sexta-feira, 2 de abril de 2010

Armando e Alfredo. Irmãos que precisam se entender

A igreja brasileira em suas distintas correntes podem ao meu modo de ver, ser por analogia, distinguida por duas personalidades fictícias. É como se houvesse no evangelicalimo duas pessoas que transmitem fielmente as características de dois grupos antagônicos do nosso momento. São eles os pentecostais que chamaremos de Alfredo e os tradicionais que chamaremos de Armando. Como se comportam estes homens e que eles fazem no exercício de sua religião observaremos agora.
O Alfredo é um homem muito temente a Deus. Ninguém que o conhece sinceramente pode duvidar de sua integridade e diligência no serviço de Deus. Porém, ele não teve acesso a uma cultura mais abrangente e por força e influência de pessoas que pensam como ele e foram seus mentores espirituais, se tornou alguém muito limitado em questões mais atuais. Ele vive como se vivesse a cem anos atrás, se tornou antiquado não porque é ignorante, mas porque não teve acesso a novas respostas para problemas atuais e por esta razão pouco consegue caminhar no mundo moderno e infelizmente foi ultrapassado por estas condições.
O Alfredo também é eficiente em seu trabalho, por ser honesto se empenha com afinco nas suas atribuições religiosas. É evangelista profundamente espirituoso e dedicado. Entende que os costumes da época são invenções de satanás e também de crentes "moderninhos". Por esta razão, ele acha muito liberal que as moças pintem seus cabelos ou mesmo cortem, acha que as roupas apropriadas para o culto é o terno e para as mulheres, longas saias e alguma desconcideração com a aparência, tornando-se um verdadeiro a vaidade feminina.
Ele o Alfredo, também é muito fervoroso e busca o Senhor incessantemente. Não cursou os bancos de teologia, porque via com desconfiança essa história de aprofundar em ciências humanas, que ao seu modo de ver são desnecessárias, porque ele eentende que o Espírito, assim como nos tempos bíblicos, é quem capacita o cristão, mesmo que este seja sem estudo algum, por esta razão não suporta confratações teológicas e coisas sui generis. Ele realmente acha que está vivendo um momento de grande entusiasmo espiritual, vê no avivamento da rua Azuza um grande marco no cristianismo. Entende que a Reforma do século XVI apenas foi o início de uma caminhada que culminou na grande onda pentecostal dos nossos dias, por esta razão ele é tão orgulhoso e se gloria tanto das grandes denominações da sua fé, bem como do crescimento espantoso que estas vivem no momento. Entendendo que os evangélicos nada seriam sem eles.
O Armando por sua vez é alguém extremamente ligado as novas situações desses dias. Estudou muito e por esta razão teve contatos com novas idéias, as pesou fielmente em sua balança que é a Bíblia e viu que algumas são benéficas e outras não. Estudou teologia e a vê como algo extremamente necessário para o crescimento espiritual da igreja. Ele entende que sem o conhecimento teológico não se pode a ver uma real liberdade de consciência, nem tão pouco haverá um verdadeiro mover divino, pois sem conhecer Deus não é possível saber quando Ele atua.
Armando é moderno e atual e isso se reflete na forma como enfrenta o mundo. Busca ter liberdade nas vestimentas, acha necessário ser prudente e procura se adequar ao seu melhor estilo, sem ter algum padrão a seguir. Contando que seja decente, qualquer roupa se pode usar. Armando realmente crê que o seu ramo teológico não tem raiz em um movimento novo, mas está ligado a uma igreja universal que é católica e por esta razão remonta sua história desde os primórdios da manifestação da misericórdia de Deus, quando Ele intentou chamar um povo para si. Logo, ele se vê como um crente histórico.
Possivelmente hoje Armando seja um pouco negligente em sua vida espiritual, digo na forma como ele entende a vida, porém, se dedica muito, dando mais antenção a prática da piedade no contexto do mundo do que algum tipo de asceticismo moderno. Armando acredita fielmente que sua igreja permanecerá inabalável em seus costumes, ainda que esta seja mais suscetível a novas e perigosas tendências do que o seu colega Alfredo. Pois, quando ele olha para o passado ele vê que isso já foi vencido, como no caso do liberalismo e do fundamentalismo. Armando não se considera antiquado mas entende que a sua fé é antiguíssima, só que ela deve dar respostas a questões como ética, bioética, ciências e outras, simplismente porque entende que é seu dever preservar uma fé inabalável. Ele investe muito na educação dos filhos, por isso promove a educação em várias esferas, desde a igreja até a universidade. Nada lhe faz preso a não ser o senso de responsabilidade que prima, chamando para a ação em um mundo que se corrompe. Entende que mesmo que já tenha feito muito, ainda há muito mais ainda para fazer, principalmente no que se refere a sua vida de piedade. Talvez isso faça de Armando alguém humilde.
Esses dois homens já se encontraram em algumas ocasiões, só que a conversa entre os dois não foi muito proveitosa não. Deiaram de se entender para adquirir uma postura de superioridade, isso dificultou o diálogo. Talvez conseguissem unir aquilo que é bom em cada um teríamos uma grande força em prol do Reino de Deus. Eles continuam sendo irmãos, ainda que não sejam gêmeos siameses. Em algumas ocasiões se unem, mas ainda de uma forma desconfiada. Isso não é bom, são adultos e deveriam se entender. Acredito que as duas partes tem muito a ganhar se forem mais unidos e se respeitarem. Que Alfredo tenha mais disposição para dar respostas à atualidade, abrindo-se para os novos dias e que Armando tenha mais disposição ao evangelismo e piedade, buscando uma experiência profunda com Deus. Assim toda a igreja ganhará e não seremos completos estranhos na casa paternal.

Um comentário:

  1. Este artigo não pretende mostrar a atitude de ninguém especificamente, ou seja, não retrata a vida de ninguém, apenas se propõe a considerar as diferenças existentes entre pentecostais e tradicionais.

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