sábado, 20 de setembro de 2014

A profecia de Caifás: A morte de um homem, a redenção de uma nação

João 11.47-57

É verdade que a morte de Cristo é uma inesgotável fonte de bênção para o crente, pois foi por meio dela que o nosso grandioso Salvador pagou o preço requerido por nossos pecados. Mas, também é verdade que ela é celebrada imensamente por muitos. Recentemente um filme intitulado “Deus não está morto” chamou a atenção do público evangélico quanto às implicações, trazidas pela academia sobre a existência ou não de Deus.

A questão é que o Senhor morreu para muitos hoje em dia, assim como Ele já estava morto, antes de morrer, para aqueles homens instruídos na Lei que buscavam o bem de si próprios e não a vontade de Deus. Tendo isso em vista gostaria de refletir nessa noite no seguinte tema: “A profecia de Caifás: A morte de um homem, a redenção de uma nação”.

Ao comentar sobre isso gostaria de refletir acerca dos estratagemas encontrados no texto bíblico empreendidas por esses homens, no sentido de silenciar e abafar a voz do Senhor em suas vidas, algo muito parecido com aquilo que fazem os homens que nos dias atuais estão buscando o “silêncio do Senhor” no sentido de amoldarem suas expectativas ao seu alvitre corrompido.

Vejamos como isso ocorre, contemplando as seguintes nuances dessa pretensão arrogante. Vejamos como a morte de Cristo foi planejada por eles:

Uma morte idealizada (vv.47-48)
É claro que houve um período, entre os líderes judeus, que eles avaliaram os ensinos de Cristo. Eles realmente analisaram à luz da experiência e de seus métodos, se o Senhor era realmente o Cristo, se Ele realmente era o que Ele pretendia, mas isso desvaneceu em suas mentes e corações rapidamente. O que estaremos vendo aqui são os estratagemas desses homens a fim de resolverem um problema que o Senhor lhes trouxe, vejamos mais detidamente:

Os “muitos milagres” como pretexto (v.47) – João, taxativamente, explica que a razão da morte do Senhor eram os “Seus milagres”. O que é estranho é que os milagres nunca foram problema em Israel, em outras épocas eles eram vistos como sinais evidentes da ação de Deus, porque nesse caso eles estavam incomodados? A razão era que Jesus estava conquistando o povo com milagres incontestáveis, como a ressurreição de Lázaro (João 11.1-46). A assembleia mais famosa dos judeus, o sinédrio, é convocada em razão disso e percebamos o argumento defendido aqui.

O ciúme religioso nutrido pelos fariseus (v.48) – Eles entendem que era uma causa nacional. Eles, os fariseus, membros do sinédrio, desejam se identificar com a nação, quando na realidade estavam defendendo a si próprios. Nesse discurso parece haver uma observação de fraqueza na proposta religiosa de Cristo, pois eles acreditavam que isso poderia por em ruína a própria nação perante os romanos. Eles temiam a perca do poder e seu status exaltado, não estavam dispostos a viver segundo o Evangelho.

Uma morte aconselhada (vv.49-53)
O conselho dado por Caifás (v.49) – Talvez se esse conselho fosse algo de si próprio não receberia a atenção que recebe aqui, mas João vê nas palavras desse sumo sacerdote ímpio, aquilo que seria a vontade de Deus na questão da obra do Senhor, ou seja, a Sua morte vicária. Seu discurso é cheio de arrogância, mas prevê a morte de Cristo pela nação.

Um homem pela nação (vv.50-51) – Mesmo um homem cego espiritualmente pode advertir o povo quanto a algo pretendido por Deus. Deus usa a quem quer. E a verdade é a verdade de Deus, como falava Calvino. Nesse aspecto, Caifás foi profeta. Isso nos leva a entender que mesmo ímpios podem proferir o evangelho, logo, pregadores ímpios podem falar algo verdadeiro, mesmo sendo ímpios.

A aplicação evangélica (v.52) – Nesse verso, temos a explicação dada por João dessa profecia. Jesus não somente morre pelos judeus, mas para ajuntar os filhos de Deus espalhados pelo mundo, os quais são aqueles que creem em Seu nome.

Uma morte há seu tempo (vv.53-54)
A morte de Cristo, antes de tudo, foi prevista por Deus. Nem o diabo, nem os homens foram à causa dela. Estava em Deus os tempos que isso ocorreria. Vejamos como João narra isso:

Uma ação consumada (v.53) – Aqui vemos exatamente o momento em que o nome de Cristo e Sua Palavra foram desprezados por esses homens. Uma vez que esse nome está desprezado, pouco se pode fazer para fazê-Lo importante para muitos homens.

Ação evitada soberanamente (v.54) – Não é a primeira vez que Jesus evita certas pretensões humanas. Em outras ocasiões, onde Ele também estava ameaçado de morte, Ele também buscou evitar tais situações. Ele evitou ser coroado rei, Ele evitou falar abertamente, preferindo as parábolas, tais ações foram soberanamente administradas a fim de que nada atrapalhasse os propósitos soberanos do Senhor. Aqui não vemos um covarde fugindo da morte, mas o Santo de Deus obedecendo a vontade soberana do Senhor.

Uma morte controversa (vv.55-57)
A festa nacional (v.55) – Multidões de judeus frequentavam Jerusalém, principalmente durante as festas. A páscoa era talvez a mais importante delas. Estar em Jerusalém durante a páscoa era um dever para os judeus, imagine para um Rabi?

Aqueles que procuravam por Ele (v.56) – Existiam dois motivos que faziam os judeus buscar o Senhor, um era o desejo de conhecer o afamado Rabi e o outro era buscar erros em Seu ensino para o levarem para o cárcere. Os mesmos motivos ainda hoje estão em evidência e o encontro do objetivo dependerá muito daquilo que pensamos previamente do Senhor.

Aqueles que buscavam calá-Lo (v.57) – Esses homens tencionavam previamente silenciar a voz daquele que tem poder de fazê-los mudos, pois nenhum argumento é maior do que o dele. Eles buscavam o mal não somente do Senhor, mas de si próprios, mesmo que suas motivações não visassem isso.

Assim como naqueles dias muitos tencionam calar a voz de Cristo. Isso acontece por inveja ou por ódio consumado, uma vez que desprezam seus ensinos. Ainda hoje vemos a ira dos homens por Aquele que proclama o Reino de Justiça. Tais homens são amantes de seus próprios ventres e não desejam que viva a Palavra da Verdade. Que Deus não nos faça emudecer diante de tantos desmandos. Na contramão daqueles que buscam o silêncio de Cristo estão aqueles que tencionam ouvir a Sua voz, quanto a esses existem promessas de audiência eterna. Porém, aos demais, pouca esperança resta, a não ser que se arrependam-se e busque a mesma voz de poder encontrada no Senhor.



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