sexta-feira, 12 de junho de 2015

O dano do extremismo e o caos da alienação mesmo as bem intencionadas

As mídias sociais, há quase uma semana estão inundadas de assuntos relacionados a chamada “marcha gay” ocorrida recentemente na cidade de São Paulo. Onde um travesti, seminu, interpretou uma versão de um crucificado, tendo como objetivo atingir o público religioso, o principal oponente desses movimentos em nosso país. Muitas opiniões têm chegado ao nosso conhecimento e principalmente textos enfurecidos, onde os evangélicos afirmam que tiveram sua fé vilipendiada pelo movimento gay. Depois de considerar todos os lados envolvidos, menos aqueles que se referem ao próprio movimento LGBT que não divulgou nota alguma sobre o episódio, nem os organizadores da marcha, nem mesmos os seus diretórios estaduais. Penso que cabe uma palavra de reflexão sobre o assunto, até mesmo depois que ouvi renomadas figuras evangélicas nacionais opinarem sobre o mesmo. Considero as seguintes conclusões sobre isso tudo.

1) O movimento gay como conotação ideológica – O movimento conhecido como “movimento gay”, nitidamente propõe um doutrinação ideológica de suas práticas. Encontrando adeptos tanto naquilo que é no âmbito político como “liberalismo”, como no caso do partido democrata nos EUA, em partidos de bandeiras vermelhas como o PSOL e o PT em nosso país. Em comum, existe o entendimento do estado laico, ou seja, que as normas de uma nação não podem ser direcionadas por nenhuma confissão religiosa. Em nosso país, desde a afluência do partido dos Trabalhadores ao poder, uma campanha maciça tem sido orquestrada para implementar aquilo que ficou denominado de “agenda gay”, onde as diversas agremiações homossexuais contam com o apoio público para empreender uma doutrinação homossexual a partir da infância, em crianças de idade escolar, influenciadas pelo Estado Brasileiro. Esse apoio estatal faz com que cartilhas sejam confeccionadas com esse objetivo. No centro do debate está o cerne comum entre essas divergentes ideologias políticas como a secularização da sociedade, onde, como é perceptível, o movimento gay penetra nas brechas fornecidas por uma sociedade que gradativamente se afasta das Escrituras Sagradas, com recursos financiados pelo Estado. Em minha opinião, temos algo de culpa nisso tudo como igreja. A demora dos líderes ao perceberem esta orquestração ideológica foi a causa do atual embate que hora enfrentamos. Tanto nos EUA como por aqui, aconteceu o mesmo. Quando os cristãos deixaram de influenciar a sociedade pela sua cosmovisão bíblica. Sistemas secularistas se apropriaram de setores como a educação e a política e isso com o consentimento de muitos líderes cristãos. Hoje existe um confronto direto e não sabemos se nessa guerra os conceitos milenares serão preservados uma vez que existe o apoio da mídia nessa questão, favorável aos gays.

2) O movimento gay é altamente midiático – Sem dúvida nos faltará espaço para citar aqui toda essa revolução empreendida com sucesso pelos proponentes gays. Eles estão entranhados na cultura midiática disseminada por Hollywood, onde por exemplo, filmes com a temática homossexual ganham em projeção. O filme Milk, traduzido no Brasil como “A voz da igualdade”, interpretado por Sean Penn, retrata a vida do político americano chamado Harvey Milk, foi vencedor do prêmio Oscar em 2008 nas categorias melhor roteiro original e melhor ator, além de ser indicado para seis outras categorias.
Filme vencedor do Oscar em duas
categorias, Melhor ator e melhor
roteiro original


















Desde filmes como “Priscila, a rainha do deserto” e “Brukeback Montain”, Hollywood tem empreendido lançamentos, com algum sucesso cinematográfico.
O estilo clássico do ícone americano masculino
Velho Oeste narrando um relacionamento
Homossexual


No Brasil, o que hora percebemos, é a influência da Rede Globo de Televisão, que tem investido espaço no horário nobre de suas telenovelas a personagens gays que recebem algum sucesso de tempos em tempos como o “Capitão Gay”, interpretado por Jô Soares no Programa Viva o Gordo na década de 80
Capitão Gay no Programa Viva o Gordo
, até o sucesso estrondoso de Félix Khoury da novela “Amor à vida” interpretado por Mateus Solano. Essa novela foi a primeira a exibir um beijo gay na TV brasileira por essa emissora. Além do fato, que a partir do sucesso obtido, quase todas as tramas contam com um personagem homossexual, que sendo, afirmam os escritores, refletem um segmento crescente da sociedade brasileira.
Félix na novela "Amor a Vida"



3) O movimento gay não tem confissão religiosa – Apesar de, evidentemente, cada indivíduo ter sua confissão particular, o citado movimento não busca angariar o apoio dos religiosos. Mesmo estando em um país predominantemente religioso, com números perto dos 90% da população, o movimento prefere empreender uma batalha ideológica com os religiosos. Nos principais nomes odiados pelo movimento gay figuram nomes como o pastor Silas Malafaia e o deputado, também pastor Marcos Feliciano. Nesse particular, o movimento se distancia da tática empreendida pelo movimento americano, que conta com o apoio de denominações inteiras como a PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos), que acolhe em sua membresia homossexuais e pastores com essa orientação. No Brasil o movimento prefere atacar, os pastores e suas denominações. Como foi o caso da recente marcha do orgulho gay realizada na cidade de São Paulo onde um travesti de alcunha “Viviane Beleboni” encenou um crucificado. Tal atitude teve reverberações imediatas tanto de evangélicos como de católicos e isso demonstra a ruptura do movimento em conseguir o apoio evangélico e romanista.

Extremismo e Alienação
Em minha perspectiva a igreja, genuinamente cristã, nunca se tornou e nunca se tornará um empecilho para a entrada de pecadores. O chamado evangélico para o arrependimento é igualmente destinado para homens e mulheres héteros e também homossexuais, apesar desta distinção não ser determinada pela Palavra. Os pecadores são identificados como a grande massa humana afetada pela queda original, isso independe de que maneira eles são rotulados de acordo com os seus pecados.

Há, no entanto, sempre o risco de cometermos exageros extremistas e alienação coletiva, quando incitamos o ódio aos nossos semelhantes. Não apenas ao grupo em questão, mas a todos os outros que pensam diferente de nós. Os países onde os cristãos são maioria, sempre estiveram no centro daqueles que mais dialogaram com as oposições. Não somos como o Estado Islâmico que mata os “infiéis”, mas toleramos as divergências, mesmo tendo posições firmes e contrárias em muitas opiniões. Quando observo irmãos, falando de orações imprecatórias e ódio a uma classe específica, não consigo dissociar daqueles trágicos eventos na história da humanidade, onde o contraditório foi destruído por ideias religiosas e políticas e que tanta dor causaram em suas épocas. Como pastor, recomendo o debate franco e respeitoso, mesmo sabendo que esse pode não dar em algo útil, do ponto de vista do efeito, pois sabemos que aqueles que andam nas trevas, podem não aceitar o “escárnio da cruz” e darem de ombros para os seus próprios pecados. Mas também, é evidente, existe o outro lado da moeda, pecadores desejosos por conhecer a Cristo genuinamente, podem estar nas fileiras do movimento gay e não proponho aqui uma cura para os gays, mas que eles deixem seus pecados aos pés de Cristo, mesmo aqueles que eles tanto amam, como nós também devemos depositar. Que Deus nos livre do discurso de ódio de tantos oportunistas. Que o Senhor nos conceda a mesma misericórdia existente em Cristo, que foi conhecido como amigo dos pecadores, eis a razão de estarmos hoje em Sua graça. Perdoados e redimidos por Aquele que estende seu amor ao mais vil pecador.

Com essa opinião não busco atenuar os graves incidentes ocorridos na marcha, pois tais ações foram graves e extremamente ofensivas, mas busco refrear, pelo menos em mim mesmo, algo que me remeta aos princípios evangélicos extraídos das Santas Escrituras. Os homossexuais não são meus inimigos. Ele não estão na classe denominada "principados e potestades, que é mencionado em Efésios 6, mas sim na classe denominada sangue e carne, logo, precisarei manter focado o meu evangelismo, caso contrário, não poderei alcançá-los pelo Evangelho, pois o entrave será meu ódio a eles, aliás, o mesmo que eles parecem defender quando afrontam símbolos cristãos. Que Deus nos livre de sermos empecilhos para a obra de Deus seja em que for, que Ele nos leve a sentir a mesma misericórdia que um dia nos alcançou.



quarta-feira, 4 de março de 2015

CARTA A MINHA FILHA ISABELA

(Por ocasião do nascimento de minha primeira filha)

Salmos 127.4-5 - “Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, quando falarem com os seus inimigos à porta”.

Minha querida filha não tenho palavras para expressar como eu e sua mãe estamos felizes em te receber nesse momento. Desejamos sentir esses dias ao longo de dez anos e aprouve a Deus nos enviar você nesses dias. Gostaria de deixar expressas minhas impressões sobre esse momento e gostaria que um dia, quando você estiver mais velha e talvez nos dando nossos netos, você mesmo possa ler estas palavras e também possa passar alguns conceitos pertinentes e próprios segundo os princípios da Palavra de Deus.

Antes de tudo querida gostaria de lhe lembrar que foi concebida numa família do pacto e não quero lhe pressionar quanto a isso, mas gostaria que você soubesse que isso implica no conhecimento de que você nasce como uma semente da aliança, segundo a qual o Senhor aprouve conceder esse status a parte da humanidade que vivia em condenação, mas por causa do Seu grande amor, por Sua própria glória e honra, Ele resolveu salvar alguns, da semente caída em Adão e separar um povo exclusivamente Seu, zeloso e de boas obras. Você tem um privilégio que eu e sua mãe não tivemos, de ser criada segundo as bases do Evangelho, isso te fará conhecer, desde pequena, o culto a um Deus santo, amoroso e terno, que estará contigo por todos os dias de sua vida, lhe auxiliando em sua peregrinação como criança, jovem, mulher e mãe. Rogo ao Senhor que Ele a faça ternamente, conhecer a Sua graça e que você ande em Suas pisaduras todos os dias de sua vida.

Você nasce em uma época bem confusa, em dias em que não é fácil ser um cristão e listo, para que você conheça a razão desse meu entendimento.  Hoje alguns de nossos irmãos estão sendo mortos por grupos que ameaçam nossa condição em todo o mundo. Primeiro por questões políticas, que desde o início do século passado, sistemas déspotas buscam riscar nossa influência daquilo que ficou conhecido como Ocidente. Essa perseguição é bem sútil, tem a bandeira de “estado laico”, mas por trás está o ódio aos nossos valores e muitos cristãos ao redor do mundo flertam com suas lisonjas. Outra perseguição que sofremos ocorre por grupos tidos como “terroristas”, esse é um nome mais brando e que não reflete o tamanho da maldade de homens que estão perseguindo a nossa fé na África, Oriente Médio e Europa. É possível que quando você estiver mais velha algo bem pior aconteça e eu gostaria de previna-la quanto ao cuidado com sua vida e com sua fé. Nunca negocie seus princípios cristãos minha filha, seja confiante, Deus nunca nos abandonará.

Na igreja temos dias difíceis. Não somos o grupo dominante no nosso país e não tenho certeza que isso deva ser algo a ser buscado. Se isso implicasse em pessoas sujeitas a Cristo, certamente estaria feliz, porém, o que vemos é que muitos estão se apegando a práticas que nossos pais lutaram para expurgar e que derramaram seus sangues para isso, contudo, vemos que atualmente a igreja não demonstra aquilo deveria demonstrar como o povo da Palavra e isso em grande medida porque esqueceram-se das Escrituras Sagradas para dar lugar a um culto místico e entorpecente, antropocêntrico desde o seu nascedouro.

A situação política do seu país é bem confusa também. Somos um grande país, porém, papai não acredita que essa nação está preparada para lutar pelos princípios e os valores que acreditamos. Pessoas estão morrendo por causa da violência nas ruas, os homens saem de casa armados com um verdadeiro arsenal nas cidades grandes, pessoas morrem no trânsito aos milhares e existe muita injustiça em todos os setores de nossa sociedade. Existe nesses dias um sentimento de profunda decepção com os poderes vigentes de ordem democráticos. Os políticos são desacreditados porque boa parte deles se esqueceu de suas funções de pensar no povo e pensam sim em extrair da vida pública uma vida confortável e de imensas regalias para si próprios e para os seus. Um escândalo colossal está minando uma grande estatal que talvez nos seus dias, não seja nada senão conhecida nos livros de história. Você, certamente não entenderá esses nossos dias, mas eles são bem frustrantes e muita gente já se prepara para o pior.


Mas acho que isso não me impede de ser otimista com o seu nascimento. Você é nossa herança, presente de Deus que ele nos confiou. Assumo aqui a minha tarefa de lhe instruir no caminho de Cristo. Eu e sua mãe buscaremos ser exemplo para você, mesmo sabendo que somos falhos, estaremos dando a nossa vida por sua causa, caso seja necessário. Apesar de tudo, hoje, o dia do seu nascimento é um dos dias mais felizes para mim e sua mãe, nunca vou me esquecer da primeira vez que lhe vi, do seu olhar e da alegria no rosto de sua mãe, apesar das dores pelo parto cesariana. Deus certamente cuidará de ti. Ele te manterá firme em seu caminho. Ele te deu um lar de amor e certamente você saberá honrar tudo isso, pois você precisa aprender a ser agradecida e repartir aquilo que você tem de melhor. Mas acredito que seus dias serão melhores do que os nossos, ainda que hoje eles pareçam nebulosos e sombrios. Que Deus te abençoe minha filha, Deus te ilumine e que você saiba que é um bem precioso dado por Deus a nós. Nós te amamos filha.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O homem é Deus?

João 10.34

Queridos irmãos, uma atitude comum a todas as épocas e não somente aos dos dias atuais é uma atitude de rebeldia do homem para com Deus. Algumas expectativas a esse respeito são bem conhecidas como a do vocalista da banda Beatles, John Lennon, que afirmou em 1966 que “o cristianismo estava em declínio e que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo”[1].

É interessante perceber que essa proposta é bem antiga e foi originalmente proferida por satanás em Gênesis 3.5 “Porque Deus sabe que no dia que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”. Esse flerte de rivalidade com Deus está no âmago do homem caído. Toda vez que ele peca um pouco desse sentimento prevalece, pois está intrínseco na personalidade adâmica do homem. Quando vemos o homem repetindo as palavras de satanás a Eva em Gênesis 3.4 parte b “...é certo que não morrereis”, estamos ouvindo o eco dessa ideia que infesta as pretensões humanas e que faz atingir até mesmo a religião.

Historicamente um movimento intelectual que descaradamente defendeu a primazia do homem sobre as forças sobrenaturais e sobre Deus é conhecido como humanismo. A Wikipedia define o humanismo da seguinte forma:

“O humanismo é uma filosofia moral que coloca o homem como objeto principal, numa escala de importância. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas éticas que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidade humanas, particularmente a racionalidade”[2].

Esse movimento tem sido de diferentes formas, observado não somente no homem descrente, mas até mesmo no homem tido como religioso, que a despeito de ter um Deus, não consegue entender a primazia do Senhor sob sua vida e destino. É comum vermos pessoas tidas como religiosas desafiando Deus. Num exercício blasfemo e perigoso que sem dúvida alguma terá consequências gravíssimas.

A pergunta que eu faço, baseado no texto que lemos é como podemos saber se estamos ou não cheios de nós mesmos. Os fariseus na época de Jesus estavam buscando motivos para acusa-lo de blasfêmia, pois queriam saber se de fato Jesus se fazia o Messias, se este era o Seu ensino.

Esse texto de fato, nos presta uma grande informação sobre como o Senhor compreende Seu ministério. Nesse diálogo Ele diz acerca de Si mesmo:

1.   Ele assume que é o Messias, só que os fariseus não podiam crer nisso (v.25);
2.   A razão deles não crerem é porque eles não eram das ovelhas de Cristo (vv.26-27);
3.   Jesus é um com Deus (v.30);
4.   A Escritura não falha, o Messias foi prenunciado no Antigo Testamento (v.35);
5.   O Messias foi santificado por Deus Pai e enviando ao mundo (v.36);
6.   As obras de Cristo são as obras do Pai (vv.37-38).

Dito isso gostaria de refletir no seguinte título: “O homem é Deus?” Esse título em forma de questionamento tem como objetivo entender porque o homem tão arrogantemente deseja ser como Deus. Para isso, convido os irmãos a refletirem nas seguintes verdades provenientes do texto:

Jesus argumenta baseado no Salmo 82.6.
Depois de fazer uma declaração que enfureceu os fariseus “Eu e o Pai somos um”, nosso Senhor indica que essa não é a primeira vez que um título tão exaltado como Deus é atribuído a alguém nas Escrituras. Para isso ele cita o Salmo 82.6, que diz: “Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do Altíssimo”. Observemos a explicação do mesmo:

O Salmo 82 – Esse salmo foi escrito por Asafe que no corpo do Salmo enfatiza que Deus julgaria os juízes de Israel que estavam julgando injustamente a Lei de Deus (vv.2-4). Deus estava mostrando, através do Salmo, que Ele é o único Juiz de toda a terra (v.8). Os fariseus, certamente, conheciam esse texto, porque razão nunca observaram ou questionaram esse ensino?

Outros exemplos de algo similar – Moisés havia recebido uma designação semelhante perante o Faraó (Êx. 4.16 e 7.1); Os juízes tinha status de reverência, similar ao tributado a Deus (Êx.22.28) e eles quando julgavam faziam isso como se fosse o próprio Deus (Dt. 1.17). Logo, o ensino de Cristo estava pautado nas Escrituras que os fariseus diziam conhecer.

Jesus argumenta de forma retórica e desafiadora.
No argumento de Cristo, além de existir a ratificação de que Ele não estava ensinando nada novo, existe o fato dele usar uma retórica desafiadora para derrotar os seus interpeladores. Vejamos como isso acontece:

Ele os desafiou a olhar para si mesmos – Esse desafio nos faz buscar a razão de nossa própria rebeldia perante Deus. Porque temos o costume de nos autovalorizar, nos colocar na frente dos outros, buscarmos nossos próprios interesses? Apesar de não professarmos abertamente em muitas ocasiões nos colocamos em posição exaltada, isso demonstra que Jesus não falou algo impensadamente.

Ele os desafiou a depender mais de Deus – É somente quando temos nossa altivez destruída, quando nos arrependemos dos pecados que cometemos que podemos realmente entender que nunca estaremos no nível de Deus. O mundo pode mentir para nós e tentar nos lisonjear, mas esse empreendimento em um crente fiel será sempre frustrado, porque Ele aprendeu a depender exclusivamente de Deus e ele não se vê em posição de igualdade com Deus.

Jesus argumenta com o propósito de nos levar à humilhação. Jesus termina nos mostrando que os fariseus não podiam ser seus discípulos enquanto estivessem cheios de si mesmos. Isso nos incita a buscar em nós aquilo que tem nos levado ao orgulho e aquilo que cativa nosso coração para nos afastar do caminho do Senhor. Vejamos um pouco mais isso:

Cristo é o Único Deus – Não existem dois senhores, ou você pertence a Cristo ou não pertence a ninguém. Não é possível termos um culto sincretista, dividido entre nós e Deus. Se você tem posto sua confiança em você mesmo e não em Deus isso significa que você é um crente sincrético, misturando o humano com o sagrado como diz Paulo em Romanos 1.24-25:

“Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente, amém.”

Cristo é a nossa vida – Ao nos opormos ao pensamento dos fariseus de que Cristo era um blasfemo, nos identificamos com o próprio Cristo com Seus milagres, com Sua obra e com Sua justiça. Quanto mais temos a Cristo, mais temos a nossa condição restaurada, mais nos afastamos da idolatria do culto a si mesmo desses dias.

Todos aqueles que trocam Cristo por si mesmos são grandessíssimos idólatras. Com o pretexto de se preocuparem consigo mesmos, acabam relegando a obra de Cristo, Seu culto e a santidade. Precisamos terminantemente ser contra toda e qualquer conceito, seja ele intelectual, seja ele de acomodação, que nos coloque no centro de nossas prioridades.

Lamento que hajam tantos crentes que não escapam dessas palavras pronunciadas por Cristo a tanto tempo. Eles são egoístas, avarentos, amantes de si mesmos e idólatras. Precisamos de cristãos que estejam deixando a si mesmos todos os dias aos pés de Cristo, que não estejam interessados em buscarem seus próprios interesses e sim o de Cristo.

Quando isso ocorrer em nós, descobriremos como são doces as palavras que nos convocam a ter vida, como nos beneficiaremos como Paulo que disse em Gálatas 2.20: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Alguém assim renunciou o próprio eu, tem uma índole parecida com a de Cristo que se identificava com Deus, sendo um com Ele. Deus nos faça assim para Sua glória, que Ele nos abençoe ricamente, amém.




[1] Ver no link http://en.wikipedia.org/wiki/More_popular_than_Jesus
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Humanismo

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Refletindo nas passagens preferidas no período de eleição

Provérbios 21.1

O mundo inteiro pertence ao Senhor, nada acontece por acaso ou pelo destino. Confiamos plenamente na soberania de Deus e segundo essa doutrina cremos que nada ocorrerá sem a preordenação e permissão divina. Caminhando junto com essa doutrina está àquela chamada de responsabilidade humana, essa nos informa que o homem toma decisões responsáveis perante um Deus Santo. O homem não é uma máquina, mas um ser autônomo e responsável. Essas duas doutrinas não se conflitam, mas se complementam.

Hoje fomos às urnas para eleger nossos representantes no contexto político da nossa nação. Os que forem eleitos nesse processo serão responsáveis por uma parte considerável de nossas vidas nos próximos quatro anos. Temos a responsabilidade perante Deus por nossas escolhas, mas também cremos que Ele está conduzindo nossa história. Mesmo os nossos erros estão sendo administrados por Deus e é por essa razão que trabalhamos para que nossas decisões reflitam os valores do Reino, quando isso acontece, somos abençoados, mas quando fazemos o contrário, não nos resta nada a não ser pagarmos pelas decisões que tomamos equivocadamente.

Dentro desse conceito de eleições eu gostaria de refletir sobre quatro passagens bíblicas que são geralmente evocadas nessa época. Gostaria de refletir quais são as implicações dessas passagens, saber se realmente aplicamos elas corretamente quando as usamos e vermos o que podemos deduzir de tais passagens. Para isso, a fim de nos orientar, gostaria de sugerir um título: “Refletindo nas passagens preferidas no período de eleição”. Sei que não serei exaustivo na exposição, mas buscarei instruir a igreja naquilo que Deus deseja para nós, nesses momentos onde estamos fitos naquilo que esse processo eleitoral nos reserva.

Considere comigo as seguintes lições das seguintes passagens:

Salmo 33.12, a nação feliz governada pelo Senhor.
Essa passagem bíblica é exaustivamente usada por políticos cristãos. Segundo a comum interpretação, eles entendem que uma nação governada por Deus envolve representantes que sejam fiéis, que tenham princípios cristãos a fim de tornar uma nação realmente governada por Deus. Observemos o texto de perto e vejamos as lições que podemos tirar dele:

Contexto – Esse salmo de romagem demonstra um dos benefícios da comunidade do pacto na antiga dispensação. O salmista está especificando os benefícios da nação de Israel em comparação com as outras nações. As outras nações rivais a Israel confiam em reis, exércitos, homens valentes (v.16), mas Israel confia em Deus.

Relevância para nós – Esse texto tem por base uma nação que pactualmente depende de Deus, logo, bem sabemos que quase nenhuma nação atualmente goza desse privilégio. Mesmo Israel atualmente não tem o direito de se por dessa forma, uma vez que esses negaram o Messias. Este status que foi dado a Israel, nenhuma outra nação possui atualmente.

Aplicação espiritual – É inegável que as nações que tem a graça de que homens de Deus governem estão mais próximas de serem conduzidas por Deus para Seus propósitos santos, mas isso não quer dizer que Deus não possa nos abençoar sob o governo de ímpios. A Inglaterra do século XVI, sob o governo de Mary “a sanguinária” recebeu talvez os homens mais santos da Europa ocidental e isso foi uma bênção para a igreja daquele país.

Provérbios 21.1, o coração do rei nas mãos do Senhor.
Essa passagem é bastante usada para demonstrar a regência de Deus sobre o coração do rei. E isso quer dizer suas volições, vontades e inclinações. Vejamos a mesma mais de perto:

Contexto – O livro de provérbios é uma coletânea de pensamentos em linguagem de sabedoria. O mesmo é atribuído ao rei Salomão, que pediu sabedoria a Deus e recebeu. O texto em questão se enquadra nesse conceito, pois não tem nexo com o restante dos outros versos a não ser o verso seguinte provavelmente.

Relevância para nós – Deus continua sendo o administrador do coração de qualquer líder que haja no mundo. Esse não é um privilégio apenas de Salomão. Mesmos reis ímpios são usados por Deus como Ciro, são usados por Deus para obedecerem ao Seu propósito (Isaías 45.1). Esse conceito ajuda-nos a confiar no governo de Deus, mais exaltado do que qualquer governo.

Aplicação espiritual – Nesse entendimento entendemos que toda história obedece à determinação do Senhor, mesmo reis ou governantes que não conheçam ao Senhor podem ser usados por Ele e isso Ele o faz. Eles seguem o curso que Deus determinou, mesmo sem saber, mesmo sendo eles descrentes e ímpios. Somos confortados com o governo de Deus sobre toda a terra.

Provérbios 29.2, o governo dos justos.
Outra passagem preferida pelos políticos cristãos é essa que estamos analisando. Segundo eles, apenas quando somos governados por justos teremos o lenitivo, em contrapartida um governo ímpio é uma tragédia para o povo. Vejamos o que podemos aprender aqui:

Contexto – Nem todas as traduções traduzem בִּרְב֣וֹת - birḇōwṯ por governo. Algumas usam a expressam como “multiplicar”, como no caso da revista e atualizada. Na King James a tradução é “tem autoridade”, logo, nem todas indicam governo, na forma como conhecemos. Segundo a tradução que usamos pode ser entendida somente como quando crescem os fiéis há mais justiça sobre a terra.

Relevância para nós – Deus não depende de governos para fazer a Sua vontade. Na época de Cristo existia claramente um governo muito distante dos propósitos divinos, mas foi a época conhecida como plenitude dos tempos. No período apostólico a igreja conheceu talvez a pior perseguição que já houve, no entanto, foram dias de crescimentos expressivos em número e em piedade. Nesse caso os justos se “multiplicaram”, mesmo sem a interferência no Estado.

Aplicação espiritual – O texto nos conclama a buscarmos a expansão do Reino de Deus através de nossas vidas santificadas, no testemunho, piedade, evangelismo, igrejas sadias. Não nos diz que devemos ter um “projeto de poder”, ou seja, dominarmos todas as esferas culturais e sociais. Isso pode acontecer um dia, mas enquanto isso não acontece devemos continuar nossa marcha de levarmos pecadores aos pés de Cristo.

Mateus 22.21, o que pertence a César e o que pertence a Deus. Finalizando estaremos observando o último texto, esse por sua vez está no Novo Testamento e foi dito pelo próprio Senhor Jesus Cristo.

Contexto – Jesus está sendo questionado o pelos discípulos dos fariseus e pelos herodianos (v.16). O primeiro grupo já estava a algum tempo buscando fazer o nosso Senhor cair em alguma falha na Lei de Moisés. O segundo grupo tinha uma bajulação subserviente à Roma, então todos estavam interessados em saber um pouco sobre a opinião do Senhor sobre as questões relativas ao Estado. Seria Jesus contrário ao Estado? Eram essas as questões envolvidas aqui.

Relevância para nós – A fé cristã não se opõe as organizações humanas como o Estado. Jesus deixou claro que ambos podem coexistir, a fé e as responsabilidades cívicas. Não somos como os anabatistas no passado, contrários e com pensamentos anarquistas quanto a toda forma de governo. Servimos a Deus neste mundo como peregrinos, sabendo que nossa pátria está no céu. “Tememos a Deus e honramos o rei” (1 Pedro 2.17).

Aplicação espiritual – Enquanto depender de nós trabalharemos exaustivamente para que todas as esferas de nossa atuação nesse mundo caído reflitam os princípios do Reino de Cristo. Ele reina, mesmo que esses princípios não estejam plenamente estabelecidos. Nós somos instrumentos desse Reino, vivemos como se lá vivêssemos, com isso cumprimos a determinação de Cristo exposta nesse texto.

Quando descansamos nessa expectativa, ou seja, Deus governa o mundo, entendemos que nada pode impedir o avanço fiel de sua Grei. Somos instrumentos de Deus nessa terra, seja em nossas famílias, nossa sociedade e em nosso Estado. Os governantes dessa nação estarão nas mãos de Deus, sejam eles crentes ou descrentes. Nenhum deles tem autonomia de governarem sem Deus. É por isso que oramos para que eles exerçam seus governos com a bênção de Deus. Que a igreja não seja tocada por eles, pois assim sendo a ira de Deus vira sobre os mesmos.


Seja quem for que seja eleito, hoje e no futuro, serão como todos os outros do passado, apenas homens que Deus colocou ali. Não estão neles a nossa confiança de coisa alguma. Nossa confiança está em Deus. É nEle que descansamos, e é somente nEle que iremos viver. Que Deus conduza todas as coisas em nosso país. Que os justos se “multipliquem”, que os crentes trabalhem para o bem de nossa pátria e que Deus governe todas as nossas esperanças, amém.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

UM NORDESTINO TENTANDO ENTENDER OS VOTOS DO NORDESTE EM DILMA ROUSSEFF


Faz um bom tempo que não debato política em meu blog, acredito que não somente eu, mas outros blogueiros com o crescimento das redes sociais no Brasil, deixaram de publicar mais opiniões em blogs ou sites de notícias. Mesmo esses sites, contam com bastante visibilidade nessa nova plataforma o que fez com que muitos deixassem de ler exclusivamente dos blogs. Esse é um blog reformado cristão que se ocupa em sua grande maioria, com notícias referentes a trabalhos realizados nesse âmbito, bem como instrução a aqueles que precisam conhecer mais o ponto de vista reformado, além de se divulgar os esboços das mensagens pregadas pelo autor do blog. Mas hoje desejo fazer uma análise, baseado no descontentamento de alguns amigos do facebook e também de algumas notícias vinculadas na mídia nacional acerca da vantagem obtida pela candidata presidente Dilma Rousseff no Nordeste brasileiro. Eis a minha modesta opinião.

A falta de instrução do eleitor nordestino. É inadmissível que os cidadãos nordestinos estejam alheios aos debates que estão ocorrendo no cenário político nacional no que concerne aos escândalos recentes envolvendo a administração ptista. Ninguém, com razoável capacidade intelectual e tempo suficiente para assistir ou navegar na rede pode se desculpar de desconhecimento a esse respeito. Não é possível que não leiam, que não vejam o retrocesso de nosso país em diversos setores, inclusive do ponto de vista moral, que essa administração tem empreendido. É fato notório que as regiões norte e nordeste são as mais precariamente assistidas no quesito educação em todo o país. Os índices neste quesito são baixíssimos nessas regiões o que justifica um pouco a questão toda envolvendo a participação política de qualidade dos habitantes dessa região.

O Estado de Pernambuco. O único estado do Nordeste a não conceder a votação majoritária para a candidata Dilma foi justamente o Estado onde moro, Pernambuco. Aqui alguns fatores são dignos de nota, como a influência da família Campos nessas eleições, fato comprovado pelas vitórias no Senado com Fernando Bezerra Coelho e para Governo com Paulo Câmara, aliados políticos do já falecido ex-governador do Estado Eduardo Campos, além da votação expressiva conquistada por Marina Silva, que fazia chapa com o ex-candidato a presidência. Esses fatores servem para indicar a rejeição a Dilma, mas é necessário realçar que essa oposição se deve a uma questão política, mas que também indica as diferenças econômicas de Pernambuco em relação aos outros estados do Nordeste.

Entendendo o Nordeste. Outro fator determinante para isso é a condição extremamente degradante que vive o povo nordestino. Nenhum governo foi capaz de transpor as barreiras econômicas nessa região, no sentido de tornar a mesma em trajetória crescente de desenvolvimento. Obras no período ptista que poderiam viabilizar algum tipo de crescimento como a transposição e a transnordestina estão quase paralisadas e pouco modificaram as regiões beneficiadas. Mesmo estando no PAC, programa do governo que se autodenomina “de aceleração do crescimento”, estão envoltas em atrasos e superfaturamento. O Nordeste a se julgar pela eleição ao Senado de Collor em Alagoas e outros tantos que estão no cenário político a tantos anos e nada fizeram por seus estados, continua a trabalhar em um clientelismo grandioso, mesmo com a ascensão da tão afamada “classe média” dos governos Lula-Dilma. Esse clientelismo eleitoreiro e de cabresto está cada dia mais forte em tempos de Bolsa Família. O afamado programa de governo assistencialista do governo federal que escraviza tantos brasileiros é o programa de governo mais eleitoreiro da história da República Brasileira. Tudo isso, ao juntarmos falta de instrução, voto de cabresto e outros fatores típicos da cultura nordestina, ajudam a explicar tão esmagadora votação em comparação com os outros estados brasileiros.

Meu conselho ao novo governo, que espero ser o de Aécio Neves. Não despreze o povo nordestino. Priorize essa região importante da nação, que decide eleições, mas não só por isso, mas que ajude o povo nordestino a se desvencilhar desse clientelismo paralisante que temos presenciado por gerações sem fim. Que o restante do país procure entender esse fenômeno não fazendo do Nordeste brasileiro o responsável pelos déspotas dessa nação, mas tenham o anseio de colaborar com o desenvolvimento dessa região que não precisa de favores, precisa sim de atenção.

Acredito que essa região, responsável por tantos intelectuais em tão diferentes esferas em nosso país pode ser o celeiro de desenvolvimento de nossa nação. Um Nordeste forte significa um Brasil mais forte ainda. Essas são bandeiras que o nosso futuro “presidente” precisa abraçar. Que Deus se apiede do povo do Nordeste.