segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os crentes são os principais responsáveis da aversão dos não crentes pela igreja

TEXTO BASE: Romanos 2.24

Não resta dúvida da urgência e da necessidade da igreja em cumprir sua grande comissão no mundo (Mt.28.18-20; Mc. 16.15-18). A pregação é responsável pela salvação de vidas (1 Co 1.21; Rm 10.17), tirando-as das trevas e levando-as para perto de Cristo (Cl 1.13), porém, uma pregação dissociada de uma vida piedosa que glorifique a Cristo é um grande desserviço para a causa do Senhor.

Gostaria, com isso posto, de considerar, sendo esse o nosso título, que “Os crentes são os principais responsáveis da aversão dos não crentes pela igreja”. É claro que ao argumentar nessa tese quero afirmar que somente Deus é responsável pela conversão dos não crentes. Isso com o poder de Sua Palavra, usando a instrumentalização do Espírito que é a causa da vitória de Cristo sobre as mentes descrentes, porém, não resta dúvida que nossa conduta em face à pratica do nosso cristianismo é responsável pela “má fama” de nossa religião.

Antes de tudo é necessário dizer que temos a garantia de que seremos perseguidos. Pedro nos adverte: “Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1 Pd. 4.14). Aqui ele estava falando da perseguição comum a aqueles que são fiéis. Está se remetendo aos desafios de sermos ovelhas enviadas para o meio de lobos (Mt.1016), algo que o nosso próprio Senhor ensinou (Jo 15.20). A perseguição faz parte da vida do crente e o crente maduro se prepara para entendê-la sem, contudo se esquecer “que a nossa luta não é contra sangue e carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef. 6.12).

Só que não estamos falando dessa perseguição, estamos falando daquilo que os não-crentes estão realmente certos em nos dizer quando nos dizem que estamos errados. Daquilo que eles observam em nosso testemunho e que dificulta a nossa mensagem.

O texto que lemos no início fala-nos de um povo que também teve a mesma tarefa no passado, sendo que estiveram mais presos as suas tradições e seu estado privilegiado, de modo a desprezar aqueles que se encontravam longe de tudo aquilo que eles estavam vivendo. Os judeus são o povo aqui exposto. Paulo os repreende por vários fatores e nós precisamos identificar o que faz um não-crente não vir à igreja por causa do testemunho dos crentes. Vejamos isso, considerando as mesmas críticas tecidas pelo apóstolo nesse texto aqui.

I- Um crente sem vida se baseia em arenosos alicerces quando é orgulhoso (vv.17-20).

O orgulho dos judeus os impedia de estender a aliança a outros povos. É claro que não vemos a recomendação de Deus para que a aliança fosse estendida aos não judeus no antigo pacto, mas Paulo assevera que era pelo menos necessário que os gentios chegassem a temer a Deus em razão da reverência que se era exigida deles. Vejamos então como a falta de vida deles fundamentou alicerces arenosos e orgulhosos:

O orgulho judaico (v.17) – A palavra καυχᾶσαι (kauchasai), traduzido aqui “glorias” é uma palavra muito utilizada pelo apóstolo Paulo. Existem alguns textos que a usam num sentido positivo como, por exemplo, Gl 6.14 “...longe de mim gloriar-me, senão na cruz do nosso Senhor Jesus Cristo.” Mas o uso mais comum é sem dúvida o sentido negativo, como temos aqui. Paulo nos lembra que os judeus se orgulhavam de terem um nascimento judeu, talvez por achar que isso fosse prova de eleição. Eles se orgulhavam da própria Lei e no conhecimento da mesma. Isso não os fazia ter misericórdia daqueles que estavam fora, mas os afastava.

Orgulho de Deus (v.18) – Isso não era algo positivo, mas negativo. O conhecimento de Deus não os conduzia a humildade e isso não por causa de Deus, mas por causa do seu próprio pecado. Talvez tenha sido este o orgulho de Jonas quando desprezou o chamamento para o arrependimento de Nínive. Eles eram instruídos desde criança na Lei e isso os fazia ter orgulho espiritual.

Orgulho ao instruir (v.19-20) – A condição elevada os fazia desprezar aquele que não tinha a mesma condição que eles, os gentios. Povo que era considerado cego, em trevas, ignorante e crianças. Esse orgulho os fazia desprezar os não judeus que eram vistos como “cachorros” (Mt.15.26). O principio utilizado para esse preconceito era a própria Lei de Deus, o que fazia os descrentes odiarem a Lei em razão daqueles que se diziam “protetores da Lei”.

II- Um crente sem vida desaprova o evangelho com um testemunho falho e pecaminoso (vv.21-23).

O orgulho não era o único pecado que os judeus cometiam. Eles pregavam algo com os lábios, mas o testemunho de vida deles era lastimável, como diz o Senhor em Isaías 29.13: “...este povo se aproxima de mim com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim”. Quão perto eles se aproximam de certos, ditos “cristãos”, que são ativos nas suas igrejas, tem até mesmo cargos, mas não conseguem viver uma vida segundo aquilo que pregam. Vejamos as implicações levantadas pelo apóstolo aqui:

A Lei e a capacidade de ensino (vv.21-22) – A Lei havia sido dada por Deus para instrução no caminho de santidade, porém, os judeus criticados por Paulo não viam desta forma. Não conseguiam ser instruídos eles mesmos. O ensino era desacreditado por algo como “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Eram ladrões, mas diziam que furtar era errado. Eram adúlteros e ensinavam que adulterar é pecado. O problema é que todos conheciam suas práticas. Nada que eles diziam causava efeito, pois faltava o poder de uma vida santa.

A desonra da Lei pelo pecado deles (v.23) – Paulo sentencia que a Lei era desonrada por práticas tão hipócritas. Os não crentes não viam porque buscar a santidade, pois testemunho nenhum viam a esse respeito. Ao anularmos a Palavra com a nossa falsidade estamos nos colocando debaixo do mesmo juízo que Deus julgará o mundo sem Deus. Não se brinca com coisas santas e aqueles judeus, como muitos hoje fazem exatamente a mesma coisa.

III- Um crente sem vida faz o ímpio blasfemar a Deus porque eles julgam o nosso Deus por testemunhos ímpios (v.24).

Segundo Hendriksen o presente texto é uma citação de Isaías 52.5. Naquela ocasião os povos gentílicos que triunfavam sobre Israel tratavam o Deus de Israel como um deus inferior aos de seus países. Apesar de haver diferença quanto ao propósito, o objetivo era o mesmo, Israel deixou de atender os requisitos de Deus, por a blasfêmia dos povos ímpios. Vejamos algo mais aqui:

Uma blasfêmia decorrente da culpa dos judeus – Eles não estavam a altura de uma mensagem tão santa. As Escrituras eram ridicularizadas, pois, parecia inalcançável para qualquer um. Sem homens santos para mostrar a santidade o texto sagrado parecia um vislumbre insano. Eles se achegavam a eles esperando luz e encontravam as mesmas trevas que eles mesmos possuíam.

Uma blasfêmia decorrente da maldade nacional – Acabando-se o testemunho de vidas santas, acaba-se o valor da mensagem. A transitoriedade da mensagem não residia na fraqueza da mensagem, mas na fraqueza do povo em cumpri-la cabalmente. Por serem maus a obediência era falha e motivo de chacota e escárnio por todos aqueles que a ouviam.

Muitos não crentes não desejam entrar por aquelas portas. Eles estão decepcionados com os crentes. Eles pecham o Senhor de um mero censurador e não como a “fonte de águas vivas”. Eles não conseguem ver nada positivo em nosso testemunho e isso nos faz induzi-los a blasfemar o nosso reto caminho. Eis a razão pela qual vemos muitas pessoas buscando na igreja somente curas e prosperidade e não um Deus que os possa os livrar dos pecados. Com o nosso testemunho acabamos dizendo que o pecado não é tão grave assim e que, portanto, não deve ser levado a sério. Só que quando falamos de valores os não-crentes nos interrogam: “Como você pode exigir isso de mim se você não faz nada disso?”

Olhemos bem para a nossa vida e vejamos se não somos a causa de tantos e tantos estarem afastados de Cristo. Deus, por Sua graça, aproximará todos os escolhidos, quanto a isso não resta dúvida, porém, quantos virão por nossa pregação? Será que estou na condição dos judeus mencionados por Paulo em nosso texto? Orgulhoso, cheio de conhecimento do evangelho, mas também cheio de pecado?

Coloquemo-nos debaixo do escrutínio do Senhor e que pelo Seu poder e misericórdia e recebamos o convencimento do Santo Espírito nos mostrando aquilo que temos sido falhos. Que Deus nos livre do Seu nome ser blasfemado por vidas orgulhosas e pecaminosas. Que as nossas vidas revelem o poder da Palavra agindo em nós, para que todos “vejam as nossas boas obras e glorifiquem a nosso Pai que está nos céus” (Mt. 5.16).


domingo, 2 de fevereiro de 2014

O CARNAVAL É UMA FESTA IRREFORMÁVEL?

O carnaval é reconhecidamente uma das marcas da cultura brasileira. Essa festa arrecada dividendos gerados pelo turismo, bancados por inúmeros estrangeiros vindos ao país, em sua grande maioria, atrás do turismo sexual fácil e livre, bastante comum nesse período.

A festa em si não é originariamente brasileira, mas sim grega. Estudiosos estabelecem o período de 600 a 520 a.C., como provável data para a criação da festa, que no início tinha a ver com as comemorações da colheita e eram celebradas festas sexuais em louvor aos deuses da fertilidade. No catolicismo a festa tem suas origens relacionadas à criação da Semana Santa, no século XI. Era um período dedicado a aquilo que geralmente era impedido de se praticar durante a Quaresma, que duravam três dias e além de haver o consumo de comidas geralmente era marcado por liberalismo excessivo, algo até hoje observado nos atuais “carnavais” ao redor do mundo.

No Brasil as maiores concentrações carnavalescas acontecem em cidades importantes como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador. No Rio de Janeiro teve início aos blocos com carros alegóricos e em Recife, no ano de 1995, o Guinness Book, reconheceu o Galo da Madrugada como o maior bloco carnavalesco do mundo.

Esses números e informações podem impressionar a principio, um grande número de pessoas, principalmente nossas autoridades que preferem dar atenção a grandes ajuntamentos como esses, em razão do colégio eleitoral que podem angariar, mas certamente precisamos entender o fenômeno e buscar uma saída para que nossa nação reflita sobre a importância do carnaval para nossa cultura, bem como, em se tratando da igreja cristã, se as práticas comuns ao carnaval podem, de alguma forma, serem preservadas em nossa sociedade. Lembremos que segundo as estatísticas, espera-se que o Brasil em 2040 conte em sua população de algo em torno de 50% de evangélicos em sua população. Logo é necessário refletir sobre essa festa tão popular e sendo nós uma igreja derivada da grande Reforma do século XVI que onde se estabeleceu discutiu-se a viabilidade de certas festas nesses países, assim também precisamos realizar em nossa nação. Esse texto procura então, visualizar as principais implicações referentes a esta festa popular, vejamos se é viável tal conduta e se as implicações, de uma forma ou de outra nos condiciona a reformar o carnaval e torna-lo útil para os propósitos redentivos do nosso Senhor Jesus Cristo.

O arcabouço religioso
Nem todas as manifestações católicas romanas são ruins em si mesmo ou totalmente desprezíveis segundo a ótica protestante. Festas como o natal e dias santos em outras ocasiões foram utilizadas até mesmo por ícones reformados como Lutero e Calvino em outras circunstâncias, logo a Reforma buscou conduzir a piedade e a cosmovisão, não de uma perspectiva anticatólica, mas segundo as Escrituras, buscando sempre que possível, coadunar tais festas de maneira a utiliza-las como manifestações culturais perfeitamente legítimas, quando não ofendem a honra de Cristo e Seu Evangelho.

Porém, o carnaval é repleto de símbolos e condutas que estão longe de se identificarem com uma cosmovisão protestante. O conceito protestante de sagrado e profano e bem distinto do catolicismo. No catolicismo esse conceito estabelece uma clara divisão de prioridades, sendo possível ser um bom católico e ainda assim ter um estilo de vida não condizente com a fé cristã. No protestantismo essa concepção impraticável, principalmente quando aplicado o princípio reformado do soli Deo Gloria, segundo esse princípio tudo o que fazemos o fazemos para a glória de Deus e nada que não o glorifique deve ser praticado ou amado pelos piedosos.

É verdade que alguns protestantes seguem o calendário litúrgico, como os luteranos, episcopais e alguns presbiterianos, porém não se trata de um consenso entre os reformados. Sendo assim a própria significação da festa cairia em certo descrédito em muitos círculos evangélicos, principalmente quando se discutido a necessidade da preservação de um período como a quaresma. Não havendo quaresma para a maioria dos protestantes, torna-se obsoleto todo e qualquer incentivo ao carnaval da forma como conhecemos.

As implicações sociais
Dentre as piores mazelas realçadas pelo carnaval, sem dúvida estão aspectos relacionados à moralidade, a violência, tanto no que concerne a aquela que é praticada nos locais das festas, como aquela que é decorrente do consumo exagerado de bebida alcoólica e que tem repercussões catastróficas no trânsito nacional, gerando uma verdadeira barbárie de proporções nacionais. Segundo dados da polícia federal rodoviária,[1] mesmo havendo uma redução no número de acidentes e de mortos em torno de 2,6% em relação ao ano de 2012, ainda assim os números de 2013 comprovam essa barbárie; foram 1997 acidentes, 1098 feridos e 97 mortos. Esses dados se referem apenas aos números em estradas federais, sem contar as estaduais e as vias locais nas cidades.

O carnaval em sua essência etimológica, como propõe seu significado “festa da carne”, também destrói inúmeras vidas que terão a certeza que meros momentos de prazer, terão repercussões gravíssimas naqueles que nunca conhecerão seus pais e serão filhos de mães solteiras, a enormidade de crimes sexuais relacionados à festa como os estupros, assédios sexuais, prostituição infantil e atentado violento ao pudor. Essas transgressões demonstram a total ineficiência de nossas autoridades em gerir a lei e a ordem durante o período carnavalesco. Se nossas instituições já são parcamente preparadas para enfrentar situações de crise em outras ocasiões, imagine ter que fomentar a ordem em uma festa gigantesca como o carnaval.

A cultura apelativa nesse período
Muitos justificam a necessidade do carnaval alegando que muitas cidades tem conquistado uma certa condição financeira com a festa onde lucram setores como a hotelaria, os blocos e agremiações, o comércio e outros. Porém, conforme observado acima, no que concerne as questões referente ao impacto social, tais dividendos deveriam, em uma cultura mais ética, nos envergonhar, mesmo que sustente certos ramos econômicos. Como justificar uma família dilacerada em troca de divertimentos alheios? Como permitir que tantos morram, enquanto outros se esbaldam em porfias sem fim? Ora, uma conduta que justifique investimentos nessas áreas deveriam envergonhar cada um de nós, seja as instituições governamentais ou privadas que mantém esses investimentos. O mesmo governo que viabiliza a festa em muitas ocasiões é o mesmo que viabiliza políticas públicas que combatem os efeitos dessa festa. Logo, observamos uma prática hipócrita sem precedentes que são uma mancha para a nossa nação.

A Reforma de uma festa como essa
É verdade que a fé protestante ao longo dos anos em culturas distintas tem se preocupado em viabilizar a glória de Cristo, permitindo manifestações culturais, desde que estas não afetem a glória de Cristo nem Seu santo Evangelho, porém, penso que o carnaval não pode ser reformado neste particular. A festa em si traz grandes malefícios a nação e a indivíduos, sendo necessário que aja uma postura veementemente dedicada a solucionar tais problemas, de maneira que cada setor da igreja esteja engajado. Dito isso não penso que os retiros espirituais são boas alternativas para essas questões. Isso apenas demonstra uma atitude maniqueísta a ser evitada pela igreja, uma vez que se ausenta da cidade em um período crucial para a vida de muitas pessoas. Quando digo isso penso em nossa contribuição com pregações durante o ano todo que abordem a necessidade de uma vida reta e absorção de uma cultura moralizante por nossa sociedade.

Inúmeros métodos podem ser utilizados como campanhas junto aos órgãos governamentais que ajudam na promoção de um trânsito mais seguro ou contra a prostituição infantil e todas as outras questões que envolvem os dias de festas. O retiro é algo danoso e prejudicial, pois priva os foliões da pregação da Palavra, do escrutínio de suas consciências, segundo às Escrituras. Aproveitar um feriado, enquanto muitos estão morrendo é uma grande transgressão, certamente observada pelo justo juízo de Deus, pelo que devemos afirmar que Ele mesmo nos punirá com a perpetuação dessa prática.

Finalizando, penso que devemos considerar mais seriamente o citado evento. A igreja de Cristo deve buscar a proclamação do Evangelho em um período grandemente delicado e isso deve ser abordado no sentido de minimizar os efeitos nos desejos daqueles que deverão trabalhar nesse período. Que Deus nos ajude a buscar com que tal festa receba nossa atenção, mesmo que não possamos reforma-la, da mesma forma que outras festas podem ser, porém, ignorá-la é uma grande falha que a igreja de Cristo deve buscar responder a altura. As implicações de ações assim, sem dúvida são difíceis de mensurar, mas sem dúvida estarão de acordo com nosso mandato cultural, conforme ensinado nas páginas sagradas. Que Deus nos faça apiedar do carnaval e que não possamos nos esconder das nossas responsabilidades cristãs.



[1] Relatório da Polícia Rodoviária Federal http://pt.slideshare.net/jespindola1970/relatiro-parcial-da-operao-carnaval-2013-polcia-rodoviria-federal

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O natal e aquilo que foi esquecido a seu respeito

Lucas 2.34-35

O texto em questão traz basicamente aquilo que eu gostaria de enfatizar nesse natal. Nem sempre aquilo que vemos nos dias natalinos consiste na realidade dos fatos relativos ao natal. Assim como a festa ganha contornos distantes daquilo que foi o dia propriamente dito o objetivo da festa por muitas vezes passa por cima de aspectos importantes e muitas vezes esquecidos pela maioria dos pregadores hoje em dia.

É por essa razão que nesta noite estarei abordando aspectos esquecidos do natal. Fatos que, se esquecidos não culminariam em todas as nuances dessa bela festa cristã. É então, por essa razão que eu os convido a considerar o seguinte título de nossa mensagem: “O natal e aquilo que foi esquecido a seu respeito”.

Justifico o título primeiramente enfatizando que o que estaremos mencionando foi “esquecido” e não “ignorado”, uma vez que não penso que muitos pregadores tem intensão de fazer tal coisa, só que a Bíblia deve ser pregada toda e não de acordo com nossos interesses.

O texto que estamos comentando narra a ida do Senhor, ainda menino ao templo a fim de realizar sua purificação (Lv. 12.6-8), após a circuncisão (v. 21). Lá se encontrava um homem piedoso chamado Simeão, que movido pelo Espírito foi ao templo. O mesmo Espírito havia revelado que “ele não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor”.

Simeão em sua fala diz algo muito importante para nossa consideração: 1) Ele é destinado para ruína e para o levantamento de Israel; 2) Para ser alvo de contradição; 3) Uma espada transpassará a própria alma para que se manifestem os pensamentos de muitos corações. Logo, de acordo com a profecia de Simeão, a pessoa do Senhor Jesus causa dois sentimentos distintos, o abatimento e a exaltação. Isso é bastante claro ao observarmos o que o texto bíblico nos ensina acerca do nascimento de Cristo, vejamos então esses relatos:

A situação da família de Jesus em Seu nascimento (Mt. 1.19)
O nascimento virginal e suas implicações – Maria estava prometida a José, ela era virgem e ainda não tinha contato com aquele que seria seu esposo. De uma hora para outra ela aparece grávida. O anjo tinha anunciado a ela (Lc 1.26-38), mas não a José ainda, por essa razão ele resolve deixa-la (Mt. 1-19). Antes do nascimento o Senhor enfrenta esse primeiro conflito que é resolvido após a aparição do anjo a José.
Um risco para Maria – Segundo a Lei, Maria poderia morrer apedrejada, caso não se provasse a questão de seu filho. José tem um papel fundamental quanto ao nascimento, visto que apenas alguém realmente escolhido por Deus e fiel, poderia fazer parte de tão gracioso propósito. A escolha divina para ser pai do Senhor sem dúvida atesta isso.

II- Os magos do Oriente e a fuga para o Egito e a matança dos inocentes (Mt.2.1-18)
Uma narrativa que busca apenas relatar a visita dos magos no presépio, esquece-se dos fatos que mostram o quanto aqueles dias eram terríveis, analisemos as implicações:
A busca pelo Messias nos palácios (Mt. 2.1-12) – Esses magos, provavelmente advertidos pelo estudo da Lei, sendo estrangeiros e não sabendo que o rei de Israel era um rei ímpio e sanguinário, foram até o palácio real esperando que lá encontrassem a Cristo. Nessa ocasião a profecia de Simeão se cumpre mais uma vez, eles buscam adorá-lo, enquanto Herodes buscava a sua própria ruína. Deus os guiou de maneira segura até Cristo, mas a maldade de Herodes já havia sido despertada.
Jesus e seus pais vão para o Egito (Mt. 2.13-15 e Os 11.1) – Cumprindo a profecia de Oséias, após a visão do anjo, Jesus é enviado para o Egito. Fatos cruéis o aguardavam se Ele permanecesse em Israel.
A matança promovida por Herodes (Mt. 2.16-18) – Esse rei sanguinário tinha por intenção promover o extermínio do Messias. Ele certamente sabia de sua linhagem real (filho de Davi), a mesma que ele como rei não pertencia. Sua matança tinha em vista destruir a possibilidade do retorno ao trono da família de Davi, que na época de Cristo não era tão importante como em outras épocas, pelo menos financeiramente. Esses fatos não aparecem no presépio na noite de natal.

III- O natal e sua principal mensagem (Lc. 2.10)
Boa nova de grande alegria (Lc. 2.10) – Eu não faço coro a aqueles que pensam que o natal é uma festa pagã. O natal é a maior festa cristã. O nascimento de Cristo é o maior anúncio que o mundo pôde receber. Se Ele não tivesse encarnado naquela criança simples naquela “noite feliz” eu e você, assim como o mundo inteiro não teria nenhuma esperança.
Paz na terra entre os homens (Lc. 2.14) – As palavras da milícia celeste de anjos refletem não a profecia de Simeão, mas uma profecia para a época presente e para o final das eras, quando Jesus for a paz nos homens convertidos e tementes a Deus hoje e a multidão de redimidos no Reino eterno.

Não devemos nos enganar com as sutilezas comerciais dessa época. Muita coisa foi acrescentada ao verdadeiro natal. Cabe a igreja cristã se preocupar para que isso seja recuperado. Temos o manual para toda e qualquer Reforma que nos cabe fazer, as Escrituras.

Recuperemos aqueles dias em nossas mentes com sincero temor. Lembrando-nos dos fatos relativos ao nascimento do nosso Salvador. Lembrando que Ele surge como uma espada que divide a humanidade e que apesar de muitos buscarem algo relativo a Ele nesse dia e nessa noite de natal, suas vidas não o fazem constantemente.

A igreja cristã é o real baluarte do verdadeiro natal. Celebremos esse natal na certeza de que Cristo é para nós elevação sobre Israel, mas para aqueles que não lhe conhecem vero abatimento. Louvamos a Deus por sua infinda graça.




quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A FUNÇÃO DO HOMEM NO PROPÓSITO REDENTIVO PRETENDIDO POR DEUS

Há algum tempo essa pergunta me atormenta? Tenho visto com muita frequência igrejas onde a maioria esmagadora de seus membros são mulheres e isso de alguma forma me anima, pois devemos louvar a Deus pelo forte ministério feminino, mas por outro lado fico bastante preocupado em não vermos números expressivos de homens na membresia da igreja como um todo.

É claro que ao abordar isso não quero propor nenhuma guerra entre os sexos, não é essa minha intenção. Mas se Deus tenciona salvar eletivamente uma grande quantidade de mulheres que supere em mais da metade o número de homens quem somos nós para questionarmos o Senhor? Mas percebo que o problema em questão não é tão fácil de ser resolvido e que a condição espiritual da igreja passa, a princípio, pela conversão de homens ao Senhor. Infelizmente isso não é o comum em nossos dias e alguns pontos precisam ser levantados se nós quisermos fortalecer nossas igrejas com a presença masculina bíblica e saudável. Chamo a sua atenção para algumas considerações:

A Bíblia e o papel do homem
A sociedade como nós conhecemos e que é a mesma que foi estabelecida por Deus em seu propósito original, foi criada de forma a colocar os dois sexos, homem e mulher em certo nível de igualdade, pois nossa matriz genética é composta de genes masculinos e femininos, logo os tais foram fundamentais para toda a humanidade de maneira matricial, não somente no que concerne à genética, mas também no que diz respeito à representatividade em questão, sendo os dois gêneros colocados na criação pelo Senhor de modo a mostrar a totalidade representativa tencionada pelo Criador. É óbvio que o propósito redentivo do Senhor para com os gêneros tencionou dar certa primazia ao homem no texto bíblico, isso foi refletido na própria formação cultural dos povos antigos, onde a participação masculina recebeu certo destaque em grande quantidade pela própria constituição genética do homem, que além de ir às guerras, sempre foi aquele que supre o lar e que por consequência está mais envolvido com grandes conquistas territoriais e de liderança. Porém a própria Escritura atribui ao homem um papel exponencial, quando o coloca como coroa da criação divina, que é completado plenamente com o surgimento da mulher. Mas desde o passado mais remoto vemos a primazia do homem na escolha divina para funções importantes no plano redentivo, como a escolha dos patriarcas Abrahão, Isaque e Jacó. Entre todos os herdeiros das tribos israelitas, que sem dúvida incluíam mulheres, apenas os homens receberam a primazia em seus clãs, nenhum patriarca era mulher. No período posterior, aquele que estabelece a história judaica como nação, a presença masculina também é importante, o libertador Moisés era homem, bem como seu sucessor Josué e, igualmente, os próprios juízes no período posterior, também. Apesar de haverem raríssimas exceções (Como no caso de Debora, da tribo de Efraim, que além de profetisa era também juíza. Jz 4.4). No período conhecido como profetismo o mesmo fato é constatado, apesar de haverem profetisas neste período a grande maioria eram homens (Ne 6.14 e Lc 2.36), assim como os reis no período monárquico. No Novo Testamento os doze apóstolos eram homens e apesar de haverem mulheres importantes no ministério de Jesus, elas não tinham nenhuma primazia na igreja, no sentido de liderança, não foram dados a elas cargos como apóstolas, bispas, presbíteras ou diaconisas. Esses cargos são relativamente novos na história da igreja e fazem parte das conquistas recentes do movimento feminino, apenas instituídos recentemente em igrejas onde prevalece uma teologia liberal. Organicamente e originariamente não havia essa liderança estabelecida nas Escrituras, isso não faz da mulher desnecessária, mas apenas corrobora o entendimento que o ministério na igreja de Cristo é um ministério masculino qualificado.

A conversão do homem ao ministério da igreja
O ministério masculino faz parte então, como já demonstrado anteriormente, do propósito divino para toda humanidade e mais especificamente para a liderança do Seu povo redimido, a igreja. Não estou pregando aqui uma espécie de particularismo machista, mas algo baseado naquilo que encontramos na Revelação e que diz respeito ao propósito redentivo pretendido pelo Senhor. Alguém pode perguntar: “Se faz parte do propósito redentivo do Senhor, então qual é a razão para tal questão não acontecer a contento, uma vez que já demonstramos aqui que existe um desequilíbrio numérico em nossas igrejas quanto ao número de membros masculinos?” Quanto a isso creio que devemos pensar em uma abordagem evangelística que primeiro esteja dentro dos padrões escriturísticos e isso deve ser algo fundamentalmente teológico, ou seja, deve haver uma inclinação a se buscar respostas que partam, antes de qualquer coisa, da Bíblia. Esse entendimento deve realçar a função do homem no processo redentivo, na igreja, família, trabalho e Estado. É a partir de uma conclusão centrada na Bíblia que identificaremos os problemas existentes em nossa abordagem e a maneira como produzimos, segundo a vontade de Deus, homens que possam servir de parâmetro para influenciar outros homens a verem a igreja não como algo que pertence às mulheres, mas que eles mesmos estejam engajados a encorajar outros homens neste particular.

Outra questão é o entendimento de que algo precisa ser feito no sentido de nos fazer mais atuantes em questões que o homem secular se preocupa. Quanto a isso preciso ser bem específico para não ser mal entendido aqui. Não estou defendendo que deveríamos, enquanto homens crentes, termos abordagens parecidas com aquelas demandas pretendidas pelo homem sem Deus, mas que existam sempre e de forma embasada nos princípios que estabelecemos acima, uma preocupação em suprir as principais intenções do pensamento masculino, mas com toda a complexidade da cosmovisão bíblica, ou seja, se vamos procurar falar de companheirismo precisamos ter uma preocupação de suscitar isso dentro do contexto da irmandade cristã, se falamos de lazer, pensarmos dentro da mesma perspectiva e dai por diante. Não que seja necessária uma substituição “sacralizada” do estilo de vida do homem sem Deus, mas que a igreja promova um ambiente que procure alcançar homens que encontraram na igreja uma perspectiva para desenvolver suas responsabilidades masculinas e que possa leva-los a outra que seja inteiramente focada numa teologia que busque esclarecer as principais temáticas suscitadas pelo homem. Acredito que a Bíblia tem muito a nos ensinar sobre isso. Creio que as conquistas do movimento feminino acabaram minando esse desenvolvimento em nosso meio. As igrejas, mais do que qualquer outro setor, estiveram vulneráveis às propostas do movimento feminino, isso aconteceu em grande medida em razão de termos uma teologia pouco sólida a esse respeito. Alguns setores não estavam prontos naquela época e não estão prontos hoje também. É o caso da igreja católica romana, que em sua abordagem a esse assunto se manteve longe de resolver a questão, em grande medida pela sua pouca influência nesse setor, uma vez que no caso específico da igreja romana, suas defesas do celibato dos padres e outras tantas questões como a pedofilia entre seus clérigos, sem dúvida os afastaram dessa questão da masculinidade.

Os protestantes por sua vez, tem um ambiente favorável para esse empreendimento. Temos condições não somente de desenvolver um ambiente teológico seguro, como também de proporcionar que tais doutrinas sejam exclusivamente amparadas em nossa confecionalidade, quanto aos nossos símbolos de fé e quanto nossas convicções da inerrância e infalibilidade bíblica.

O ministério masculino e os benefícios para a igreja e sociedade
Estamos experimentando dias difíceis para nossas concepções escriturísticas quanto ao papel do homem no mundo atual. As conquistas feministas foram um duro golpe à igreja, principalmente porque não houve uma salvaguarda e uma preparação adequada para isso no passado. Hoje em dia vemos o crescimento dos setores envolvidos nas reivindicações de grupos homossexuais, isso parece solapar a esperança, uma vez que prega um mundo desprovido de “pré-conceitos machistas” e enquanto isso empreende uma campanha no sentido de fazer com que o homem seja uma espécie de andrógeno, efeminado ou algo assim. Muitas pessoas de “mente aberta” já estão chafurdadas nesse argumento e pensam num homem no estilo metrossexual, um homem com forte preocupação estética e alvo fácil para os conglomerados de produtos estéticos que buscam justamente a perca da masculinidade, o que faria dessas empresas, que já lucram quantias exorbitantes com as mulheres, lucrarem também com os homens. Veja aqui que eu não estou defendendo que o homem não possa ser higiênico e preocupado com sua saúde, mas que é do interesse desses setores que o homem esteja sendo visto como público alvo de suas campanhas publicitarias, o que lhes renderão grandiosas quantias e inúmeros dividendos.

Ao se reafirmar o papel do homem no propósito redentivo, estaremos colocando a ênfase que Deus coloca sobre a espécie masculina. Dentro dessa perspectiva estaremos viabilizando o crescimento em nosso meio de uma liderança masculina qualificada, fazendo que nossos ofícios sejam supridos quanto a esse particular. Consequentemente as famílias estarão também sendo influenciadas, pois o próprio homem, uma vez ensinado sobre a importância da masculinidade bíblica, estará participando ativamente do prolongamento dessa perspectiva na criação que ele transmitirá a seus filhos. Haverá também a entrada desses conceitos dentro da nossa sociedade onde a mesma estará tendo um ponto de apoio para o impedimento de ideias feministas e homossexuais, uma vez que esse conceito se tornando mais conhecido e não sendo tão somente algo para rivalizar a temática pretendida hodiernamente, será algo fundamentalmente estabelecido logica e teologicamente. As consequências quanto a isso são ilimitadas. Haverá repercussão em todos os setores sociais, desde a família ao Estado, com influências sobre as leis e sobre as futuras gerações de homens.

Conclusão
É claro que ainda estamos no início desse debate. Vários teólogos em nosso país e fora estão comprometidos a fazerem uma exegese bíblica da função do homem no plano redentivo. Os avanços quanto a este particular ainda são incipientes, mas sem dúvida o debate se prolongará fortemente e conseguirá avanços notáveis. Não tenho dúvida de que podemos evitar que nossa sociedade seja tragada desse empreendimento maligno que busca destruir a imagem da masculinidade pretendida por Deus em Sua vontade revelada.



Mesmo que ainda sejamos taxados de machistas e retrógrados não devemos temer aos desafios que se nos apresentam. Precisamos focar nossa pesquisa nesse tão necessário ministério, fazer com que nossas comunidades locais tenham também desenvolvido esse debate, que conferências sobre esse tema possam irromper-se em todo país e mais e mais estejamos orientados. Urge tal necessidade, por isso faz-se necessário abordarmos assuntos como esses. Que Deus continue a despertar outros estudiosos quanto a esse particular e que a igreja de Cristo seja fator de proclamação da função do homem para todo o mundo, essa é a nossa expectativa.

domingo, 24 de novembro de 2013

A igreja e Cristo


Efésios 1.15-23

Dois grandes assuntos estão sendo abordados por Paulo nessa pequena parte das Escrituras. Aqui vemos o apóstolo considerando a fidelidade da igreja de Éfeso, ao passo que menciona suas virtudes e serviços cristãos, bem como, adiciona a doutrina sobre Cristo, o Cabeça da igreja, aquele que com seu sangue conquistou um povo para si.

Hoje a noite veremos como essas duas doutrinas são preciosas para nós. A primeira nos ensinando a amar a igreja com o amor que o próprio Cristo amou e a segunda nos mostrando o significado da obra do Mediador, aquele que se sacrificou por esse povo, que lhe é mui amado.

Diante disso, proponho um título: “A igreja e Cristo”.

Observamos como, de maneira especial, o apóstolo continua a nos ensinar sobre essas doutrinas maravilhosas. Ele é hábil em nos conduzir a padrões elevados, de fato seu objetivo é nos levar a adoração, nos conduzir ao entendimento de que nada do que foi feito por Deus é desprezível ou desnecessário. Vejamos de que maneira podemos ser instruídos aqui:

I- O ensino de Paulo sobre a igreja (vv.15-19).
Não enfatizamos a igreja aqui por ordem de importância, isso é evidente, mas por causa da abordagem do apóstolo em sua ordem cronológica. Vejamos o que ele tem a nos dizer nesses versículos sobre a igreja:

A igreja é uma comunidade de amor (v.15) – A igreja não é meramente uma instituição. É claro que muitos desejariam que ela se ocupasse apenas dessas coisas, mas isso não é o objetivo do Senhor para ela. A igreja é vista como um lugar de auxílio mútuo, onde os cristãos não somente vivem uma relação social, mas se amam entre si. Paulo ouve que isso era comum em Éfeso e se alegra com essa notícia.

Uma igreja admirável (v.16) – Porque Paulo se refere de forma tão atenciosa a essa igreja? Porque tantos elogios? Essa igreja era admirável. Paulo ora em favor dela para que ela seja mantida nessa condição, exemplo para outros. Aqui também está em realce a função pastoral de oração pelos crentes.

Uma igreja Trinitária (v.17) – Aqui compartilho a ideia de Calvino e Hendriksen de que a palavra mencionada aqui como “Espírito” se refira ao Espírito Santo. Sendo assim, vemos a importância da igreja ter um relacionamento trinitário com o Senhor. Vemos a menção que o Pai do nosso Senhor Jesus é o “Pai da glória”, depois de vermos a filiação do próprio Jesus, e finalmente que o Espírito nos concede revelação e conhecimento. A igreja é uma comunidade trinitária.

A igreja precisa saber que é (v.18) – O apóstolo ora que o mesmo Espírito que revela e dá conhecimento é o mesmo que pode iluminar a igreja. Ele pode conduzir a igreja, a saber, questões importantes para sua vida. 1) A igreja precisa ser iluminada no coração; 2) Saber do seu chamamento; 3) E conhecer a riqueza de sua herança.

A igreja e o poder de Deus (v.19) – Finalizando, Paulo indica que existe muito poder em prol da igreja. O próprio TODO PODEROSO, está ao dispor desse povo. O poder despendido é segundo a eficácia da força do Seu poder, logo, essa igreja está segura e firme nas mãos daquele que pode todas as coisas.

II- O ensino de Paulo sobre Cristo (vv.20-23)
O poder que ressuscitou Cristo (v.20) – O mesmo poder que sustenta a igreja é o mesmo que ressuscitou Cristo. Aqui ele começa a nos fornecer informações sobre o Cabeça da igreja. Cristo está à destra de Deus em lugares celestiais. Essa é uma posição exaltada, que significa regência e primazia. Ao dizer que Cristo está à direita de Deus, ele nos ensina suprema importância da posição trinitária em referência a Cristo.

Mais da sua posição exaltada (v.21) – Quando ele diz que ele é acima de todo principado, potestade, poder e domínio, prefiro acompanhar Calvino quando diz que pouco se sabe sobre essas ordens. Que esses cargos possam se referir a seres angélicos isso é bem possível, mas tentar dizer o que uma ordem faz e a outra não, não é o nosso objetivo. Aqui simplesmente vemos Cristo acima de todos os anjos e isso nos basta. Em segundo lugar Ele é acima de todo nome, isso sem dúvida quer dizer qualquer nome. Não existe nenhum outro nome acima de Cristo (Atos 4.12).

Cristo acima de tudo e pertencente a igreja (v.22) – Outra posição exaltada aqui é a condição que Cristo ocupa frente às coisas criadas. Nada é semelhante a Ele em importância. Paulo ainda enfatiza que Cristo pertence à igreja e a igreja a Cristo. Deus deu Seu próprio Filho para a igreja, isso significa a substituição vicária, como também o bem maior que a igreja recebe a ter Cristo como seu. 

Cristo e a igreja (v.23) – Por fim, vemos aqui que Cristo é o Cabeça do corpo (igreja), sem Ele teríamos um monstro, uma deformação horripilante. Cristo é o responsável pela manutenção do corpo, enchendo a mesma de Suas ricas providências.

Que importantes doutrinas temos aqui. Que bela harmonia Deus estabeleceu em Seu propósito de unir Cristo e a igreja. Esses dois pontos são complementares entre si. É verdade que Cristo seria ainda exaltado se não tivesse a igreja, mas sem dúvida Seu nome é mais exaltado ainda quando Ele adorado por Seu próprio povo.


Pense no grande benefício que Deus te fez ao te dar Cristo como salvador. Lembre-se de sua condição caída e da necessidade que você tem de viver apenas para Cristo. Lembre-se da posição exaltada de nosso Mediador e veja como Ele enfrentou todas as coisas em nosso favor. Fazendo isso sinceramente veremos que nada deveria nos desestimular na igreja de Deus. Deus mesmo é que a mantém. Ele é o Senhor da igreja e conduzirá esse povo para o objetivo que Ele assim tenciona. Que Deus nos faça amar a igreja e muitas vezes mais, nos faça amar o nosso Salvador, amém.