoas. O fato é que nós estamos cotidianamente sendo lembrados de que o pecado nos afetou grandemente. Eventos raros como esses nos fazem ter esse entendimento. As amputações desses atletas, suas marcas em escala menor de alcance pessoal, suas deficiências nos lembram dessa verdade bíblica e nos fazem considerar que também somos afetados pelo mesmo mal, ainda que não seja algo perceptível externamente.

Os deficientes nas Escrituras
Na Bíblia somos informados primeiramente que alguns personagens secundários eram também deficientes. No Antigo Testamento somos lembrados de Mefibosete, filho de Jonas, amigo de Davi, que aos cinco anos de idade, ao saber da morte de Saul seu avô, a ama que cuidava dele apressou-se em fugir com ele nos braços e o derrubou no chão e Mefibosete ficou manco para o resto da vida (2 Samuel 4.4). Davi o tratou com dignidade e o fez sentar-se em lugar de honra até a sua morte. No Novo Testamento são inúmeros os exemplos. Talvez o mais famoso seja o caso de Bartimeu que era cego e foi curado pelo Senhor Jesus (Mc 10.46-52). Exemplos como esses nos relatam que nos tempos bíblicos a deficiência também era vista em sua complexidade e retratada de forma real e atenciosa. Jesus em Seu ministério terreno deu ênfase especial sobre os deficientes, pois lemos a Seu respeito:

“... e vieram a ele muitas multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e ele os curou”. (Mateus 15.30)

Havia uma preocupação natural do Senhor em assistir pessoas afetadas pela queda. Endemoniados e pessoas com todo tipo de adversidades causadas explicitamente pela queda eram curadas por Jesus em Seu ministério terreno. Isso mostra como, para o Senhor, restaurar o homem, em sua integralidade, era uma de Suas maiores preocupações.

O olhar da igreja para as deficiências humanas
Talvez estejamos mais afetados pela queda do que percebemos. Talvez não tenhamos problemas físicos aparentes e isso nos faz olhar para esses problemas como se eles não fossem tão graves assim, pois são problemas de outras pessoas e não os nossos. A igreja de Cristo não deveria ser indiferente quanto a tudo isso, pois deveríamos estar familiarizados com todas as dificuldades que a queda nos legou. Ao nos depararmos com pessoas deficientes deveríamos nos perguntar “por que razão não temos um ministério que tente incluir essas pessoas de maneira redentiva em nossas comunidades?”. Sei que existem igrejas que buscam introduzir em seus cultos a linguagem de libras para tornar a mensagem acessível aos surdos e mudos, que existem igrejas exclusivas para esse tipo de público, mas todos os nossos esforços ainda são pequenos em nosso alcance, pois o “mundo doente” em que vivemos tem variedades de inaptidões de todos os tipos. Talvez, ao considerar o que podemos fazer, pouco pode ser feito quando comparamos nossas condições com a obra completa de Cristo para com os deficientes, pois somente Ele tem condições de restaurar a saúde física e espiritual de todos os homens, inclusive de nós mesmos, mas as igrejas cristãs devem se preocupar em também alcançar essa classe de pessoas de maneira que elas se sintam incluídas em nossas comunidades.

Sugestões para a igreja incluir os deficientes
Devemos nos preocupar no alcance dos deficientes. Segue abaixo algumas sugestões para fazer isso:

- Desenvolvermos ministérios que contemplem incluir os deficientes de maneira ampla na igreja;
- Trabalhar um conceito de tolerância na igreja, através de exposições que mostrem o efeito da queda no estabelecimento de deficiências que podem ser melhor compreendidas de uma perspectiva redentiva;
- Dar acessibilidade em nossos templos, construindo rampas, banheiros adaptados e outras ações para incluir os deficientes;
- Trabalhar em setores que estão em idade menor para que não discriminem os deficientes, mostrando o que causou a deficiência naquelas pessoas, fazendo o possível para não constranger a pessoa que serve de exemplo naquela ocasião para os pequenos.
- O desenvolvimento expansivo da doutrina bíblica da queda para que ninguém subestime o alcance destruidor do pecado e as diferentes mazelas que ele nos trouxe.

Olhando adiante
Busquemos falar desse assunto sem com isso pensarmos que estamos nos encaminhando para bandeiras ligadas a uma agenda esquerdista. Até parece que apenas esses setores se preocupam com os excluídos sociais e que setores conservadores são geralmente agentes opressores de nossa sociedade. Devemos ter em vista que trabalharmos com setores que auxiliam os deficientes não nos fazem esquerdistas, mas preocupados em glorificar a Deus, assim como o Senhor Jesus Cristo se importou. Fazermos a missão da igreja também nos faz levar em consideração viabilizarmos uma conduta de acolhimento de pessoas com deficiências físicas. Que possamos ver em nosso país o crescimento de igrejas que possam desempenhar, de forma satisfatória, tão urgente tarefa.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Refugiados, um assunto indigesto em um momento crítico


“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” Mateus 5.43-44

Talvez ao considerar temas atuais cometamos sérios riscos em sermos rasos em nossa abordagem em razão de estarmos trabalhando num tema ainda em desenvolvimento ou mesmo estejamos concebendo argumentos não muito conclusivos para uma futura abordagem crítica em anos posteriores, depois que todas as conclusões forem observadas e consideradas sem nenhuma emoção. Porém, entendo que é função da igreja não ser parcial em momentos críticos. Os gigantes de nossa fé em tempos passados nunca foram parciais em suas considerações, pelo contrário, eles estavam, à medida que os fatos ocorriam, se posicionando e isso de forma conclusiva. Suas opiniões mesmo hoje em dias atuais são endossados por uma sobriedade imensa, mesmo depois de todas as considerações de historiadores com opiniões mais diversas, seus posicionamentos ainda hoje nos ajudam a caminhar seguros, tendo a certeza que tais homens honraram sua vocação.

Tenciono com a minha consideração de hoje falar acerca de um tema que recentemente tem ocupado lugar de proeminência na mídia em geral, o dilema dos refugiados. Refiro-me ao fato de que ondas cada dia mais intensas de homens, mulheres e crianças buscarem abrigo em países ocidentais. Esses, em sua maioria de origem síria[1], buscam oportunidades de entrarem na Europa, bem como alcançar países como os EUA onde possam levar adiante suas vidas.

É perfeitamente compreensível que assim seja em razão da terrível guerra civil que acometeu aquele país e que ainda hoje tem contribuído com terríveis consequências para aquela população de um modo geral. Forças contrárias ao presidente Bashar al-Assad, durante o período que foi considerado a “primavera árabe” no ano de 2011, tentaram removê-lo do poder e isso fez o país ser abalado com um fenômeno apenas comparável, em número de pessoas deslocadas com a segunda guerra mundial. Países do norte da África também engrossam esses números, mas estes com motivos diferentes dos sírios em geral pela crise humanitária e pela falta de recursos básicos para a população.

A Europa é um continente com uma população envelhecida. Setores como indústria, comércio e serviços, necessitam de uma mão de obra que seja prioritariamente jovem e os refugiados de países em crises humanitárias se qualificam neste particular. Resolve-se o problema da economia, mas por outro lado, intensificam-se os problemas étnicos e sociológicos. A Europa em seu avançado processo de secularização e abandono do cristianismo há muito espera ver-se livre da religião. Entre os muçulmanos, extremamente práticos e fervorosos em suas crenças, isso seria impensável. Os embates culturais nesse quesito religioso é inevitável. A Europa ao abrir suas portas para um mundo “multi-cultural”, choca-se frontalmente com os projetos de “Jihad”[2] dos islamitas, que considera a expansão do islamismo ou pela conquista ou pela guerra uma de suas principais prioridades. Nesse contexto podemos listar o florescimento de visões radicais do islã como “Estado Islâmico” que tem um forte apelo entre os jovens. Muitos deles nascidos na Europa, mas com desejo de lutar pela Jihad, principalmente por se verem excluídos das políticas públicas dos governos europeus e considerados cidadãos de segunda classe, por não fazerem parte dos valores continentais.

Diante disso gostaria de considerar como a igreja de Cristo pode contribuir numa reflexão que visa buscar soluções, no sentido de analisar biblicamente as implicações multi-culturais em que estamos submetidos. Qual a melhor forma de sermos missionais no alcance desses povos que a cada dia estão mais perto de nós, pois também o governo brasileiro tem um projeto de aceitação de refugiados sírios e de outras nacionalidades, muitos de origem muçulmana. Busquemos isso através das seguintes considerações:

Os muçulmanos são nossos inimigos?
Se analisarmos friamente a questão seremos forçados a deduzir que os islâmicos são uma ameaça para a fé cristã, pois desde as cruzadas na idade média, ou mesmo antes disso, o islamismo soterrou tradições seculares de cidades e países cristãos. Recentemente grupos como o Estado Islâmico em sua divulgação midiática mostrou a extrema intolerância para com a diversidade religiosa, assassinando cristãos e exibindo a carnificina de modo triunfante. Sim, respondendo a pergunta de modo frio, eles são inimigos da fé cristã nesse particular. Mas existe um lado desse embate que precisamos considerar, a mesma Bíblia que fala dos inimigos do Evangelho é a mesma que menciona o amor aos inimigos.

Foi no contexto de como tratar o nosso próximo que o Senhor mencionou a parábola do bom samaritano (Lucas 10.25-36). Na parábola somos informados que o samaritano, um povo inimigo dos judeus, auxiliou um homem que provavelmente era um judeu, após esse ter sido espancado e assaltado, ficando a beira da morte. A ênfase na parábola não reside somente nas boas ações do samaritano ao cuidar e prover para o homem, mas no fato de aqueles que eram ligados a verdadeira religião, o sacerdote e o levita terem “passado de largo” diante do sofrimento do homem. Evidentemente tal ênfase tencionava mostrar que as ações de alguém odiado como o samaritano, seriam consideradas como se fossem essas pertencente ao povo eleito, pois eram dignas do evangelho, ainda que o contexto não mencione doutrinas como a justificação, eleição ou santificação do samaritano. Para o Senhor as ações desse homem revelam o real entendimento do Evangelho como amor ao próximo e aos inimigos, logo servem de referência para nós no tema que estamos abordando.

Não importa tanto se eles são capazes de nos matar. O Senhor espera uma postura distinta nos cristãos. Aqui não estou questionando o direito à guerra legítima, fato que já estive abordando aqui em outra ocasião, mas como reagirmos diante daqueles que não conhecem coisa alguma senão a linguagem do ódio. Eles foram ensinados que deveriam reagir aos cristãos, odiando seus valores e condenando tudo o que tivesse uma conotação cristã. Nos países cristãos podemos mostrar que ações pautadas nas Escrituras realçam o verdadeiro Evangelho. Logo, não devíamos evitar o confronto, mas estarmos dispostos a “correr” certos riscos para vermos nossa obediência ao Evangelho sendo posta em prova.

Os valores ocidentais estão sendo ameaçados
Entendo que o avanço islâmico sobre a Europa é até irreversível. Na realidade o envelhecimento da população europeia, contrastando com a alta taxa de natalidade dos islâmicos tende a fazer com que os islâmicos sejam mais bem sucedidos, em longo prazo, no sentido de sepultar a cultura ocidental em alguns anos. Além do fato do estabelecimento secular da sociedade europeia contribuir diretamente para o seu declínio em poucas gerações.

A não ser que algo seja feito para reverter esse quadro e isso seria um movimento soberanamente administrado pelo Senhor e não produzido por homem algum como um reavivamento, a situação da Europa é deveras preocupante. Logo, usar essa desculpa para exterminar os inimigos do ocidentalismo não é suficiente. Só posturas que tem a ver, sobretudo, com o retorno da religiosidade dos europeus para os valores cristãos poderiam frear o avanço islâmico. As armas podem até fazer algum efeito, porém, não produzirão grandes resultados. Em minha opinião é necessário que aqueles que ainda guardam fidelidade ao Senhor em solo europeu, busquem viver o evangelho de forma plena, de maneira que isso possa ser aprovado por Deus. Quem sabe com isso, no futuro, tenhamos um derramar de Deus sobre os europeus e também sobre os refugiados.

Alguns bons exemplos disso está ocorrendo na Alemanha. Recentemente em uma reportagem do portal Gospel Prime, relatou o crescimento da igreja alemã contando principalmente com pessoas provenientes de países muçulmanos. Esse quadro pode significar uma mudança de rumo no cristianismo europeu, mas também pode não ser garantia alguma de que seja algo concreto. O fato é que o Senhor continua a usar o Evangelho para mostrar a sua graça a povos excluídos, como são no momento os refugiados na Europa. Ainda que o continente lhes abra as portas, ainda assim são vistos como povo de segunda classe, uma mera força econômica que ajudará a Europa a avançar economicamente.

O papel da igreja para com os refugiados
Várias ações podem ser desenvolvidas no sentido de glorificarmos a Deus em um empreendimento missionário que tenha como foco os refugiados. Analisemos quais dessas ações podem ser feitas:

1.   Proclamar o Evangelho aos refugiados. Muitas dessas pessoas seriam inacessíveis se elas continuassem a residir em seus países. Geralmente muito fechados no contexto religioso, pois contam com uma rede interminável de observadores que perseguem os cristãos de modo a leva-los a tribunais, desestimulando os cristãos em proclamar a fé nesses locais. Ao virem para países cristãos essas pessoas são mais suscetíveis à proclamação, pois essa rede de observadores não tem o mesmo efeito. Mesmo a perseguição é diminuta, pois isso só ocorreria em seu grupo étnico e não afetaria completamente os novos convertidos.
2.   A preparação de missionários para o envio aos seus países de origem. Ainda que saibamos que ao enviar missionários cristãos a países de origem muçulmana seja praticamente inviável, aqueles que são da mesma origem racial desses países seriam mais efetivos em suas ações nesses países. Pessoas identificadas com a cultura ocidental teriam dificuldades de adaptação nesses lugares, bem como, seria logo identificados, sendo alvo fácil para a perseguição dos nativos. Aqueles que forem preparados para retornar ao seu contexto podem muito bem sofrer perseguições semelhantes, mas serão mais efetivos em curto prazo, podendo dessa forma implantar a semente do evangelho mais prontamente. A preparação acadêmica desses irmãos depende do empreendimento dos mestres que existem em nossa cultura, que devem ser sensíveis a um contexto tão amplo e desafiador.
3.   O envolvimento social da igreja. As igrejas também podem se envolver de modo a contribuir com o governo e outras organizações no sentido de dar assistência aos refugiados. A prática cristã, sem dúvida alguma, é melhor exercida no dia a dia, submetendo o evangelho que cremos a testes diários de rejeição e indiferença. Sentimentos que nos fazem ter a certeza de que enquanto existir a oposição existe ainda muito campo para se trabalhar.
4.   A promoção de uma cultura de paz. Os cristãos não deveriam engrossar o discurso racial fervoroso desses certos movimentos “ultra nacionalistas”. Ainda que isso possa ser confundido com zelo pela cultura e ideologias aceitáveis, eles inflamam nossa conduta para com o nosso próximo e certamente nos impede de pormos em prática os princípios cristãos de amor ao próximo e ao nossos inimigos.


Nossa conduta revelará a nossa compreensão do Evangelho
Finalmente, não podemos nos silenciar diante de mundo em tão grande queda. Deus nos tem chamado a vivermos o Evangelho com todos os desafios e dificuldades em nossa geração. Assim como em outras épocas, os cristãos atuais precisarão se pronunciar diante desses desafios. Devemos fazer isso não somente porque é um tema atual, mas porque pessoas estão morrendo em travessias perigosas pelo mar. Estão se radicalizando em guetos das grandes cidades europeias e se tornando terroristas e isso tudo debaixo dos nossos olhos. Enquanto tentarmos tão somente nos proteger isso não nos fará levarmos o evangelho as suas consequências missionais. Viver conforme os princípios do Evangelho são nosso desafio para hoje e para qualquer época. Que não sejamos omissos com respeito a nossa responsabilidade, amém.




[1] Estima-se que algo em torno de 11 milhões de sírios buscam refugio atualmente.
[2] Jihad é um termo árabe que significa “luta”, “esforço” ou empenho. É muitas vezes considerado um dos pilares da fé islâmica, que são deveres religiosos destinados a desenvolver o espírito da submissão a Deus. O termo jihad é utilizado para descrever o dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana.