Já está disponível no site ISSUU um artigo escrito pelo reverendo Fabiano sobre que tem por título "A abordagem evangélica de Paulo na sinagoga dos judeus em Antioquia da Pisídia". O artigo na íntegra pode ser lido aqui. Esse é o primeiro texto publicado nesta temática e os demais você encontra também em nosso blog Evangelismo e Reforma.
domingo, 15 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Os cegos no buraco, uma parábola para os nossos dias
O ensino
para a igreja de Cristo é uma grande responsabilidade. Vivemos uma fé
revelacional e isso indica que uma de nossas grandes responsabilidades é
justamente repassar o ensino que aprendemos do próprio Cristo a todos aqueles
que nosso ministério alcançar.
Talvez uma das grandes
dificuldades da igreja atual seja professar uma fé condizente com as Sagradas
Escrituras. Vivemos um momento ateológico em nossos arraiais. A igreja de
Cristo parece perder o fôlego para o aprendizado das Escrituras e apesar
crescer em números nunca vistos em nossa nação, cresce também em ignorância da
Bíblia, nossa regra de fé e prática. Nunca se produziu tantas Bíblias, nunca
livro algum foi tão lido, mas é verdade que nunca a compreensão de uma mensagem
foi tão distorcida em nossos dias.
Será que é do agrado
de Cristo que Sua mensagem tenha tantas interpretações e tanta confusão entre
aqueles que dizem serem Seus discípulos? Acredito que o texto de hoje nos
responde essa pergunta. Não, Cristo não nos chamou para termos uma fé confusa,
mas para crermos em Sua uma única Palavra, que é a Sua própria.
O texto em questão
está uma porção do livro de Lucas dedicada à exposição de alguns ensinamentos
de Cristo sobre diversos assuntos. Talvez o texto correlato de Mateus 15.14 nos
ajude a identificar o contexto, pois nos informa que Jesus discutia com alguns
fariseus, que julgavam conhecer a Lei, mas que torciam as Escrituras. Em Mateus
Jesus profere essas palavras, deixando que os mesmos fossem embora, pois “não
passavam de cegos”.
Diante do exposto
gostaria de propor um tema para a nossa meditação essa noite: “Os cegos no buraco, uma parábola para os
nossos dias”. Justifico o mesmo considerando que essa parábola é realmente
algo muito atual na igreja dessa época. Devemos nos esforçar para que não
sejamos nem um cego nem o outro, mas sim pessoas que possuam esclarecimentos que
nos façam escapar dos abismos da incredulidade e heresia.
Vejamos o que o Senhor
que nos ensinar aqui:
A linguagem parabólica de Jesus.
Jesus falava por parábolas – Esse recurso literário utilizado por Jesus tinha
nitidamente um objetivo específico. Na definição a parábola serve para fazer
uma comparação, uma ilustração de algo ou mesmo uma analogia. A bíblia atribui à
parábola o status de enigma (Salmos 49.4 e 78.2).
O objetivo da parábola (Mt.13.10) – O texto nos ensina que tinha o objetivo de revelar o
conhecimento espiritual a aqueles que estavam perto, no caso os discípulos, mas
também de confundir os que não fazem parte da aliança, os descrentes. Essa
dupla função da parábola também pode ser aplicada a toda a Escritura, uma vez
que esse é o seu efeito.
A impossibilidade de um cego
guiar outro cego.
Jesus propõe algo impossível – No início da parábola Jesus propõe algo impossível.
Nenhum cego pode servir de referencial, nem mesmo para ele, quem dirá para os
outros. O objetivo do argumento de Jesus é provocar a resposta, algo que Ele
faz posteriormente. Ninguém pode conduzir alguém sem que este mesmo conheça o
caminho.
Quem são os cegos? – Algumas perguntas são pertinentes
aqui, primeiro quem são os cegos. É lógico que o Senhor está falando dos
líderes de Israel, conforme a explicação de Mateus 15.14. Mas isso também se
aplica de forma mais especifica a outras pessoas, então vejamos. 1) Geral – De uma forma geral são todos que não entendem o
Evangelho; 2) Alguém que se considera líder – Esses buscam ensinar aquilo que
não aplicam a si mesmos, são, portanto, impostores; 3) Os cegos – O primeiro se
faz de líder, enquanto o segundo o cegue irrestritamente.
O que é o ensino? – Sem dúvida a aplicação aqui se refere ao Evangelho. Ninguém pode
ensinar aquilo que não conhece. Talvez seja esse um dos grandes problemas
existentes na liderança da igreja como um todo, do discipulado e do
evangelismo. Isso é refletido na prática de adoração da igreja, na sua liturgia
e no seu testemunho.
A quem compete o ensino? – Pelo texto vemos que os líderes
da igreja são responsáveis pelo ensino à igreja e à nação em que são chamados a
servir. Esses são chamados de guias (Hb 13.17), são responsáveis pelo ensino na
igreja e Deus cobrará deles esta questão. Porém algo precisa ser dito
aos maridos e pais cristãos: 1) Maridos (1 Tm 2.11, 12 e 1 Co 14.35) – Estes
são responsáveis pelo ensino do evangelho as suas esposas, lamentavelmente não
é o que vemos hoje em dia. Mas cabe ao esposo o ensino; 2) Pais (Êx. 20.5; Dt
6.7 e Ef.6.1). Os pais são sacerdotes em seus lares. Eles devem ensinar pela
vida e testemunho, mas ensinar também pela Palavra. Não deve esperar apenas que
a igreja ensine, mas ele também ser, fundamentalmente, o exemplo maior de seus
filhos.
O fim catastrófico de tal
empreitada.
A negativa de Cristo – Cristo indica que nada que empreendem esses homens será bem sucedido.
Ele mesmo responde a indagação e descarta completamente o empreendimento dos
homens a uma perspectiva positiva.
Uma catástrofe os aguarda – Nenhum empreendimento que não busque os meios
estabelecidos por Deus pode ser bem sucedido. Os crentes são guardados de cair,
porque Deus os conduz como conduziu Israel no deserto, com a luz de Cristo.
Isso os impede de incorrerem em erro, mas aqueles que não portam essa promessa
serão acometidos com um fim catastrófico.
O abismo - A palavra grega βόθυνον (bathynon),
significa, abismo, buraco, vala. Seja qual preferir usar, chegamos a uma só
conclusão inevitável, não há promessa de salvação para estes aqui. Cristo não
lhes promete auxílio, cairão e ficarão prostrados, talvez porque o Senhor tenha
em mente o que diz Lucas 17.2 “Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço
uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes
pequeninos”. Tanto em um caso como no outro não existe escape.
Não pensemos que estamos livres dessas ameaçadoras palavras.
Somos responsáveis pelo ensino do Evangelho. Seja eu como pastor dessa igreja, seja você como discipulador, sejam os pais ou maridos. Não devemos negligenciar o que aprendemos na igreja. Tenhamos cuidado em não nos interessar pelas coisas que pertencem à salvação. Cada um de nós prestará contas a Deus. Não devemos ser cegos, pois ou estaremos na posição do que lidera ou do que é liderado, mas o fim de ambos é um só, o abismo, o barranco.
Somos responsáveis pelo ensino do Evangelho. Seja eu como pastor dessa igreja, seja você como discipulador, sejam os pais ou maridos. Não devemos negligenciar o que aprendemos na igreja. Tenhamos cuidado em não nos interessar pelas coisas que pertencem à salvação. Cada um de nós prestará contas a Deus. Não devemos ser cegos, pois ou estaremos na posição do que lidera ou do que é liderado, mas o fim de ambos é um só, o abismo, o barranco.
Tomemos cuidado com
aquilo que aprendemos. Tenhamos o costume de inquerir se faz parte ou não do
ensino de Cristo. Num mundo como o nosso, muitos são aqueles que desejam nos
ensinar, mas pese na balança de Deus que são as Escrituras se tal ensinamento é
ou não é fiel. Que Deus nos ajude a apenas seguir a Cristo e a não sermos
cegos, caso contrário o nosso fim não será nada interessante. Que Deus nos seja
Guia eternamente.
sábado, 31 de agosto de 2013
Combatendo o desânimo e a estagnação do cristão
Estou certo que todo cristão deve estar preparado para as lutas que
acompanham nossa caminhada, portanto não deveríamos estar assustados com as
provas e com os embates que sofremos todos os dias. Mas, penso que existem
muitos de nós que estão prostrados diante das situações difíceis. Lembremo-nos
que somos chamados a convictamente abraçarmos um caminho de austeridade e
resignação, portanto, deveríamos temer o desânimo e a fraqueza.
Nesta oportunidade gostaria de
falar-lhes acerca de como o desânimo é estagnante e repulsivo. Não deveríamos
jamais aceita-lo como algo normal à vida do crente.
No texto proposto vemos
como o apóstolo Paulo empreende seus esforços para convencer os crentes gálatas
a fugirem da apostasia parcial do Evangelho. Esta apostasia acontece quando
nutrimos em nosso coração uma perversão doutrinária, uma heresia que paralisa
nossa caminhada no evangelho. Era justamente isso que os crentes gálatas
estavam sendo ameaçados. Estavam voltando aos ritos cerimônias da antiga Lei
judaica, deixando-se circuncidar, eles, que eram gentios, estavam aderindo com
isso não à fé cristã, mas ao próprio judaísmo.
Baseado na argumentação
que ele faz sobre esse episódio, gostaria de propor o seguinte tema para a
nossa meditação: “Combatendo o desânimo
e a estagnação do cristão”. A razão de mencionarmos isso é porque desejo
que a igreja de Cristo seja precavida dos perigos existentes na estagnação
espiritual, sono profundo que impede nossa marcha e avanço espiritual.
Para que possamos
combater tão grande oponente sugiro as seguintes considerações nesse texto:
Somos livres de todo e qualquer
julgo mortal (vv.1-4).
Os crentes devem evitar
tudo aquilo que busque substituir Cristo de sua adoração e prioridade, vejamos
o que o texto nos diz sobre isso:
Devemos evitar o julgo (v.1) – Aqui o apóstolo compara o julgo da Lei a um peso que não
é necessário mais carregar. Se nascemos de novo, estamos livres do peso que nos
prendia aos aguilhões do pecado, não deveríamos nos sentir presos as propostas
sutis desse mundo caído. Assim estavam os gálatas esquecendo-se da cruz e
caminhando para aquilo que Cristo já havia conquistado e subjugado, o fardo da
Lei.
Cristo sem proveito – Um cristianismo sem Cristo não é cristianismo. Muitos hoje em dia
reduzem o cristianismo a uma série de ordenanças e costumes como se o próprio
Cristo não tivesse utilidade alguma, isso, repito não é cristianismo e de nada
serve diante de Deus.
A incoerência de uma religião falsa (v.3) – Ao deixarmos os fundamentos
doutrinais que nos ligam a Cristo, seria como se estivéssemos voltando a um
caminho não mais eficiente, suplantado e ultrapassado. Todos aqueles que estão
se desfazendo dos meios deixados por Cristo, estão jogando o próprio Cristo na
latrina da indiferença. Voltando aos erros do passado que de novo nos prendem à
escravidão.
Caídos da graça (v.4) – Esse texto me faz lembrar o que aconteceu com o próprio inimigo, ele
caiu da graça. Todos aqueles que se desligam de Cristo caem da graça. Aqui não
estamos advogando que um crente genuíno pode perder a salvação, mas que aqueles
que pensam estar em Cristo e deixam os fundamentos do evangelho decaem de
qualquer oportunidade de salvação. Essa apostasia parcial é um cancro, um
câncer purulento, que deve ser expurgado da vida do verdadeiro cristão.
Somos chamados a uma corrida de
busca incessante (vv.5-9).
Espera-se de um crente a fé (v.5) – Cristo espera de nós nada mais nada menos do que uma
vida de fé. Estranho é se um crente não possui essa fé para prevalecer nos
momentos de desânimos. Devemos ter um depósito abastecido, para que quando for
necessário usarmos de maneira adequada.
Cerimônias sem valor (v.6) – Vemos aqui como é sem valor algum termos práticas
religiosas que não mais são necessárias para provar nossa fidelidade. Os
gálatas estavam usando algo que o próprio Cristo aboliu, por isso a indignação
de Paulo.
Uma carreira interrompida (v.7) – Essa pergunta de Paulo não fica sem resposta aqui. Quem
impediu a carreira que estava proposta foram os próprios crentes que mal
preparados espiritualmente foram levados por aqueles que queriam deixa-los
debaixo do julgo. De nada adianta portar o nome de cristão e não amar o caminho
de Cristo e conhece-lo profundamente.
A massa e o fermento (vv.8-9) – Cristo não persuade ninguém a ser vacilante. Seu chamado
é convicto e claro, ninguém deve duvidar que fomos chamados para a convicção e
não para vacilar. Paulo nos informa que se somos fermentados com o fermento
errado, crescemos de maneira deficiente e não viveremos segundo a vontade de
Deus.
Estamos em um caminho contrário a
adulação desta época (vv.10-12).
Os perturbadores da igreja (v.10) – Nesse caso aqui era o grupo conhecido como judaizantes
que perturbava a igreja, mas hoje quem são? São os libertinos que pedem uma fé
sem compromisso? São os de fora, que nos querem ver afastados de Cristo? Ou são
os falsos irmãos que nos incitam a rebeldia? Seja quem for, sofrerá condenação,
conforme orienta o apóstolo.
O evangelho diferente da adulação de hoje (v.11) – Muitos querem hoje em dia um
cristianismo sem Cristo por que desejam fugir do escândalo do cruz. Paulo diz
que é possível anular esse escândalo apenas amoldando nossa fé as exigências
dessa época fraca.
A mutilação dos inimigos (v.12) – Paulo conclui qual deve ser o desejo de todo cristão
fiel, que os inimigos da cruz fossem mutilados de suas blasfêmias. Não devemos
tolerar a apatia em nosso meio, irmãos seja de qual natureza ela for.
Todo o nosso
caminho deve nos direcionar a glória de Cristo, não nos permitiremos fraquejar
quando estamos em tão grande empreendimento. Podemos estar exaustos, mas a
espada colou com sangue em nossas mãos, assim como o guerreiro de Davi na
batalha. Podemos estar cansados, mas Deus renovará o abatido como de um salto
nos porá de pé.
Esquecemos aqueles que
nos persuadem a deixar o caminho de Cristo, eles nos desanimam a abandonar a
nossa fé, apenas porque desejam nos ver alimentando suas fraquezas. Que Deus
nos conforte e nos leve a fugirmos desse vale de apatia que jamais deveriam
repousar os guerreiros. Que Deus nos abençoe por meio de Cristo, amém.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
A Piedade e o Contentamento cristão
“De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o
contentamento.”
(1 Timóteo 6.6)
É inegável que a teologia chamada “da
prosperidade” tem angariado grande exposição em nossos dias. De modo que boa
parte daquilo que se pretende dizer sobre assuntos óbvios como providência,
herança e cuidado divino, deparam-se com algum tipo de explicação que remeta a
doutrina da prosperidade e o seu mau uso desses temas, como que se, de alguma
forma não houvesse no corpo do ensinamento cristão, ou na própria bíblia uma leitura
salutar a fazer sobre esses pontos, sem se envolver com a abordagem dessa
teologia.
Este texto não busca dar audiência a essa
doutrina, não porque não julgue importante refutá-la, mas porque se preocupa em
expor o assunto tendo espaço suficiente para que o leitor faça as devidas
ponderações tendo uma fonte segura e expositiva em que se basear quando reflete
sobre a vida cristã, do ponto de vista do contentamento que é segundo a
piedade. Esta é a única razão aqui para que se evite o tema, algo que pode ser
feito em outra oportunidade, querendo o Senhor nos permitir.
O texto bíblico proposto, 1 Timóteo 6.6, encontra-se
em uma seção dedicada ao aconselhamento do apóstolo sobre aos falsos mestres ao
jovem ministro Timóteo. Nessa seção da carta, Paulo admoesta Timóteo a não
permitir a influência de falsos ensinos na igreja de Cristo (v.3), condenando
veemente a conduta daqueles que assim procedem, afirmando que os mesmos o fazem
por motivos interesseiros (vv.4-5), além do quê, fazem uso indevido da piedade,
transmutando seus efeitos benéficos em prol do lucro, algo totalmente indevido,
da perspectiva da objetividade do Evangelho. O texto que nos propomos a
refletir tem sua condição associada ao correto emprego da piedade, onde o
apóstolo defende que não é possível pensar em piedade sem considerar o
contentamento, uma vez que esse se refere ao cuidado paternal do Senhor, que
cuida dos seus, a despeito das situações adversas. No texto subsequente (v.7),
o apóstolo manifesta a condição que somos introduzidos nesse mundo, ou seja,
viemos sem nada e naturalmente não levaremos absolutamente nada físico para
onde vamos, seja para a recompensa, seja para a condenação. O verso 8 realça a
disposição de todo crente genuíno a esse contentamento, fica claro aqui a
satisfação em fazer parte do propósito divino, ainda que isso custe algumas
restrições, o cristão deve ser dar por satisfeito, entendendo que essa é a
vontade de Deus, que nada o impropera, mas que o supre em suas necessidades
mais básicas no desempenho da obra do Senhor. Finalizando o apóstolo demonstra
a condição daqueles que desejam o dinheiro e o lucro, não somente aqueles que
são chamados ao ministério, mas também traça alguns princípios gerais que
acometem tais pessoas (v.9), terminando com uma conclusão lógica e esperada de
tal empreendimento, havendo até mesmo muitos que não mais mantinham sua fé e
estavam, consequentemente, desviados do evangelho, em razão da cobiça.
A palavra que o apóstolo utiliza aqui em 1
Timóteo 6.6 para piedade é εὐσέβεια que é apropriadamente traduzida por piedade. Na versão
Revista e Atualizada a palavra piedade aparece em 1 Timóteo 9 vezes (2.2; 3.16; 4.7;
4.8; 5.4; 6.3; 6.5; 6.6; 6.11),
sendo que apenas em 4.8 εὐσέβεια reaparece, num contexto onde Paulo defende que a piedade é
condutora e fiadora de promessas reais e certas.
É notório o contraste entre a prática mantida
pelos enganadores e embusteiros quanto ao evangelho e a prática do genuíno
ministro de Cristo quanto ao mesmo. Enquanto que os enganadores fazem uso do
rebanho, usufruindo deles sua manutenção nababesca, o genuíno ministro de
Cristo, empreende seu ministério na piedade e contentamento. Esse contraste
permite ao observador medir o nível de interesse das duas classes propostas,
tendo o exemplo de verdadeiro ministro na pessoa do próprio apóstolo, que uma
vez que também se afadigava a esse evangelho, podia admoestar a todos que se
achegam a esse ofício qual deveria ser a conduta dos novos ministros.
Quando o apóstolo considera a piedade como
fonte de lucro tem em vista não somente as virtudes que esse tipo de vida
proporciona, mas também nos conduz a considerarmos os efeitos de uma vida que
tem a piedade como padrão axiomático para todo cristão. Nenhum cristão genuíno
deve ter outra pretensão, com relação à objetividade de sua vida que não seja a
piedade como referência. Porém, os enganadores pérfidos estão mais interessados
no lucro econômico do que esse estilo de vida pode proporcionar.
Não é de hoje que a religião tem sido
utilizada de modo a garantir a lucratividade. Já nas páginas das Escrituras
temos conhecimento de homens como os filhos do sacerdote Eli, que faziam uso
das ofertas consagradas pelo povo de maneira reprovável (2 Sm 2.12-17) e Simão,
mágico, que tentava conseguir o dom do Espírito Santo de modo a usufruir do
mesmo favoravelmente (At. 8.9-13). Posteriormente, a igreja de Roma se
favoreceu da ignorância do povo a fim de lucrar com indulgências, penitências e
outras superstições que em troca de uma obediência proposta, buscavam algum
favor divino. Papas e prelados desse segmento vivem os frutos desse disparate
até os dias de hoje, desconsiderando a pobreza de muitos de seus seguidores e
vivendo contrário a aquilo que se é exigido nas Escrituras. Os protestantes por
sua vez são, talvez, os responsáveis pelas maiores distorções a esse respeito. Afinal
a teologia da prosperidade é embrionária de suas fileiras e não de seitas mais
heréticas, que nunca desenvolveram tal conceito anómalo.
A questão que envolve a teologia da
prosperidade é mais complexa do que se nos é permitido nossa análise, tão
parcamente limitada aqui. Tem a ver com erros exegéticos grosseiros, mas também
faz uso da tradição protestante, como o conceito de providência e eleição.
Alguns o relacionam ao conceito proposto nos modelos econômicos que foram
desenvolvidos em países protestantes como o capitalismo, além de uma enormidade
de falsas expectativas blasfêmicas que obscurecem o real sentido do cuidado
divino com Seus eleitos. Seja como for, é certo que muito do que se propõe por
tal teologia está longe de ser o ensino real fornecido pelas Escrituras.
O texto então mostra um conceito mais elevado
da visão referente ao cuidado divino. O lucro aqui é visto com um benefício,
sobretudo espiritual e não pertencente ao merecimento dessa época. Tem, como
tal, uma conotação graciosa, sem mérito, sem pretensão. Fia-se na misericórdia
e no cuidado divino, é antes de tudo a efetuação da benevolência de um Deus
santo que nos alcança sem nenhum favor próprio existente em nós mesmos. Isso
sim é lucrativo, pois vê a vida como a obra empreendida por um Deus santo que
nos resgata da condenação, aproximando-nos de Sua comunhão paternal.
A piedade nos é garantia de padrão específico
da vida daqueles que já não mais veem essa vida como pertencentes a si
próprios. Suas vidas já não mais lhe pertencem, de modo que veem as conquistas,
as vitórias de si próprios como a manifestação do favor divino, que
bondosamente os alcança sem nenhum merecimento, apenas porque Deus quis
infundir tais bênçãos, de maneira soberana e voluntária, não havendo nada que
condicione os tais para tão grandes benefícios. A piedade genuína é um padrão
vivencial experimentado por outros santos do passado e mais claramente
manifestado na própria vida do Filho de Deus, padrão único e absoluto desse
povo que entende a vida como algo a glorificar a Deus e não como algo que
atinge interesses transitórios. Partindo desse entendimento, toda e qualquer
cosmovisão que despreze esses conceitos revelacionais, são, por assim dizer,
espúrios. Mesmo o aclamado “sonho americano” ou a propensa teologia da
prosperidade, não fazem jus ao legado escriturístico, que sem dúvida, expande a
ideia da doação e da entrega do crente a conceitos muito maiores aos que vemos
nas cosmovisões empreendidas por muitos grupos protestantes hoje em dia.
Finalmente entendo que o contentamento não é
uma condição muito cômoda a presente condição humana neste mundo. Não somos havidos
por conceitos que nos rebaixem a níveis de sujeição absoluta, como é o caso
aqui. Somos, por natureza, inclinados a expectativas superiores que dão conta
de nossa capacidade acima das demais, do nosso bem desejado, de condições que
nos fazem sonhar com objetivos rentáveis e acalentadores. O contentamento
caminha na contramão de tudo isso. Ele é humilhante para alguém que espera
tanto de si mesmo. Que deseja sobressair-se em um mundo de iguais, que deseja o
status quo mais adequado e
confortável. Grande parte das frustrações ocorridas hoje tem como fonte o
descontentamento com algo que não se conseguiu alcançar, ou seja, tem a ver
justamente com o conceito contrário daquilo que nos propõe o apóstolo aqui.
Muitos, mesmo cristãos, estão frustrados por não terem alcançado algo, por não
terem o devido reconhecimento, mostrando claramente que não entenderem o
conceito defendido pelo apóstolo.
Se contentar com o que tem não é a mesmo que
desistir. Muito pelo contrário, tem a ver com a sujeição ao plano eterno de
Deus, que nos garante sua assistência misericordiosa, nos livrando das
frustrações, mas trabalhando a dor, a pobreza, a doença e uma série de circunstâncias
que devemos viver, mesmo que não achemos a melhor escolha para nós. Deus nos
ensina a agradecê-lo por tudo o que estamos vivendo, isso sob qualquer situação.
Ele nos mostra que não deveríamos ousar perguntar o porquê das razões que Ele
determinou para nós. Se Ele assim o quis, certamente é o melhor. Não busquemos
outro sentimento a não ser o contentamento que é derivado de uma vida piedosa.
Nada tem mais poder do que um crente que aceita a graça de Deus para com sua
vida. Em dias onde a cobiça o desejo, as motivações de tantos são tão
prementes, os verdadeiros crentes anseiam fazer, justamente aquilo que o Senhor
designou. Que seja essa a nossa real intenção nesses dias, que ao invés de
buscarmos contentamento em nossas realizações o busquemos nos grandes feitos do
nosso Deus, que realiza Sua obra em nós de maneira sábia e soberana. Deus nos
ajude a compreender seus planos a nós quanto a este particular.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
O casamento de Oséias com a prostituta e seu ensino para a igreja em todos os tempos
Talvez nenhum outro profeta apareça nas páginas das Sagradas Escrituras de maneira mais dramática. Oséias é o verdadeiro exemplo de profeta que ele mesmo se confunde com aquilo que anuncia. Nestes dois impressionantes capítulos iniciais do seu livro é extremamente necessário vermos como o Senhor vê as transgressões de Sua igreja e como Ele as julga, de forma tão graciosa. A igreja de Cristo é a esposa do Seu amor, nada deve ocupar o lugar de Cristo, mas apenas a igreja deve se devotar a amá-lo e servi-lo.
Pouco se sabe sobre o autor desse livro profético. O que se sabe que seu nome era Oséias e ele era filho de Beeri. Ele exerceu seu ministério no período onde Israel tinha dois reinos, o do sul e o do norte. Sendo o do sul conhecido como Judá e o do norte como Israel. Sua profecia abrangeu os períodos críticos de apostasia do reino do Norte, aproximadamente entre 750-722 a.C. Período esse marcado por depravação sexual e sincretismo, além da falta de obediência a Lei de Deus. Nesse período cinco reis sucessivos foram assassinados pelos seus usurpadores, sendo que apenas um passou o reino para o seu herdeiro legítimo, Manaém (2Reis 15.23). Tudo isso ocorrido em apenas 25 anos.
Esse livro tem muito a nos ensinar sobre o compromisso que temos manter a fidelidade da igreja sob todos os aspectos, bem como nos ensina de que maneira Deus trata a rebelião do Seu povo, além de nos mostrar o tamanho da Sua misericórdia e amor. Para que vejamos isso de maneira a termos nossas vidas regidas pela bíblia sugiro o seguinte título: “O casamento de Oséias com a prostituta e seu ensino para a igreja em todos os tempos”.
Vejamos como podemos ser direcionados por esse texto quanto a este particular. De acordo com as Escrituras a igreja deve:
Evitar o exemplo da prostituta (Oséias 1 e 2.1-7)
Nesse impressionante texto o Senhor recomenda ao profeta casar-se com uma prostituta (v.2). Essa mulher se chamava Gômer e era filha de Diblain (v.3). Seu nome foi mudado para Jezreel, em razão do tipo de juízo que o Senhor teria sobre ela (vv.4-5). Essa era a tipificação das transgressões do reino do Norte, onde o Senhor anunciava a maneira como iria tratar o povo que residia nesta região. Para que possamos compreender a força desse texto vejamos:
Os filhos da prostituição (vv.6-11) – Dois filhos nascem dessa relação: 1) Desfavorecida – Isso porque Deus não mais seria favorável a Israel (v.6); 2) Não meu povo – Esse indicava que Israel não era mais o povo do Senhor (vv.8-11). Na profecia onde se ouvia isso existem promessas, no verso 11 Deus fala do Messias “uma só Cabeça”, logo ainda existia alívio para o povo.
A prostituta não é esposa (2.1-4) – Essa constatação do Senhor incriminava a prostituta, os filhos dela eram filhos de adultério, Deus não os considerava como filhos.
O desejo da prostituta era por seus amantes (vv.5-6) – Essa mulher não via em Deus o refúgio, buscava o sustento em suas prevaricações, ela não ia encontra-los, pois o Senhor não iria permitir tal coisa (v.6).
A volta ao Marido (v.7-8) – Finalmente ela retornará ao seu Marido, quando ela pensava que os amantes é quem a sustentavam (Baal), era o Senhor que a mantinha. Os amantes dela gastaram tudo com seus deuses.
Entender que Deus julgará as transgressões (Os. 2.9-13)
Todos os pecados da igreja são julgados como pecados de fato, Deus não os perdoará sem antes lhes infligir Sua justiça. Vejamos o que acontece aqui:
Ele retém o trigo e o vinho (v.9a) – Ele não permite o sustento.
Ele arrebata a lã e o vinho (v.9b) – Significando o estado de nudez espiritual.
Ele expõe a nudez (v.10) – Isso para que todos vejam a vergonha. Ninguém poderá deterá Sua mão, quanto a isso.
Ele faz cessar as festas (v.11) – Acaba-se a alegria fútil e idólatra
Ele devasta a figueira (v.12) – Não haverá lugar onde se possa se esconder de Deus.
Ele castigará a idolatria (v.13) – Ele se lembra dos cultos pagãos que Seu povo seguiu e não permitirá tais condições.
Deve conhecer a misericórdia de Deus (Os. 2.14-23)
Depois de infligir Seus juízos, o Senhor não permanecerá para sempre irado, vejamos a maneira amorosa como Ele vem tratar Seu povo.
Ele restitui a prosperidade (vv.14-15) – Lembra-se da aliança eterna e lhe prospera novamente.
Ele aceita o título de Marido (v.16) – Isso porque a Noiva não lhe chama mais “meu Baal”, ela deixou a idolatria.
Não haverá mais adultérios (v.17) – Ela, a Noiva, nunca mais se lembrará dos ídolos.
Terá repouso e segurança (v.18) – Não existirão mais inimigos.
Um novo casamento (vv.19-20) – De novo o Senhor a aceitará e jamais a abandonará.
A graciosidade de Deus (vv.21-22) – O próprio Deus promete ser gracioso ao Seu povo.
Os filhos são mudados (v.23) – No lugar dos títulos e nomes que lembram a desobediência esses recebem novos nomes que manifestam o favor divino.
Deve esperar a promessa divina (3.1-5)
Finalmente o profeta recebe a ordem de buscar a que antes fora prostituta e a recebe como esposa (v.1), assim como Deus fará com eles. Vejamos quais são as promessas contidas aqui:
Ela deve esperar (vv.2-3) – Tal alta misericórdia deveria ainda aguardar. Era necessária uma vida casta e pura.
Ele perderia seus símbolos (v.4) – Os símbolos do favor divino não estariam mais com o povo até a restauração.
Trêmulos pela bondade (v.5) – Essas promessas revelam o caráter piedoso do nosso Deus. Depois de tudo isso recebe Seu povo, não sem antes imprimir o Seu temor sobre eles.
Talvez precisemos lembrar o tamanho da misericórdia de Deus para com o Seu povo. Esse texto nos ensina tudo isso. Faz-nos lembrar que podemos incorrer em desobediência, essa tão grande que nada nos lembre que fomos o povo do Senhor. Mas num dia o Senhor nos receberá. Ele nos fará conhecer Sua justiça e nos conduzirá trêmulos a sua presença. Naquele dia nos lembraremos das nossas transgressões e correremos arrependidos para o Seu trono de graça e encontramos conforto e Refúgio em um Deus que jamais esconde Seu rosto de nós. Que o Senhor seja sempre propício a nós pecadores. Amém.
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